Uma Carta para o além
Nada
sabia desta frase neste mundo tangível, ele é fruto exclusivo do teu amor
eterno, rompendo a barreira do além, entendendo a tua ternura e o teu carinho
mostrando a última mensagem diante dos meus olhos.
Esta jóia, estou enquadrando em uma moldura especial e colocando no coração
e na cabeceira da cama, onde sempre ficou nosso retrato de casamento, ela aquece
meu corpo e minha alma pelas noites de frio.
Eu sabia que amava, tanto quanto eu, mas não sabia que me amava muito mais do
que eu assim.
É assim que a gente descobre mistérios, coisas que aqui não se entende, como
ele vem pelo ar.
Era você a causa de tamanha vida e alegria, que me invadia o momento
maravilhoso.
Ainda lembro, as cestas de flores do campo e as palavras que trazia na boca
todas as tardes, e você se atirando contra meu peito, envolta em meus braços
dizendo satisfeita e feliz com seu largo sorriso:
"bobo como te amo".
Envolvendo nossa alma e coração, mas estou brabo, jamais disse que amava, mais
que a própria vida, não devia esconder o fato, enquanto era viva.
Lá onde estás, acredite, nunca disse uma só palavra de amor a outra mulher
qualquer, elas foram destinadas somente a ti neste quarenta e dois anos.
Amor. Todas essas letras me apalpam de pedaço em pedaço, elas transmitem e se
ligam a estrutura das células, que se rendem à sua declaração, que ainda
me arrepiam de emoção. Morro de saudade.
Deus meu! Tenha piedade de mim. Levaste meu amor, mas entendo que os anjos
pertencem ao céu. Mesmo assim leva-me para junto dela.
Curitiba outubro 2000
Charles Romeu Zulu.
Para ZENIRA