Poesias by P@ulo Monti  

 

Reencontro

  

            Noites de sextas-feiras, sábados de festas e “desdobres” (ato de passar a conversa em pais ou mães para ir a uma festa ou, simplesmente, sair para a rua com os amigos) em que nos perdíamos e encontrávamos nossas necessidades de estar juntos e ser felizes.

            21:00 horas, hoje. Sábado, uma vez mais. Como tantos outros sábados passados. O que esperar? Dia de sempre surpresas. Às vezes, extremamente agradáveis. Quem são estes? Onde ficamos guardados? Em que canto da memória perdemos nossas lembranças?

            Só mesmo alguém com a força de uma crônica mental e não escrita, de fazer inveja a qualquer arquivo, para decifrar-nos e decodificar-nos, pois, não é necessária: afinal, está mais viva do que nunca. E cristalizar as características e mesmo os trejeitos de cada um de nós. A maneira de andar, falar, o que fazíamos. Uma maneira de escutar rádio portátil, muito pertinente naqueles momentos. Um passear no meio do Pombal com um violão vagabundo e seresteiro. Um passear perfumado e coquete de uma bela adolescente com nome de artista americana em plena Marcílio Dias. As peladas de futebol: “ – Não precisa barreira! Deixa que eu pego!”. E não pegava nada. Apenas os momentos que comporiam os elementos da futura crônica e a saudade de um tempo realmente feliz. A propósito: o que fomos naqueles dias felizes?

            A expectativa pela saída das gurias do “Protásio”? Ou do “Nossa Senhora de Lourdes”? Suas belas e adolescentes figuras em uniformes escolares tão peculiares e que nos levavam ao delírio da imaginação e da possibilidade de vir a conquistar o privilégio de acompanhá-las e desfilar, orgulhosos, ao seu lado. Quem sabe, ainda, o supremo privilégio: de mãos dadas!

            21:00 horas, hoje. Sábado, uma vez mais. O tempo cristaliza-se nesse momento em que estaciono o carro. Reconheço a rua, a casa.

            Estarão todos aqui? Mesmo? Ou espectros de nós mesmos estarão esperando para nos assustar? São muitas noites e dias iguais a esse que desfilam na memória.

Tantos que, de assalto, um pequeno poema me toma por inteiro:

Pequena lembrança ...

by P@ulo Monti

 

  Anos dourados!

Quantas lembranças...

Não resisto a uma:

O adolescente apaixonado,

Ansioso nas esperas intermináveis (ela está quase pronta ...),

O nervosismo dos encontros (e desencontros também).

Com "boca-de-sino" badalei por aí ...

Calça Lee com tachinhas ...

Bolsa de couro pendurada no ombro

E uma rosa roubada na mão:

Afinal, tinha mais valor!

 Agora, tudo está no seu lugar! As musas, os amigos, os lugares, até eu. Vamos em frente! Mais um dia de sábado. 21:00 horas.

 

 

Música de fundo: Have you ever seen the rain

Creedence Clearwater Revival

 

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