FESTA DE NOSSA

 

SENHORA DO ROSÁRIO

 

 

 

 OUVIDOR – GO

 

ÂNGELA MARIA DE JESUS OLIVEIRA

 

 

FESTA DE NOSSA SENHORA DO ROSÁRIO

 

EM  OUVIDOR

              

 

 

 

 

 

 

LOUVOR SEM FIM

 

 

Aleluia!

Louvem a Deus no seu templo,

Louvem a ele no seu poderoso firmamento!

Louvem a Deus por suas façanhas,

Louvem a ele por sua imensa grandeza!

Louvem a Deus tocando trombetas,

Louvem a ele com cítara e harpa!

Louvem a Deus com dança e tambor,

Louvem a ele com cordas e flauta!

Louvem a Deus com címbalos sonoros,

Louvem a ele com címbalos vibrantes!

Todo ser que respira louve a Deus!

Aleluia!

 

SALMO  150

 

 

 

 

 

 

 

 

 

PUBLICAÇÃO E APOIO:

 

 

Fundação Cultural “Orcalino Pereira dos Santos”

Colégio Estadual “Antônio Ferreira Goulart”

Autora: Angela Maria de Jesus Oliveira

Ouvidor – Goiás

2006

 

 

 

 

 

 

 

ÂNGELA MARIA DE JESUS OLIVEIRA

 

                   Nasceu no Município de Ouvidor-Goiás, filha de Joaquim Francisco Oliveira (in Memorian) e de Josefa de Jesus Oliveira (in Memórian). Formada em Pedagogia Pela Universidade Federal de Goiás – UFG em Goiânia-Go. E Pós-Graduada em Língua Portuguesa  e Alfabetização pela Universidade Federal de Goiás – UFG em Catalão-Go. Exerce a Profissão de Professora e gosta de ser Escritora – Poetiza E Compositora. Em 2006 está desenvolvendo o projeto de pesquisa, CNPq. Com o tema - Diagnóstico Ambiental: Um estudo de caso da Bacia Hidrográfica do Córrego Lagoa, Ouvidor – Goiás.

 

 

Obras publicadas:

                                - Os Planos de Deus são insondáveis

                                - A Escola Pública diante a exclusão social 

                                - Sentimento do Coração - Poesias

                                - Festa de N. S. do Rosário em Ouvidor

                                - Participação com mais de 50 poesias nos seis Volumes                                                                                                                              

 dos livros publicados pelo Projeto Poesia e Arte do Concurso de poesia de Ouvidor.                                                        

                                - Participação no concurso Literário – promovido pela Secretaria de Estado da Educação – 1ª Bienal do livro de Goiás, em 2005. Obtendo o 2º lugar com a poesia “Pé e pés”.

 

 

    

 

INDICE

 

 

 

APRESENTAÇÃO.........................................................................................05

 

I- DEVOÇÃO A NOSSA SENHORA..........................................................06

 

II- FESTA DE NOSSA SENHORA DO ROSÁRIO .................................

 

             1- Histórico da Festa de N. S. do Rosário em Ouvidor.....................

             2- Organização da Festa.....................................................................

             3- Finalidade da Renda da Festa........................................................

 

III- MANIFESTAÇÃO POPULAR ATRAVÉS DA CONGADA.............

 

               1- Congada........................................................................................

               2- Músicas do terno  Catupé Cacunda..............................................  

               3- Músicas do terno de Congo..........................................................

               4-O Mito das Congadas...................................................................           

               5- Por trás da história.......................................................................

 

CONSIDERAÇÕES  FINAIS.....................................................................

 

       Oração  de Consagração a Nossa Senhora..............................................

       Cantos de Maria......................................................................................

        Poesia negra...........................................................................................

 

 

 

 

 

 

 

 

 

                                  

 

APRESENTAÇÃO

 

 

               Em Ouvidor, a Festa Religiosa de N. S. do Rosário é a mais expressiva e graciosa da cidade. Por esse motivo, é de suma importância buscar e estudar essas raízes culturais, deixando-as registradas nos anais de história do Município.

 

               Nestes 65 anos de festa, seu caráter de resistência, apesar de ter sido  abalado por vários fatores, sempre foi visto a importância da preservação e proteção desta festa como um ótimo evento turístico de nossa cidade, no mês de maio, e também, como um momento de alegria, diversão e confraternização.

 

              Para divulgar nossa cultura que mantém viva a fé, a fraternidade, é que surgiu esse livro, feito baseado em relatos, entrevistas, palestras, pesquisas, filmagem, projeto da escola “Valorizando nossa cultura” desenvolvido por várias professoras, e outros. Escrito com permissão dos responsáveis da Festa de N. S. do Rosário, (congada, capitães, festeiros e irmandade).  

 

            

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

I- DEVOÇÃO A NOSSA SENHORA

 

 

            Nossa Senhora é venerada sob vários títulos. Como Mãe da Igreja, Maria é uma presença feminina que cria o ambiente de família. Ela é aquela que soube ouvir, escutar o chamado de Deus e acolher a Palavra do Senhor com fé.

            Maria é a discípula perfeita que se realizou as promessas feitas durante toda a história do povo de Deus. Ela foi presença de atenção, serviço e caridade, testemunho de confiança, acolhimento, amor e respeito à vida.

