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A
primavera despiu-se
Devido ao forte calor de sua beleza
Uma falsa beleza
O seu florido suor
Banha a fatigada face da terra
De semblante agonizante
E dissimuladamente
A primavera sorri.
Uma flor nasce no asfalto
Tão bonita e esquisita
Mas instantaneamente tomba
Em fatais espasmos de dor
Cancerosa em suas pétalas.
Chorem aqueles
Que já foram tão belos um dia
E
que hoje encaram os espelhos de olhos vendados
E rezem pela primavera
Esse cadáver que recusou-se a ser enterrado
E preferiu ser cremado
Nos venenosos raios solares
E ter suas cinzas espalhadas no ar
Que os tufões sempre levam
Pra passear na fumaça.
Flavio Antunes Soares
4º lugar no IV Concurso UniABC de Poesia
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