E por n�o ser sagrado
mas n�o ser tamb�m profano
camuflo o desejo,
mas meu olhar � insano
e sorrateiro eu te encontro
deitada, sonhando,
fingindo, ou dormindo?
E sem te acordar
eu sinto seu cheiro
mistura t�o doce
de creme N�vea
e do cheiro do pano.
Se dormes, de fato,
parece um retrato
um retrato sonhando
que acaba acordando
mexendo no pano
e, �s vezes, chorando.
Se as m�os me apertam
o cheiro � mais forte
o pano tem vida
e talvez n�o suporte
e acabe gritando.
Voltastes ao teu sono
mas eu permane�o,
aqui do seu lado,
olhando a costura,
o modelo, t�o grande,
o tecido ruim,
n�o precisa de renda,
e � mais linda que m�sica
que sai de Jobim
ou can��es de Caetano,
por qu� me deixaste, querida,
sentir enquanto dormias
o gosto suave,
e o cheiro do pano?