            Maria é mistério de fé, acreditou na Palavra, o verbo se fez carne e habitou entre nós. 

            A devoção a Nossa Senhora do Rosário surgiu por ela ser exemplo de fé e oração.

            Com ela em nosso meio, somos os filhos e filhas da grande família que reza, canta, dança, suplica e oferece.

            Com Maria, a escolhida de Deus, aprende-se conviver como verdadeiros filhos e filhas de Deus. Portanto podemos compreender e lutar pela dignidade de toda pessoa humana ameaçada em sua dignidade, feridas em seu corpo e espírito, explorados e escravizados pela ambição e ganância.

            A Mãe quer vida plena para todos. Ela está presente na vida do povo, que não se cansa de buscar, que sempre confia e quer encontrar uma resposta, uma saída, a certeza de uma nova história. 

            Nossa Senhora, Mãe de todos e de cada um, se identifica com o povo sofrido e oprimido, mostrando um novo caminho.

            Num tempo em que os negros eram escravizados e os pobres oprimidos, pela suas cor e simplicidade, ela acolheu a todos com o coração de Mãe. Por isso o povo numa grande devoção consagra a ela a sua vida, o seu coração, para que ela neles toque e os transforme.

           Consagrar-se a Nossa Senhora é sentir-se invadido e invadida pelo doce amor de Deus. Com ela aprendemos a crescer em comunidade, respeitando e defendendo a nossa cultura, a cultura de cada povo e de cada raça.

            

 

 

 

  

 

II- FESTA DE NOSSA SENHORA DO ROSÁRIO

 

   

1- Histórico da Festa de N. S. do  Rosário de Ouvidor

 

            O Município de Ouvidor, teve início em 1922, com a inauguração da Estação Ferroviária da Estrada de Ferro – Goiás.

           A cidade Ouvidor - Goiás, consta de aproximadamente 5.000 habitantes. Todo ano, são realizadas várias festas religiosas nesta cidade. A de maior influência cultural é a Festa de Nossa Senhora do Rosário, recebida dos negros, que nos transmite suas músicas, como congada, danças, crenças, atos religiosos...

            Quando surgiu a festa do Rosário, em Ouvidor, três Santos eram homenageados, cuja estampas eram apresentadas nas bandeiras levadas pela comissão de porta-bandeiras nas ruas da cidade. Esta festa surgiu no berço da escravidão, povo sofrido que encontrava na Santa um meio para aliviar suas dores, pois eles a considerava a Mãe protetora dos mais fracos e oprimidos.

            Os primeiros fazendeiros e moradores da região de Ouvidor (que consta por volta da metade do século XIX) alguns dos mais ricos possuíam até escravos, dentre eles: fazendeiro João Galdino, proprietário do escravo Jerônimo. O João Ribeiro Gangão, proprietário do escravo Pedro. A fazendeira Anna Roza, proprietária da escrava Rita. Os escravos Geraldo e também a escrava Bárbara, não constam os donos/proprietários.

                 A festa surgiu, em Ouvidor, graças a devoção dos fazendeiros à Nossa Senhora do Rosário. O primeiro ano em que houve a festa na cidade, foi no dia l3 de maio de l.940. Mas a festa já era realizada nas fazendas, neste mesmo mês, em homenagem a Libertação dos escravos. No início as novenas eram rezadas pelas famílias, num ranchinho, pois ainda não havia construído a Igreja.

                A Festa foi trazida para a cidade por Pedro Intete, do Estado de Minas Gerais. Os primeiros festeiros foram  Pedro Elizeu da Silva e a família Torquato. O primeiro General foi João do Nego. O terno de congo mais antigo é o de Moçambique, que era formado apenas por negros mais velhos.                           Até por volta de l.975, o povo vinha de carro de boi e ficavam acampados em ranchinhos. Os fazendeiros que participavam traziam comida para toda a comunidade.

                  No início da festa desta cidade, como a Igreja era tradicional, não aceitava a maneira como a festa era realizada, então os Padres Agostinianos proibiram a realização da mesma, alegando que o único objetivo da festa era diversão. Então os fazendeiros revoltaram e fizeram uma Igreja no final da rua principal ( hoje, Avenida Irapuan costa Júnior), para realizar a festa, mesmo sem autorização. Mas os padres Agostinianos ameaçaram excomungar quem participava da festa, porque o povo dançavam noite e dia, em matinês. Poucos anos depois os Agostinianos foram embora e vieram os Franciscanos. Os mesmos fizeram um acordo com os fazendeiros para a realização da festa, e pediram que a Igreja construída fosse doada à Religião Católica. Os fazendeiros assumiram o compromisso e construíram a Igreja de N. S. do Rosário.

             Segundo o autor do livro, Se Liga no Futuro (Ouvidor-Go), página 17. No início da Festa de N. S. do Rosário em Ouvidor, três santos eram homenageados: São Benedito, Santa Efigênia e Nossa Senhora do Rosário. Atualmente, só N. S. do Rosário é homenageada. E que a devoção a ela tem sua origem entre os dominicanos, por volta do ano 1.200. São Domingos, inspirado pela Virgem Maria, deu ao rosário sua forma atual. A primeira irmandade do Rosário foi instituída na Alemanha. Logo a devoção propagou, sendo levada também por missionários portugueses ao Congo (na África). No Brasil, ela foi adotada por senhores e escravos, sendo que no caso dos negros, ela tinha o objetivo de aliviar os sofrimentos impostos pelos brancos.

