|
Coerências
e Incoerências

Sou uma
língua docemente infame.
Sou uma amorosa furacão
Sou um uivo em uma noite de luas.
Sou um terreno plano, sombreado,
Florescido por sentimentos.
Sou um vento que acaricia falando.
Sou uma mulher disfarçada de amapola.
Sou um sussurro
Na greta profunda e obscura da noite.
Sou uma sonhadora
Repleta de barquinhos de sonhos.
Sou um aqui agora
E um futuro incerto.
Sou um delírio sem dono.
Sôo um silêncio de maldades
Sem faces,agora e sempre.
Sou uma pagã contente
Em carícia de beijos.
Sou um lago puro
Que não quere baixar ao vale.
Sou um som arrebatador.
Sou uma dor disfarçada de gargalhada
Sou uma poetisa de coração grande
E rima esquecida.
Sou um alento perseguido e entrecortado.
Sou uma tela inacabada mal pintada
Sou um salto mortal
Sobre o vazio eternamente apagado.
Sou uma mistura de acertos e de erros,
De duvidas e afirmações,
De conhecimento e desconhecimento.
Sou uma rocha que, a vezes,
Se encontra despojada de grama,
Porém também posso ser tronco
De raízes profundas.
Sou um vai e vem de sentimentos
claros e obscuros,
De apaziguamentos íntimos,
E de carreiras seja a qualquer parte.
Aqui está minha declaração expressa
De minhas limitações,
De minhas debilidades,
De meus temores,
De meus delírios.
Posso ser:
egocêntrica,
pagã, ridícula, distante,
insensível, contraditória,
distraída, embevecida,
atormentada
E torpe.
Porém posso ser:
sensível, generosa, amável,
amorosa, intuitiva, mística,
forte, poeta, equilibrista,
amante, amiga...
Escrevo todas minhas contradições
Para que possas tirar
Tuas conclusões
Sobre minha vida.
Dilene Maia
|