Pote Pequeno

Willian Douglas

 

Quando te abracei,
nunca pensei que a felicidade
coubesse num pote tão pequeno
 
 
Quando te furtei um abraço
e ficaste quieta,
tal como o pássaro que quer ser caçado
 
 
Quando ficaste impávida,
ou se não ficaste,
não gemeste nem um ai,
talvez tenhas acelerado a respiração,
ou tenhas ficado impávida
 
 
Quando te abracei e ficaste incólume,
eu não terminei os meus desejos,
embora engaiolar-te em meus braços
tenha me excitado
 
 
 
Quando tudo isso aconteceu
em menos de um minuto,
vi que a felicidade cabe num pote
bem pequeno,
vi que a gaiola de meus braços é suficiente
espaço para guardar todo teu espaço
 
 
Mas não vi se ficaste impávida
(embora tenhas deixado este furto ocorrer),
vi que ficaste incólume ou talvez não,
no futuro incerto,
vi e deixei de ver tantas coisas,
já que uma vez na vida te abraçava,
e tu cabias mesmo dentro de meu peito,
nada do teu ser escapava-me
naquele instante,
e se não tivesse ficado tão excitado...
 
 
Talvez pudesse ter visto como ficaste,
mas não vi nada direito,
embaraçado com teres me deixado
furtar um abraço,
não compreendendo bem tudo que ocorria,
mas sabendo que,
por um instante,
vivias dentro de meus braços,
embora eu é que estivesse enjaulado,
embora enfeitiçado,
embora quase em desespero,
embora querendo caminhar ao teu lado,
mesmo sem tocar-te,
mas bem ao lado,
o suficiente para respirar o ar que expiraste,
ou, se menos, o ar que perfumaste
com teu delicioso cheiro,
ao lado para ver o teu sorriso,
e furtar um lance de olhos
em teu regaço,
e ouvir tua voz,
ouvir teu riso,
ver-te
(carrego toda minha paixão
nesta frígida caneta!)
 
 
 
Sinto-me preso, um escravo,
e não sei se queres ser minha dona,
ou se me tratarias com carinho
 
Apenas sei que cabes toda em meu abraço,
e meu amor me transborda o peito,
e a felicidade cabe
num pote bem pequeno
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
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