A Primavera do Século XXI

 

 

A primavera despiu-se

Devido ao forte calor de sua beleza

Uma falsa beleza

O seu florido suor

Banha a fatigada face da terra

De semblante agonizante

E dissimuladamente

A primavera sorri.

Uma flor nasce no asfalto

Tão bonita e esquisita

Mas instantaneamente tomba

Em fatais espasmos de dor

Cancerosa em suas pétalas.

Chorem aqueles

Que já foram tão belos um dia

E que hoje encaram os espelhos de olhos vendados

E rezem pela primavera

Esse cadáver que recusou-se a ser enterrado

E preferiu ser cremado

Nos venenosos raios solares

E ter suas cinzas espalhadas no ar

Que os tufões sempre levam

Pra passear na fumaça.


Flavio Antunes Soares
4º lugar no IV Concurso UniABC de Poesia

 

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