Poesias by P@ulo Monti
Lembrança
Lembrei, agora, 02:08 horas da manhã, de uma antiga letra de música, onde, lá pelas tantas o intérprete recita: “... e foi num mundo como esse que eu te encontrei e te amei e quero fazer de ti minha mulher”. Uma licença poética na madrugada. Ou, apenas uma desculpa emocional para o lembrar. Tal qual entrar em uma livraria às 09:30 da noite, sendo que a mesma encerra seu expediente às 22:00 horas, para comprar livros ... didáticos!
Há algo mais poético do que isso? Digo-lhes que não. Pois, ao homem só é dado o privilégio de pagá-los. Nunca, o suave sabor de procurá-los nas estantes como quem busca, num sebo, um exemplar raro! E todos, indelevelmente, têm um cheiro estranho. Não possuem, talvez pelo seu objetivo, não menos nobre, o de um livro de crônicas ou poesia suada numa madrugada, à beira-mar.
Assim como lembranças de nós, pelos outros, associadas a frutas, por exemplo. Tal como aconteceu comigo. E de uma fruta que detesto! Mas, independente do gosto, peso e tamanho dela, sempre é bom ser lembrado. E, mais de uma vez, então, é fator de extremo regozijo.
E, neste nosso mundo de tanta correria, pressa e falta de atenção, mínima que seja, vamos lembrando, mesmo que não registremos, de tantas coisas boas e agradáveis, como escrever à noite, ver o sol se por no Guaíba, ouvir uma música suave no escuro do quarto antes de dormir. E, sobretudo, o doce sabor de uma vingança solitária ao comprar livros ... didáticos.
Música de fundo: A Minha Prece de Amor
Sílvio César