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Vazante

Nídia Caldas

 

Ando assim asim, tal qual uma peneira.

Vazo inteira por todos os cantos

e somente uns fragmentos

ficam presos às bordas

para lembrar que alguma coisa

passou por dentro mim.

Nada retenho

somente as lembranças

de tudo escoar.

Outra vez queria juntar meus grãos

e voltar a ser areia de praia,

a fazer cócegas nos pés alheios

mas vem um vento e espalha tudo.

Enlouqueço e meus devaneios

soltam neste peito um grito agudo

de tudo chorar.

Falta água para colar os cacos,

falta linha para costurar os trapos.

Há quem diga que isso é padecimento, [

sofreguidão.

Eu afirmo que isto é o desígnio da solidão

traçado nas linhas

da palma desta minha mão.

 


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