Dobrei-me em mil pedaços E agora já caibo na miniatura De lar, de civilização, Nesse microcosmo retangular. Sou infinitesimal, sou ínfima, Maior que teus pensamentos mais nobres, Menor que teus lampejos mais sutis. Recordei os teus sonhos E puxei do mar sem fim, Sem tréguas, a palavra Que traria à tona o desespero Pois que a uma altura dessas Pedes-me urgente o desassossego. Ei-lo, O martelo que não é da justiça E que não diz o veredicto: É o martelo que decompõe Em mil e um pedaços tuas certezas, Tua moral, tua limpeza, E ilumina todas as vicissitudes desta vida.