NATAL

Aquela criança não consegue dormir. . .

Lá fora, houve-se músicas e muitos risos. . .

Ela está ansiosa para que a hora chegue. Naquela

Garagem onde mora, reina a paz. O seu coraçãozinho

Rasgado acolhe o seu pequeno corpo e ela não se

Importa se não houve festa, apenas espera que aquele

Anjo bondoso de barbas brancas venha trazer o que ela deseja. .  .

Sua boneca de pano. As horas passam e o canto lá fora

 

Dobra de volume. . .Mas naquela garagem tudo é silêncio.

E a menina dorme e sonha que sua mãe é

 

Um anjo. . . Ela vem descendo trazendo nos braços

Nuvens coloridas como presente, seu corpinho vira-se no colchão e

Silenciosamente sua mãe retorna a casa. . . A menina ainda

 

Dorme. . .  Ela lança um olhar sobre a menina

E retira da bolsa rota, um pequeno embrulho e começa a

Sorrir porque nunca em sua vida ela tinha ganho um

Espantalho sequer. . . Trabalhou o dia e a noite inteira.

Sua festa? Desde que resolveu enfrentar o mundo com a filha

Pela mão, esqueceu o significado da expressão “festa”.

Em seus olhos uma lágrima brilhou, pois sua filha sorria um

Riso  puro e angelical. Pegou o pequeno embrulho e

O colocou junto ao colchão, levantou-se e olhou

 

De um pequeno buraco que existia na porta, viu que lá fora só

Existia alegria. No seu peito a dignidade de uma mãe. . .

 

Os seus olhos voltam-se para aquele pequeno anjo e

Um coro de vozes canta lá fora, Noite feliz, noite feliz. . . Eu

Tenho uma flor e tenho que cultivá-la, a

Realidade às vezes dói e no seu peito um

Outro mundo explode, uma festa que é só

Sua e nenhuma outra pessoa pode participar dela.

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