CLAREAR

Perco-me ao olhar no leito as

Ruas curvas que caminho.

Acho que extasiado fico, ao

 

Ver transparente sem auxilio da lente,

Os campos de pelos loiros que

Crescem com vigor

Em seu colo cálido.

 

Quase adormeci ao tocar com

Uma das mãos o cume

Espesso e aveludado dos montes da lua

 

Que cobrem sua pele plana.

Usei do seu suspiro para

Expressar num ruído as

Ruas de estrelas que os meus

Infinitos sentidos puderam

Armazenar num olhar noturno.

 

Um mundo todo meu. . .

Me pergunto se no fundo, 

As avenidas do seu sonhar

 

Esperam encontrar-se um dia nos

Sonolentos becos da minha vida.

Percebo que as suas mãos

Inebriadas pelo sono, escondem por

Costume o que não poderei esquecer.

Inventei no papel o que

Alguns tentaram me mostrar sem a

Lógica de escrever o que eu já vi. . . E senti. . .

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