Madrugada de primavera
Thiago de Mello
Primeiro eu vou pedir que tires toda,
mas bem devagarzinho, a tua roupa
e, estirada na luz, completamente
desnuda, tires tudo que te morde
dentro do peito a flor de primavera
que não sabes abrir. Depois, então,
vou te pedir que venhas, cheias de asas,
dentro de mim, para que se inaugure
a madrugada do meu corpo. Assim.
Ponta da Gaivota, verão de 1996