             Cada festa é realizada no intuito de resgatar a história das tradições religiosas. E tem como objetivo: estimular na sociedade ouvidorense, a importância do louvor a N. S. do Rosário, como forma viva de nossa cultura e do Estado de Goiás, fazendo nascer nos cidadãos ouvidorenses o respeito, cooperação e preservação das congadas.            

             Neste ano de 2005, foi realizada com muito êxito a 65ª Festa em louvor a N. S. do Rosário, em Ouvidor. A mesma é sempre realizada no mês de maio com a duração de 11 dias. A parte religiosa é realizada na Matriz Santo Antônio com 9 dias de novenas (reflexões e reza do terço). A outra parte, é realizada no ranchão, com leilões, danças, barraquinhas, etc.

                    A Festa de N. S. do Rosário é a festa que mais aglomera os filhos de Ouvidor e das cidades vizinhas. É uma festa de dimensão diferente, nela explora o folclore, a parte comercial e a parte religiosa na Igreja Católica.

                   Esta festa vem sendo cada vez mais valorizada. Devemos abraçar esta causa porque é muito importante reconhecer e respeitar nossa cultura. Pois não podemos negar a tradição do nosso povo, os nossos costumes, nosso folclore.          

                   Folclore é vida. Folclore é o conjunto de costumes, tradições, lendas, crenças, artes, danças, canções... que fazem parte da cultura de um povo. Daí a importância de conhecer melhor a nossa cultura, para valorizá-la mais e respeitá-la.

   

   2- Organização da festa

 

                   A Festa de N. S. do Rosário, em Ouvidor - Goiás, é feita de acordo com o Regulamento do Estatuto da Irmandade, realizada de acordo com nossos costumes e tradição.

                    A mesma é realizada no decorrer de ll dias, no mês de maio. Começa com a alvorada, na Sexta-feira e termina com a entrega da Coroa , às l5:00 horas, na Segunda-feira. A alvorada tem o objetivo de  despertar e avisar a comunidade que a festa começou. A alvorada é realizada na madrugada do lº dia da festa. Nos três últimos dias da festa, os ternos de congos saem pelas ruas, cantando, tocando, dançando. Os festeiros soltam muitos fogos. Os congos param à porta da Igreja para louvar e agradecer a Nossa Senhora do Rosário.

          As novenas, como o próprio nome já diz, são nove dias de duração. Elas são conduzidas com a reza do terço todos os dias e reflexão do Evangelho e sobre Nossa Senhora. São realizadas pelos dirigentes das comunidades, e cada um é responsável por um dia da novena. Além das novenas, há as procissões: no Sábado, com balõezinhos, fogueira, levantamento do Mastro e muitos fogos. No Domingo que antecede a entrega da Coroa, a Congada percorre a cidade e pelas dez horas se reúnem para a Missa solene na Igreja. E as dezoito horas, é feita uma Procissão com cortejo ( imagem de N. S. do Rosário – enfeitada em andor), com a   participação do povo e das  congadas. As procissões são realizadas em sinal de penitência e agradecimento à Nossa Senhora do Rosário. Muitas pessoas levam seus filhos vestidos de anjos para pagar promessas feitas à Santa. Na Segunda-feira os dançadores de congo saem em peregrinação pela cidade, cantando e dançando, encantam e alegram as famílias ouvidorense.

           A entrega da Coroa tem o objetivo de revelar quem serão os novos festeiros e sua Comissão organizadora. Os mesmos fazem o juramento de realizar a festa, no ano seguinte, de acordo com o Estatuto da Irmandade. Em seguida todos fazem seus agradecimentos e depois de lida a Ata, dá-se por encerrada a festa.               

                   Os festeiros eram escolhidos pelo Sr. Pedro Elizeu, mas depois de seu falecimento, a escolha é feita através de escolha ou do pedido da pessoa interessada, que é analisada pela irmandade e Conselho Pastoral da Paróquia Santo Antônio de Pádua. Se houver mais de um casal, a escolha é feita por sorteio. Depois de escolhido os festeiros, os mesmos escolhem casais para fazerem parte da Comissão organizadora, juntamente com eles.

                    Na entrega da Coroa, os ternos de congo vão até a casa dos festeiros buscar a Coroa com a Espada e o Bastão cruzados á frente dos festeiros que carregam a Coroa. A Espada e o Bastão cruzados tem o significado da libertação dos escravos e o sangue derramado pela Coroa. A Coroa é herança da Princesa Isabel e simboliza a Coroa de N. S. do Rosário. A coroa entregue é uma coroa simbólica, a verdadeira é guardada por um ano na casa do festeiro. No ritual da entrega da Coroa, o festeiro faz, em público,  o juramento de fazer a festa de acordo com o Estatuto da irmandade.

             A irmandade foi criada, porque a festa expandiu, e cresceu muito o número de participantes. Então foi necessário criá-la para ajudar a melhorar a organização da festa.

             A irmandade é um grupo de pessoas muito unidas, de muita fé e muita devoção a Nossa Senhora.

