Sem Destino!
Lucelena Maia
Esta carta que agora escrevo
dispensa remetente,
dispensa também destinatário
por que é uma carta diferente...
São poucas as palavras
inespressíveis os dizeres
escrita para quem não me identificaria
caso meu nome lesse.
Conheces o sentido da perda
daquilo que jamais possuiu?
É assim que sou neste momento
pedaço de alguém que nunca me viu.
Me perdoe a tristeza
Já perdoei o desprezo
mas falta-me afeto
para curar a dor no peito.
Cheguei nas últimas linhas
sem conseguir dizer de fato
por que peguei papel e caneta
e seguro na mão um retrato!
Talvez seja a época do ano
meu aniversário...
em lágrimas e soluços sofro
sem conseguir apagar o passado.
Pai!
posso assim escrever
uma pessoa distante
que não cheguei a conhecer!
Pai,
quero e preciso grifar
esta noite faço aniversário
e como sempre, estou a te esperar!
27/nov/2001