01/12/2009

Sobre a necessidade da criacao de comites sociais populares


A sociedade, de modo geral, se importa com as situações de drama vividas pelas pessoas socialmente excluídas, sobretudo porque elas se colocam no lugar delas ou, também, porque estão cansadas em ver tal realidade perdurar – ao que parece – eternamente, sabendo que também sofrerão as consequências de ser coniventes com os grupos de elite que marginalizam estas pessoas. Entretanto, ao cuidar das suas obrigações do dia-a-dia, ou mesmo quando estas descansam no seu tempo livre nos finais de semana, estas pessoas não se veem minimamente com vontade de fazer algo para ajudar aos mais necessitados. Por esta razão, um esforço bem planejado, cuja elaboração e execução a ser originada por parte do governo se faz fundamental para suprimir tais carências.

Tal planejamento não deve objetivar votos ou ser orientado para a satisfação do público que “observa e nada faz” diante desta realidade, mas sim atender o público-alvo, que é composto das pessoas socialmente excluídas. Ainda assim, dadas as facilidades do Estado prover um serviço precário para a população que não tem um mínimo de expressão política, esta parcela da população que “observa e nada faz” pode colaborar no impedimento para que políticas importantes não acabem se tornando em algo sem resultado significativo, cobrado dos governantes por resultados efetivos. Isto poderia ser uma tarefa para os finais de semana.

Paralelamente, durante as semanas, este grupo que “observa e nada faz”, mas estão ocupadas em “cuidar das suas obrigações do dia a dia” representa uma população significativa que trabalha em empresas e está pode também ajudar em reverter os crônicos quadros sociais deste Pais, colaborando com projetos voltados para as populações locais. Entretanto, um olhar muito atento deve ser feito, pois é comum que as empresas criem falsas entidades como “pano de fundo”, objetivando dar ares de legitimidade para as práticas de lavagem de dinheiro e outras formas de enriquecimento ilícito, tais como escapar de pagamentos de impostos para a sociedade, meios importantes para o financiamento e na concretização desses planos sociais fundamentais e urgentes.

A impunidade, por outro lado, é um assunto a ser tratado a parte. É sabido que, em nossa sociedade, a justiça e a polícia, de modo geral, são instituições que agem de maneira precária e corrupta, o que quase sempre faz os criminosos não receber nenhum tipo de punição. Eh neste ponto que as práticas capitalistas, normalmente vistas dentro das empresas, se estendem para fora delas, corrompendo juízes e policiais. Subornos e toda forma de aliciamento em geral são formas comumente empregadas para que os “olhos da lei” tenham a sua atenção desviada do verdadeiro criminoso e acaba prendendo pessoas inocentes, que muitas vezes são presas por roubar pães ou menos até. Deturpando o sentido de justiça, a pessoa socialmente excluída não tem outra alternativa para alcançar sua sobrevivência senão viver de atividades como a prostituição, tráfico de drogas, vender seus filhos para traficantes de órgãos, catar lixo nas ruas, só para citar alguns exemplos.

Para concluir, uma solução viável para reverter este quadro social poderia vir da criação de “comitês sociais”, organismos que atuariam como centros de discussão de propostas entre voluntários, mas com poder necessário não só para a conscientização e distribuição de informações para a sociedade sobre os problemas existentes, mas também atuando como representante desta, norteando suas atividades com políticas eficazes.