QueriaMaricellQueria ser só aurorasNão ter em mim os poentesQue me vêm, de repenteEmbaçando os olhos meus.Queria ser só doçuraBeijos e lábios de melNão ter sabor de amarguraSer mar calmo, lindo céu.Ser somente encantamentoNão ter tristezas ou lamentosViver somente a sorrir.Queria não ter saudadesQue me agride, que me invadeQuando vejo alguém partir.Queria, queria tantoSer somente acalantoSer rede a balançar.Ser canto de passarinhosO aconchego de ninhosEstar sempre a só amar.Queria falar só de amorDe alegrias, de venturasSer uma eterna canduraNunca falar sobre a dor.Queria não ser maremotosTempestade, furacãoTer apenas calmariaDentro de meu coração.Queria não ter o prantoA rolar detes meus olhosSer meiguice, só carinhoSer rochedo, ser abrolhos.Ser tão somente poesiaQue encanta e faz bem à almaSomente ser alegriaQue embala, que acalma.Ser flores de primaveraSombra em sol de verãoAconchego no invernoDoce fruto de estação.Queria, queria tantoMas sou partidas, chegançasSou tempo sempre em mudançasSou brisa, sou ventania.Sou sorrisos e sou aisOndas a bater no caisVida que vem...E que vai...Bauru,18/01/2002