 

OS MEMBROS DA IRMANDADE SÃO FORMADOS POR:

PRESIDENTE   –

VICE  –

 lº TESOUREIRO  –

2º  TESOUREIRO   –

lº SECRETÁRIO  –

2º SECRETÁRIO  –

PRESIDENTE DO CONSELHO  –

CONSELHEIROS –

              

            Cada Festa é realizada no intuito de resgatar a história das tradições religiosa. Para fazer uma boa Festa, os festeiros buscam parcerias com: Prefeitura Municipal de Ouvidor, Irmandade N. S. do Rosário, Rádios AM e FM(Liberdade, Cultura, Rádio Cidade),  TV Pirapitinga (Catalão), Mineração (Catalão, Copebrás e Fosfértil), e outras parcerias.

 

  

 

 

 

 

 

 

 

 3- Finalidade da renda da festa

 

            A festa de N. S. do Rosário, é realizada com a finalidade de manter a tradição deixada por nossos ancestrais. Tem a finalidade básica de arrecadar dinheiro para a construção de um salão – Centro Folclórico, para a irmandade e também para ajudar na manutenção da Igreja Católica – Paróquia Santo Antônio de Pádua.

              Os festeiros tiram da renda da festa, todas as despesas com alimentação da congada e outros gastos como: enfeites, som, cantores, etc. O restante é repassado para a Paróquia. Ultimamente, os festeiros fazem a prestação de contas, dividindo a renda da festa entre a Paróquia e a irmandade.

              Esta festa também tem a finalidade de Evangelizar, divertir, alegrar, unir as pessoas, cultivar a fé do povo, divulgar a cultura.

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

III- MANIFESTAÇÃO POPULAR ATRAVÉS DA CONGADA

 

 

1- Congada

 

                  A Festa do Rosário, no Brasil, está ligada a grupos negros que realizam os autos populares conhecidos pelo nome de Congada, Congado ou Congos. O Congado se tornou festa dos Santos de cor, como São Benedito e Santa Efigênia.

                 Segundo algumas pesquisas, praticamente todo o folclore do Brasil, é originado da África (carnaval, congada, capoeira...). A riqueza de folclore que a África trouxe para o Brasil foi enorme.

                 A congada em Ouvidor, é uma festa tradicional, iniciou em Minas Gerais, ela é originada da África. Quando os negros vieram trazidos da África para o Brasil, como escravos, eles trouxeram consigo as suas tradições, suas origens, suas danças e costumes. E hoje, as congadas, preservam a tradição implantada pelos nossos ancestrais.

               Segundo o Jornal - Fundação Cultural de Catalão -“Maria Dores Campos”- Ano 02, Nº21, outubro de 2000, Página 01. “ Por volta de 1820, chegaram a Vila do catalão, escravos semi-libertos, para o trabalho nas lavouras de café. Primeiramente na Fazenda Santo Antônio dos Casados, hoje município de Ouvidor, depois em outros locais”.

               “[...]De acordo com as tradições, o escravo não carregava com ele somente os instrumentos de trabalho, mas também suas crenças, seus usos e costumes. De todas as crenças, a que mais sobressaiu foi as comemorações a N. S. do Rosário e Santa Efigênia. Estas comemorações incluía-se a parte religiosa (mistura do catolicismo e ritos afros) e as danças de acordo com cada região da África. Por este motivo é que temos as danças dos Congos (região do Congo) e Moçambique (região de Moçambique).”

                Outra citação feita no jornal Fundação Cultural que merece destaque é do Ano 03, Nº 31, Página 04, setembro de 2001, quando fala que “um terno de “brincadores” de Congada não é um simples agrupamento de dançantes, capazes de tocarem instrumentos rústicos e cantarem algumas músicas, enquanto executam passos de uma coreografia simples também e repetitiva.”

                “No sistema hierarquizado de um terno de congos, o comando é entregue a um capitão. Sob suas ordens e podendo eventualmente substituí-lo durante os ensaios ou as “saídas” do terno, estão os suplentes.”

                 “Através do seu presidente, a diretoria da irmandade é a instância mais direta e mais eficaz nas relações entre os negros “irmãos” e os agentes da Igreja e da desta forma, começando pelos congos e seus ternos, e terminando na irmandade e sua diretoria, a ordem da presença dos negros na Igreja e na Festa pode ser sintetizada: 1º em uma instituição, a irmandade de N. S. do Rosário, ao mesmo tempo incluída na área da Igreja, como parte do seu corpo de agências para eclesiásticas, e na área simbólica da congada, como instituição que fazem parte, como “irmãos” filiados, os próprios “brincadores” dos ternos e os personagens do Reinado. 2º em uma pessoa, o “presidente da irmandade” que, como chefe eleito de uma esfera real de poder, controla de uma só maneira a Congada e o Reinado, e os representa fora de uma área restrita de relações entre negros.

                Sob nenhuma hipótese, os membros da diretoria consideram-se subordinados a qualquer outra pessoa da própria irmandade, inclusive o próprio rei. Na prática, o presidente decide sobre a família real e se subordina ao padre e ao festeiro do ano.”

