É este silêncio feito de diamante
É este estar sem estar presente
É esta solidão contra a qual sou impotente e tremo
É este poema que vara a noite trêmula
É esta vida totalmente sem sentido e sem saída
Num beco escuro
É esta vontade de ser feliz sem ser compartilhado
É este olhar irado que só tem paciência
É esta dormência cujo significado é Morte
É esta metáfora adstringente que queima a boca
Mas cujo sentido se perde nos lábios
É esta melancolia de noite de dia de noite de dia
Qual tique-taque de um relógio triste
É esta imagem da TV tão borrada
Porque não possui sentido, não possui nada
É este mirar o horizonte que se esconde
Na miopia da tarde cansada
É este querer tanto sem ser querido
É este perder-se no campo inimigo
É este ser que só quer carinho e amizade
É esta vontade de morrer sem precisar optar
Pelas mil e uma mortes que existem
É esta vertigem que me dá quando me sinto só
É este pó que renasce todo dia
É esta vontade de viver e ser amado
E não encontrar ninguém ao meu lado
Que me angustia
É esta vontade de compartilhar meu dia-a-dia
E tão-somente ecos de minha voz ouvir
Nesta sala de infinita grandeza
É este ser ausente que tenta ocupar espaço
Em algum coração, no ninho de uns braços
É este desejo de ser localizado
Pelo radar de teus olhos
É este querer ser guiado pelos teus passos
É esta vontade de abraçar-te na longitude
E na latitude onde exatamente estás
É esta percepção que somente irradias teus sinais
Para mim – satélite perdido longe do mundo
Sozinho no universo vasto e frio.
* Poesia feita por Marcos Hidemi