É preciso viver, experimentar ao menos uma vez a brisa no seu rosto, o doce
aroma da manhã e a boca de café do amado. É preciso viver, sobrevivendo a lapsos
de alegria e momentos de profunda tristeza. É fundamental viver um grande amor,
tocar com os pés a água gelada de um lago, caminhar de mãos dadas antes do
amanhecer. É necessário reconhecer o amor e o amado em qualquer lado, colher um
sorriso e se perder num abraço.
É gostoso perceber que se vive e que aos poucos se vai morrendo, é preciso
buscar a alma, o elemento, o fogo, a terra, o ar e a água. É possível buscar a
felicidade, a saudade e a música para não ser vazio. É buscar em cada espelho o
reflexo do interior, buscar na criança a pureza e inocência, buscar na saudade
alguém que já partiu para lugares muito distantes. É achar uma bifurcação no
caminho e escolher o mais longo, é aprender com a queda e se recompor com o
sofrimento. Isto é a alma do ser humano. Isto é a nossa definição e a nossa
essência.
O que é o ser humano? É uma estrutura complexa e antes de tudo a base de uma
infinidade de sentimentos. Dentro do ser humano coexistem o amor e o ódio, a
totalidade e o vazio, a doçura e a amargura, o bem e o mal. Surge então o
princípio das máscaras para esconder o perceptível aos olhos e o doloroso para o
coração. Todos nós vestimos máscaras, o ser nasce puro e ao receber o mundo
recebe com ele toda a sua miséria, recebe a dúvida de uma vida feliz e a dúvida
do quanto ele poderá sobreviver.
Porém o pequeno ser recebe também o amor, o conforto e o calor de outros seres.
Para se viver neste mundo, é preciso ser subjetivo, ter alma e interior. O
pequeno ser recebe o sol, a vida, uma grande fonte de eternas descobertas;
recebe a mão, o beijo e o complexo e infinito mundo dos sentidos.
É preciso olhar a montanha mais alta do mundo e achar que ela nunca tem fim, é
ver que o caminho é longo e mesmo assim ter desejo de percorrer a longa
distância. É preciso ao menos uma vez na vida sentir o toque, a face, os olhares
que se encontram e as mãos dadas. Sentir o calor do sol nos cabelos e perceber a
solidão da lua refletida no oceano. É preciso ao menos viver, sentindo que se
vive.
* Feito por Fernanda Couto de Azevedo de Oliveira [email protected]