                O Jornal Cultural, Ano 2, Nº 9, página 1 de outubro/99, nos fala que “Os Congos possuem bandas compostas por instrumentos de percussão, tambor, caixas, pandeiros e também  instrumentos de corda como: rebeca, violão e cavaquinho. Estas bandas são seguidas por homens e crianças cantando toadas que dizem respeito à cenas da escravidão, à guerra, aos santos de devoção popular. Eles se apresentam em toda a cidade, percorrendo suas ruas e praças. Por onde passam deixam uma visão maravilhosa de cores e brilho, pois suas roupas são muito coloridas, brilhantes, cheias de rendas, fitas e flores.”

                “Suas danças são movimentadíssimas, quando simulam lutas. E, são também calmas, quando o cortejo segue apenas no ato de fé fazendo encenações dos séquitos negros que acompanhavam os reis do Congo eleitos pelos escravos. Neste desfile vemos o Rei e a Rainha, os príncipes, as princesas e os embaixadores. Tudo isso são reminiscências trazidas da África por escravos que vieram trabalhar nas minas de ouro, engenhos de cana-de-açúcar e fazendas de café.”

                 Segundo a citação da Folha Cultural, setembro de 2001, Ano 3, Nº31, página 3, “o Reinado é um conjunto de situações cerimoniais de homenagens eventuais de ternos isolados, mais pelo controle que exerce do que pela posição cerimonial que possui.

                 O rei ocupa uma posição de valor simbólico nos rituais do Reinado. Seu cargo é, ao mesmo tempo, perpétuo e sem controle pessoal. Mesmo em termos mais restritos, sua atuação se restringe aos dias de Festa, de que é um entre outros figurantes. O presidente possui um cargo de valor efetivo, burocrático. Na irmandade o seu posto é elevado e sua autuação atravessa todo o ano. Como o Reinado é da irmandade, o que se resolve nela é excluído das áreas de relações internas dele. Finalmente, o presidente produz e rende as homenagens ao rei, mas o rei obedece em tudo ao presidente.

                Entre os “irmãos” de Nossa Senhora do Rosário há, como vimos, pelo menos quatro esferas organizadas de relações: o Terno, a Congada, o Reinado e a Irmandade. Mas o sistema da ordem da participação do negro na Festa de Nossa Senhora se combina de tal sorte que, ao participar da esfera mais simples, a do terno, o figurante ritual é incluído estruturalmente em todas as outras.”

                Na Festa de N. S. do Rosário em Ouvidor, a participação dos ternos de congos é indispensável. Dois ternos são desta cidade, outros ternos como o Moçambique, Catupé, Penacho, Vilão, Marujeiro, Etc., vem de Três Ranchos e Catalão. A participação é aberta, e participam quantos ternos quiserem. Quanto ao terno de Congo e Catupé de Ouvidor, apresentam  nas Festas de N. S. do Rosário, desta cidade, em maio. E também nas Festas das cidades vizinhas.

                Os instrumentos usados pelos ternos são: patagonga, violão, sanfona, pandeiro, caixa, cavaquinho, bastão, etc. O estilo de dança tem o ritmo africano. A dança dos Congos é uma dança saltitante, marcada pela ginga e pelo cruzamento de pernas e pés.

                A participação dos congos é muito interessante e intensa. Eles participam da alvorada, das procissões, do levantamento do mastro, nos três últimos dias da festa dançam pelas ruas da cidade, e encerram a festa com a entrega da coroa.

 

              AS PESSOAS QUE FAZEM PARTE DA HIERARQUIA DOS TERNOS SÃO:

REI  –  RAINHA  –  PRÍNCIPES  –  PRINCESAS  –  GENERAL  –

 

                 A Rainha que faz parte da hierarquia, só pode ser substituída quando morrer, e sua substituta é uma pessoa da própria família.

                As COROINHAS (Bandeirinhas) tem o significado da Virgem do Rosário. As meninas – Coroinhas (virgens), vão levando as Bandeirinhas com Nossa Senhora – sempre à frente (puxando a Congada).

Ouvidor consta de apenas dois ternos de Congos: 

Catupé Cacunda – (São Benedito) e os Congos – (Santa Efigênia).

 

 

 

O CATUPÉ CACUNDA – São Benedito, foi fundado em Ouvidor em 1980, pelo João Batista Ribeiro, e  continuado por seu irmão Antônio Donizete Ribeiro (Capitão do terno).

 

           As vestes do Catupé de Ouvidor são:

                             Calça – preta

                             Camisa – amarela

                             Fitas coloridas na cintura

                             Sapato -  preto

 

 

 

               OBS:  A cor amarela simboliza o ouro.

                         A cor preta simboliza a escravidão.

                        A faixa vermelha simboliza as demandas.

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

2- Músicas do terno de Catupé Cacunda

 

 

Mas ê Mamãe

Mamãe do céu

Azul é seu manto

Branco é teu véu

Mas é azul

É da cor do céu.

 

        .............

 

Eu cheguei na sua casa

Olhei para os quatro cantos

Avistei Nossa Senhora

E o Divino Espírito Santo.

          .............

 

Ê meu Festeiro

Você está de parabéns

Viva o meu Festeiro novo

Viva o velho também.

        .............

 

Ô! meu São Benedito!

Hoje eu vi a sereia do mar

Ô! meu São Benedito!

