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Poesias by P@ulo Monti

 

Verão

 

 

 

 

            O sol era uma criança feliz a brincar sobre o mar. Ondas nasciam desde o horizonte, trazendo nuvens feito espumas, que batiam, suaves, em meus pés. O dia suspirava saudades do futuro! Lá estava eu, parte do cenário, pedaço de areia, gota de um oceano ainda maior: a saudade que viria.

            Uma gaivota está descobrindo a alegria pura de voar rente às águas. O mundo era ali. A vida toda era ali! Deitava-me nas tépidas areias, fechava os olhos, e ficava a ouvir a marinha sinfonia ... O momento era único, inigualável. Era verão. Minha vontade deixava-se dançar no ar salgado, meu corpo gemia ao sabor do cálido sol, meu sorriso era barco rasgando, suave, tanta beleza!

            Os amigos não tardavam a chegar. Era verão. Um violão roçava meus ouvidos. Vozes cantavam, alegres. Eram os amigos que deixei depois deste verão. A noite chegava. Era nova festa (na minha praia, era sempre festa: de dia, de noite ...), era serenata de mar apaixonado pelo luar, era valsa em conchas debutantes: era verão!

            Era um chope gelado, era uma mesa de bar, era um baile de noite morna em brisa marinha! Eu estava feliz, tinha que ser feliz. Tudo era tão nosso (meu e de meus amigos), o cotidiano era tão deliciosamente vagabundo ... Era tudo tão pescaria. Pescar é importante: um sonho, um sorriso, um grande amor – imaginem! Pescar um pedaço daquele mundo ...

            Seria talvez um crime, mas, era verão. Hoje, em meu apartamento, por um instante sinto aquele mesmo sol, aquelas mesmas ondas, violão, serenata, valsa, pescaria, chope, mesa de bar, tudo ... Mas, já tão saudade, já tão nunca mais: era verão. Em meu peito um doce soluço instala-se: êta saudade danada, praia querida!

 

Paint by Jim Warren

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