UM TEMPO PARA O AMOR

Conceda-me um tempo onde eu possa estancar o meu pranto e onde eu possa brindar o encanto do amor que eu não conheci, do romance que eu não vivi Sem sofrer a dor de vê-la partir sem ao menos tê-la conhecido.

Conceda-me um tempo
Onde eu possa chorar os meus versos, Onde eu possa semear com minhas lágrimas Tantos outros poemas, Onde a esperança pelo amor verdadeiro
Possa se concretizar por inteiro E o poeta possa então emergir.

Conceda-me um tempo Onde a dor não se perpetue latente, Onde não hajam feridas, nem cortes, Onde a inquietude se faça ausente
E as escolhas sejam sempre e somente As nossas escolhas.

 Conceda-me um tempo
E que seja um delicado momento De música suave e ambiente, De água de cheiro entranhada Por todos os cantos e lados, De lua cheia e enfeitiçada A iluminar nossos corpos Deitados, enlaçados, Esquecidos, eternizados.

Conceda-me um tempo
Onde eu possa expor meus guardados Onde eu possa sagrar o teu corpo
Como abrigo seguro e tranqüilo Onde eu possa encontrar a paz.

Conceda-me um tempo Mulher que eu nem conheço ! E que seja intenso o bastante Para eu nunca mais te esquecer.

Quem sabe então o poeta Deixe de ser dolorido, sofrido E passe a ser teu cativo Num exclusivo e precioso instante do qual você nunca mais vai abrir mão.

NaldoVelho

Jorge
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