Quando eu morrer
N�o quero choro
Mas quero velas
Muitas velas
Para estar presente a luz
Luz que ilumina minha vida
Quando eu morrer
N�o quero choro
Mas quero m�sica
Muitas m�sicas
Para estar presente os sons
Sons que d�o vida � vida
Quando eu morrer
N�o quero choro
Mas quero banda
N�o com marchas f�nebres
Cabe�as baixas a lamentar...
Quando eu morrer
Quero alegria
Como nos cortejos
Do negro americano
Aceito m�sicas do Roberto
Do Chico ou de Caetano
Quando eu morrer
Se n�o for poss�vel banda
N�o faz mal
Mas n�o dispenso um carro de som
Mas com bom som
Para que nem eu
Possa reclamar
Quando eu morrer
Eu quero o brilho da luz
Que sai da vela
Para n�o me esquecer
Do p�r-do-sol
Que curti na terra
Quando eu morrer
Eu quero o perfume
Das flores da serra
Para n�o esquecer
Dos aromas mil
Que senti na terra
Quando eu morrer
Eu quero a melodia
Que a m�sica encerra
Para n�o me esquecer
Do canto dos p�ssaros
Que ouvi na terra
Aos que ficarem
Pe�o desculpas pelo trabalho
Em atender, o derradeiro pedido
Deste viajante do universo
Agrade�o, n�o vou voltar para pagar
Deixo agora o recado:
Simplifiquem a vida
Curtam cada segundo rodado
Parem para observar
A beleza da flor solit�ria
Esquecida na beira da estrada
Se integre ao p�ssaro descuidado
Que pousou aos seus p�s na cal�ada
Questione para onde vai a borboleta
Apressada que passou pelo seu quintal
Olhe para o mundo como se o tivesse
Acabado de conhecer
Com certeza n�o o reconhecer�!
Tire um tempo e corra pela praia e pelo campo
Se estarre�a com a grandeza do mar e das matas
Respeite a beleza do fogo e a for�a das �guas
Observe o ru�do sinistro dos ventos
E se assuste com a descarga el�trica
Produzida pela tempestade
� a natureza dando o seu espet�culo
De gra�a!
Tome chuva e um banho de sol
Se atire pela moldura da janela
Nas profundezas da escurid�o da noite
Converse com as estrelas
Traia o luar e se enamore da lua
De vez em quando acorde antes que o dia
Para surpreender o amanhecer
Pensar que tem gente que nunca viu
A explos�o do sol rompendo a linha do horizonte
Vez ou outra, fa�a companhia ao entardecer
Para solenemente receber a bo�mia noite
Sinta na pele o frescor da brisa
E o morma�o de um dia de ver�o
Jogue bolinhas e solte pipas com as crian�as
Ir�o te chamar do louco
Mas eles nunca te esquecer�o
Tire todos os dias para aqueles que voc� ama
Nem que seja em pensamento ou cora��o
D� aten��o e converse com os idosos
Muitos vivem em completa solid�o
Sonhe, sonhe muito
Sua maior responsabilidade aqui na terra
� realizar seus sonhos
A vida � simples e bela
N�o complique!
O recado est� dado
Adeus!
* Poesia feita por Leopoldo Jos� Rodrigues