MINHA ALQUIMIA
NALDOVELHO
Dor que silencia,
Que se encrava corpo adentro
E que fica latente em nossos guardados,
Se cristaliza e só aumenta o tormento.
Eu prefiro não fazer silêncio,
Prefiro desentranhá-las exibidas,
Mesmo que desgrenhadas por tantos lamentos,
Mesmo que paridas assim doloridas,
Não importa !
Tudo se faz passageiro,
Até o meu sofrimento !
Não me cabe permitir que a amargura
Cale dos meus lábios outros beijos,
Não me cabe dar asilo ao desencanto
E ignorar da vida outros desejos.
Cabe sim, acreditar que o amanhã,
Por mais que uma ausência se imponha,
Possa me surpreender sem vergonha,
Com uma nova e apaixonada presença
E que esta ao ocupar seus espaços
Possa resgatar-me o brilho nos olhos,
Adoçando prazerosa os meus dias,
Ainda mais pelo calor do aconchego
Que eu tanto faço questão de viver.
Certamente esta dor que hoje atormenta
E que eu exponho corajoso em meus versos,
Vai fazer deste poeta um bom amante,
Posto que, cicatrizados os cortes, as feridas
E dissolvidas as mágoas da vida,
Vai saber amar sem sofrer.
Esta é a minha alquimia
E eu a exerço em despojados poemas,
Pois esta é a missão que de resto me coube,
A de honrar sempre o meu dom.
efeitos especiais:belvedere.