Eu joguei o meu barco na água

Meus irmãos me ajuda a remar.

 

        .............

 

É hora meu bem é hora

É hora de ir embora

Gostei muito de vocês

Mas tenho que ir embora.

 

        ............

 

 

       OS  CONGOS – SANTA EFIGÊNIA, fundado em Ouvidor em 1981, pelo João Jerônimo, popular “João do Nego” e a Maria de Fátima Amorim Miranda, continuado pelo Ozark Rosa de Almeida e Antônio Áureo da Silva (Capitão do Terno). 

 

               Esse terno usa como vestuário:

                           Calça – branca

                           Camisa – verde

                           Sapatos – brancos

                          Casquete – brancos.

 

 

 

        OBS:   A cor verde simboliza as matas.

                   A cor branca simboliza a paz.

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

3- Músicas do terno de Congo de Ouvidor

 

                

Vestido de branco ela apareceu

Trazendo na cinta as cores do céu

Azul é seu manto

E branco é seu véu.

 

       .............

 

Ai! Mãezinha

Minha Rainha

É nossa Mãe querida

É razão da minha vida.

 

      ............

 

Ai! Companheiro eu vou agora

Vou tomar a benção

Da nossa Mãe

Nossa Senhora.

 

      ............

 

Meu passarinho

Canta e voa

Vamos companheiro

Entregar nossa Coroa.

 

      .............

 

Hoje eu amanheci

Rezei pra minha Mãezinha

Parabéns pra quem tem Mãe

Só eu que não tenho a minha.

 

      .............

 

 

 

 4- O Mito das Congadas

 

            O Jornal Cultural de Catalão, outubro/99, página 02, faz a seguinte citação:

           “Muitas coisa tem sido dita e escrita entre simpósios, congressos, artigos e livros, sobre rituais e festejos de negros no Brasil: os seus cantos e danças, suas crenças e formas de culto, os seus reis e rainhas, generais, capitães, embaixadores, secretários, guerreiros e soldados; uma gente de fé e fantasias, onde realidade e mitos se misturam.”

            “E, para que se entenda essa miscigenação de cor, raça, crença e fantasia, na festa em louvor a Nossa Senhora do Rosário, faz-se obrigatório entender a história e as lendas que envolvem a imagem da santa, como se observa em alguns depoimentos:

 

 

Versão 1: Um branco, professor, morador em Goiânia, nascido e criado                                       em Catalão.   

            “[...] Então os congos foram e tentaram trazer essa imagem. Essa santa que estava sobre o cupim, pra fazenda onde eles estavam localizados. Mas com eles fazem barulho, tambores, etc., então eles não conseguiram. A santa tentou seguir, mas era muito o barulho e ela voltou. Aí vieram os Moçambiques. Os Moçambiques então vieram. Mais solenes, de uma cultura completamente diferente entre os Congos e os Moçambiques em ternos de região. Eles então foram mais [...] conseguiram trazer a santa pela maneira com eles foram, o barulho, a manifestação que eles faziam. Então por isso, até hoje, o Moçambique é quem leva a coroa e fica comandando toda a festa. Traz o rei e a rainha com a coroa...

 

 

Versão 2: Capitão de Terno de Congo

           “Eles acharam a Nossa senhora no deserto, numa loca de pedra, ele acharam ela lá. Então o Congo chegou lá, dançando lá, ela riu, mas ficou quieta. Depois chegou o Moçambique. Chegou lá tudo malumbado, um lenço na cabeça, de pés descalços, e aí ela acompanhou. Eles pegaram, fizeram uma igreja, puseram ela lá na igreja. Ela voltou, ficou lá no lugar outra vez. Aí, eles pegaram e fizeram a igreja lá no lugar. Isso aí é da antiguidade.”

 

 

 

Versão 3: Capitão de Terno de Moçambique

             “Como é que isso foi criado eu não explico tudo. Não explico porque eu sou dos mais novos. Agora, esse problema eu explico um pouquinho, mas não explico tudo porque isso é muito velho, é do princípio do mundo. Isso é uma santa, uma santa que apareceu, a Nossa Senhora do Rosário, num rochedo de pedra. Antão descobriu essa santa no rochedo de pedra. Todo mundo queria ver. E ia, uns via, outros não via. Aí foi o padre, celebrou missa no lugar. Vamos trazer a santa! Vamos levar ela pra igreja. E ela acompanhava. E no outro dia a santa não estava lá. E, tem que buscar de novo. Daí apareceu um preto velho por nome Pai João. Esse pai João foi e disse: Ó, essa é nossa mãe, é nossa mãe. Ah, vamos visitar nossa mãe. Mas eles disse: Ó, mas que é isso, que já foi padre, já foi banda de música, já foi tudo, mas ela não fica (na igreja). Esse crioulo é que vai trazer essa santa? Ele nem vai ver ela!

              E o Pai João entrou na mata, tirou taquara, fez um xique xique, que é aquele que nós bate, e arrumou os companheiros e foi. E já foi malhando. Quando ele chegou perto da gente do padre, a santa já presente. Ele foi, chegou, ajoelhou, cantou ali na língua dele. Beijou. Cantou:

              Minha mãe, vamo em casa santa?

              Minha mãe, vamo em casa santa?

