ZOOLÂNDIA

Parecem homens ou animais travestidos

Em seres alucinados pela

Loucura da pobreza. Parecem anjos

Ou serão duendes encardidos a perambular

Solitários na coletiva

 

Delinqüência do dia a dia.

Estão em todas as partes, cantam,

Gritam palavras desconexas e

Riem de si mesmo, como numa

Autoflagelação espontânea.

Um dia eu olhei para um deles,

Silencioso. . . Cabeça baixa e olhos

 

Deixando cair uma lágrima sobre

A face de uma criança que

 

Parecia dormir. E me lembrei que

Ontem eu poderia ter sido ele. . .

Bastaria não ter mãos que me

Revelassem o caminho a seguir

E eu estaria naquela imagem em

Zoom que feria meu coração. A criança no colo

Amigos! Não dormia. . . Agonizava.

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