POESIA LUZ
Malu Otero


ROSA/A TUA ROSA
Naldo Velho & Malu Otero

ROSA
NALDOVELHO

Esta sensa��o estranha...
Luz do abajur, faz tempo, queimada,
assim, acesa, do nada?!
A janela do quarto
que teimava em permanecer fechada,
hoje, abusadamente, escancarada!
E este perfume?
Acho que estou ficando louco. Na cozinha, pratos e talheres lavados.
A comida esquecida no forno: sumiu!
Na sala, m�veis arrumados,
tudo limpo, cheiro de alecrim.
Flores em cima da mesa?
Absurdo! Na estante, livros arrumados,
Cds guardados,
cada um em seu lugar.
Uma samambaia chorona
pendurada no canto da sala...
N�o consigo entender. P�ssaros atrevidos
cantam em minha janela,
parece primavera,
mas � abril, outono! Acho que � um sonho,
pois acabo de escutar sua voz...
Mas como?

Rosa, porque voc� partiu?

TUA ROSA
Malu Otero

Propositadamente,
deixei meu perfume no ar,
e muitas outras marcas de mim,
para assim, poder estar a teu lado.
Afinal, foi por toda uma vida,
e o nosso amor � grande demais, sem fim;
n�o podia te deixar desamparado...

� noite quando sonhavas,
te tomava pela m�o
e sa�amos, os dois, abra�ados,
contando estrelas ao luar,
alimento dos encantos da paix�o
dos sempre ternos e eternos namorados,
daqueles que nunca v�o se separar...

Numa dessas noites, perdemos a hora...
Resolvi te acompanhar no caf� da manh�.
Caf� fresquinho, perfumou toda a casa.
Voc� pedia que eu n�o fosse embora,
enfeitei o ambiente e como tua guardi� te disse:
pedirei a Deus que te d� asas!

Fomos atendidos, teus olhos brilharam...
Juntos, de novo, sem mais separa��o.
tua Rosa, debru�ada em teu peito,
tuas m�os em meu ombro ficaram.
Nossa �rbita a mesma,
conjuga��o de sonhos,
pois assim o nosso amor � feito.

Assis - S�o Paulo - BRASIL
25/04/2007


DECLARA��O DE NALDO VELHO

O poema ROSA � baseado em fatos reais, acontecidos, j� faz algum tempo.

Conheci um casal, quando mais jovem, Seu Juvenal e Dona Rosa. Eram muito felizes. Tinham dois filhos, um deles, hoje, meu compadre, e a hist�ria de amor que vivenciaram foi dessas que a gente s� v� em novela, constru�da em cima de muita luta, muito sofrimento e, principalmente, muita coragem, pois tiveram que romper com todos os la�os para poderem ficar juntos. Eram amant�ssimos, o carinho e a ternura dos dois eram constantes, a ponto de transformar a casa onde viviam, num templo de paz e amor onde ador�vamos ficar. Um dia, assim, sem mais nem menos, aos 65 anos, Dona Rosa morreu, num desses infartos fulminantes que sem o menor aviso lhe acometeu.

Daquele dia em diante, Seu Juvenal, antes homem forte e alegre, numa sombra triste e sem vida se transformou. Dava pena de ver! A casa, antes, um brilho, agora largada, m�veis empoeirados, o jardim morto e o velho homem, costumeiramente de muitas palavras, se transformou numa pessoa soturna e amargurada. Tomar banho, ent�o, muitas vezes nem tomava! Entregou-se em vida, arrasado pela falta que Dona Rosa lhe fazia.

Seus dois filhos, j� casados, e seus netos, toda a semana, iam l�, limpavam tudo, at� banho o obrigavam a tomar. Meu compadre sempre relutou em coloc�-lo num asilo e o velho, j� com 70 anos, n�o admitia a id�ia de ter uma empregada, ou mesmo de ir morar com qualquer um dos filhos, e assim dizia: um dia ela vir� me buscar.

Todas as manh�s, em dire��o ao trabalho, quando por l� passava, levava p�o fresquinho e um litro de leite. Janelas sempre fechadas e Seu Juvenal, nem caf� havia tomado. No meio daquela bagun�a, ia eu pro fog�o, passava um caf� bem forte, sent�vamos na sala, ainda que empoeirada, pra um dedo de prosa que sempre girava em torno do mesmo assunto: Dona Rosa e a saudade que ele sentia.

Numa quarta-feira, estranhei as janelas abertas! Fui entrando na casa como sempre fazia, e confesso: com o cora��o apertado por conta de uma sensa��o estranha; parece que eu j� sabia. A cena foi dessas de arrepiar: a casa toda arrumada, a mesa posta, caf� rec�m coado, p�o, manteiga, queijo, rosas sobre a mesa, at� um pratinho de biscoitos de nata, tal qual Rosa fazia, e Seu Juvenal sentado em sua cadeira de banho tomado, com um sorriso no rosto, olhos fechados, morto. Era como se Dona Rosa tivesse vindo busc�-lo. Mais que depressa liguei para os filhos... Meu compadre e sua irm� chorando muito diziam: Naldo, neste fim de semana n�o pudemos ir at� a�, nem levar as netas para abra��-lo.

At� hoje fico pensando: Rosa veio busc�-lo!

Ontem, estava eu aqui no computador, pesquisando no eMule o Mestre Pixinguinha, e achei esta preciosidade, ROSA, com o Paulo Moura. Foi ent�o que nasceu o poema, que a bem da verdade fala de uma hist�ria de amor bonita e sem d�vida alguma, espiritualmente muito forte, pois seja onde for que eles estiverem, tenho a certeza de que estar�o juntos.

(Naldo dirigindo-se a Malu Otero)
Por isso amiga, em respeito � motiva��o que levou ao poema, e principalmente a hist�ria dos dois, pe�o que, num outro poema, voc� seja Dona Rosa vindo busc�-lo! Acho que seria uma bela homenagem e um testemunho de que nem sempre poetas falam de amores mal resolvidos, perdas por desencontro, decep��o ou desamor. Acho que acabo de escrever um pequeno conto. Que Deus te aben�oe minha amiga!

Naldo

MANIFESTA��O DE MALU OTERO

A minha poesia, inicialmente, tinha sido bem outra, porque n�o conhecia o esp�rito da hist�ria... Mas aceitei participar da homenagem, que me f�z lembrar um pouco de meu pai, depois que minha m�e se foi... Assim, Seu Juvenal, sem sua Rosa... At� que, no dia em que se foi e, a�, t�m-se todos os ind�cios de que ela veio busc�-lo... Possuida desse esp�rito, conclamei Rosa em meus versos... O eu po�tico � a mulher que se re�ne novamente ao seu amor, vencendo os obst�culos, que os separavam... A morte foi um par�nteses breve, vencido pelo amor...

Malu Otero



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