              Ela aí saiu. Ela virou e terno e seguiu. Colocou na igreja e tá lá até hoje, e ficou sendo o Pai João o maior. Ele conseguiu. Agora, onde eles fala que é festa de preto. Não, ela não é festa de preto. É festa de todo mundo, daqueles que tem fé.”

 

 

            Segundo pesquisa feita na internet “Portal Ouvidor”,

 “A caracterização de Congo Moçambique se deu a partir das guardas que se formaram na África, quando a imagem de N. S. do Rosário apareceu no mar. O grupo de Congo se dirigiu para a areia e, tocando com seus instrumentos conseguiu que a imagem se movesse uma vez, num movimento rápido, Nossa Senhora se encaminhou para frente e parou. Os negros moçambiqueiros, batendo seus tambores, recobertos com folhas de inhame, cantaram para a Santa e pediram-lhe que viesse protegê-lo”.

         

      Muitas outras pessoas conhecem versões de um mito origem do ritual. Cada um que conte sua versão.

             Ainda seguindo a folha Cultural, outubro/99, diz que:

             “A ideologia da congada oscila entre um mito envolvendo fatos supostamente passados entre negros escravos na África ou no Brasil, e as fórmulas de votos e promessas feitos entre o “brincador” devoto de Nossa Senhora do Rosário.

              Dificilmente uma dança ou um outro folguedo do folclore brasileiro possuirá um mito, que lhe procure justificar uma origem, tão consistentemente difundido como o da congada.

               De outra parte, entre os dançadores da congada há um verdadeiro sistema de razões religiosas de envolvimento pessoal com a dança. Elas atualizam os ternos e as relações do mito de origem e conservam em plena vigência, no modo como são a crença de todos, os motivos consagrados, pela fé e pela tradição local, da reprodução do ritual com envolvimento dos seus figurantes, quase sempre antigos “pagadores de promessa” a Nossa Senhora do Rosário.”

 

 

 

 

           

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 5- Por trás da história

 

            O Brasil sofre as conseqüências de uma história de escravidão, desde o descobrimento, pelo fato de ter subjugado uma raça que tanto ajudou e tem ajudado esse País.

             A escravidão é a pior maneira de se explorar alguém pelo trabalho. O povo negro deixou de ser escravo para ser operário – o que no Brasil quer dizer a mesma coisa. E junto com ele, estão muitos brancos e índios (favelados, desempregados, marginalizados e excluídos...).  

             Foram 372 anos de escravidão no Brasil, de humilhação e sofrimento. O negro foi despojado dos valores de sua raça. E para encontrar reconhecimento da dignidade de sua raça, ele lutou muito, reagia contra a escravidão, se unia. Na sua organização e devoção a Nossa Senhora,  encontrou forças e esperanças para aliviar a sua dor.

               A Congada servia para manter unido todos aqueles que vinham da África prestar o seu serviço de forma degradante, como escravo.

               Segundo algumas entrevistas a Festa de N. S. do Rosário, no Brasil, começou no dia 13 de maio de 1888, quando a Princesa Isabel assinou a Lei Áurea.

                A história nos conta que a Princesa Isabel, preocupada com a situação do povo negro, assinou a Lei Áurea dando liberdade para todos os escravos. Mas que liberdade é esta que deixou o povo sem terra para plantar, sem casa para morar, sem pão, sem dignidade... Significando assim o decreto da miséria do povo negro.

                 A Lei do Ventre Livre – 1871, colocou os filhos dos escravos na rua, fazendo surgir os primeiros menores abandonados do Brasil. Isto porque crescia o movimento contra a escravidão.

                  A Lei do Sexagenário – 1885, decretou o abandono dos velhos escravos, cansados doentes, que não produziam mais.

                  A Lei Áurea – 1888, não criou condições de vida. Na verdade esta Lei livrou os homens brancos da dívida social que eles tinham para com os negros.

                   Quantas injustiças, violências e marginalização em todo esse tempo de escravidão. Mas Nossa Senhora acompanha todo o povo que sabe proclamar sua força, sua resistência e sua dignidade. E abençoa as lutas e conquistas de quem sabe ouvir o grito e clamor do povo que clama por justiça e liberdade.

    

 

 

CONSIDERAÇÕES FINAIS

 

 

                A Festa de N. S. do Rosário, cultua as tradições de nossa história repleta de lendas e mitos religiosos que, até hoje continuam sendo preservados no interior brasileiro.

                Portanto, com este livro, podemos descobrir muitas belezas, escondidas nesta tradição cultural e religiosa. E sobretudo interessar mais sobre a festa e a devoção das pessoas.

                Jesus é o ponto central. A missão materna de Nossa Senhora é nos apontar Jesus e nos levar a Ele. Como Mãe do Salvador, ela nos mostra o seu Filho, Jesus. A meta de toda devoção a Nossa Senhora, não é ela, mas nossa maior união com Jesus. Ela tem o compromisso de amor para conosco, pois sabe que somos o preço da morte de Jesus Cristo.

                Cristo é o cumprimento do anseio de todas as religiões, constituindo por isso mesmo o seu único e definitivo ponto de chegada. E com Jesus, Maria, Mãe do Redentor, guia com segurança os passos dos cristãos ao encontro do Senhor.

                 A Festa de N. S. do Rosário, em Ouvidor, vem crescendo a cada ano e o povo vai entendendo a grandeza de Louvar Nossa Senhora, a importância de valorizar o nosso folclore e conservar nossas tradições. 

                 Na medida que a Festa vai crescendo, é preciso melhorar o acolhimento, a participação, fazer crescer o respeito, o interesse político, a estrutura, segurança, higiene... Para que isto aconteça a comunidade procura se mobilizar, se unir, participar, cooperar, valorizar, opinar, ajudar, comprometer-se.

              A Festa de N. S. do Rosário transcorre sob as bênçãos de Nossa Senhora, que ao longo de toda essa história, mantêm viva a fé das pessoas e a fraternidade do povo... Por isso esta festa tornou a Festa da família, a Festa dos irmãos.

 

 

 

 

 

 

 

 

ORAÇÃO

 

CONSAGRAÇÃO A  NOSSA SENHORA.

 

 

Ó! minha Senhora,

Ó minha Mãe

Eu me ofereço todo(a) a vós

E em prova de minha devoção

Para convosco

Eu Vos consagro neste dia,

Os meus olhos,

Os meus ouvidos,

A minha boca,

O meu coração

E inteiramente

Todo o meu ser.

E como assim sou Vossa

Ó incomparável Mãe,

Guardai-me,

Defendei-me,

Como filho(a)

Predileto(a) Vossa.

Amém!

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

CANTOS DE MARIA

 

 

VIRGEM, TE SAUDAMOS,

Vem nos amparar.

Nós te suplicamos, vem nos amparar.

 

Ó Maria, Mãe de Deus, vem salvar os filhos teus.

 

Em qualquer perigo, vem nos amparar.

Dá-nos teu abrigo, vem nos amparar.

 

Cheia de bondade, vem nos amparar.

Salva a humanidade, vem nos amparar

.

Quando o mal nos tenta, vem nos amparar.

Nosso amor alenta, vem nos amparar.

 

Em todos os dias, vem nos amparar.

Dá-nos alegria, vem nos amparar. 

 

 

 

LOUVANDO A MARIA

 

1-Louvando a Maria, o povo fiel a voz repetia de São Gabriel:

Ave, Ave, Ave, Maria!

 

2-O anjo, descendo num raio de luz, feliz Bernadete à fonte conduz.

 

3-A brisa que passa, aviso lhe deu que uma hora de graça soara no céu.

 

4-Vestida de branco, ela apareceu, trazendo na cinta as cores do céu.

 

5-Mostrando um rosário na cândida mão, ensina o caminho da santa oração.

 

6- Estrela brilhante, celeste visão, guiai-nos, um dia a eterna mansão.

   

 SENHORA DO ROSÁRIO

 

Senhora do Rosário

Protege os filhos teus

A nossa congada

Envolve o manto seu

 

REF:   Senhora do Rosário

           Mãe da Libertação

           Protege nossa vida

           E toda a nação

 

Senhora do Rosário

Ajuda os filhos seus

Em nossa caminhada

Vem nos proteger

 

REF:   Senhora do Rosário

           Mãe da Libertação

           Protege nossa vida

           E toda a nação

 

Senhora do Rosário

Queremos oferecer

A nossa oração

Para nos fortalecer

 

REF:   Senhora do Rosário

           Mãe da Libertação

           Protege nossa vida

           E toda a nação

 

A Senhora do Rosário

Consagramos o nosso ser

Em nosso coração

Vem permanecer

 

Música doada ao terno de Congo de Ouvidor pela compositora                                                                                       Ângela Maria de Jesus Oliveira.

 

    ROGAI POR NÓS

 

Rogai por nós,  Oh! Santa Mãe.

Maria do povo, Mãe da libertação.

Ave Maria,  cheia de Graça.

Maria, Mãe de todas as raças.

 

Do seu ventre, veio a Salvação,

Maria do povo, Mãe da libertação.

Rogai por nós. Oh! Santa Mãe.

Mãe de Jesus, também nossa Mãe.

 

Rogai por nós,  Oh! Santa Mãe.

Maria do povo, Mãe da libertação.

Ave Maria,  cheia de Graça.

Maria, Mãe de todas as raças.

 

Santa Maria, que cuida de mim,

Cuidou de Jesus bem pequenino.

Volve a nós teu olhar,

Ensina-nos a caminhar.

 

Protege o teu povo e toda nação

A te ofereço o meu coração.

Rogai por nós. Oh!, Santa Mãe.

Mãe de Jesus e nossa Mãe.

 

Rogai por nós, Oh! Santa Mãe.

Maria do povo, Mãe da libertação.

Ave Maria,  cheia de Graça.

Maria, Mãe de todas as raças.

 

 

Música doada ao terno Catupé de Ouvidor pela compositora                                                                                       Ângela Maria de Jesus Oliveira.

 

 

 

 

 

 

          POESIA  NEGRA

 

 

Luto por alforria.

Tento abolir preconceitos.

Acabar com a discriminação.

Fugir do trabalho escravo,

Da tortura e dos grilhões.

Trago no sangue uma África.

Na alma as cicatrizes abertas

De tantos açoites.

O balanço agônico da travessia do Atlântico.

O medo da morte engolindo gente nos porões.

Trago o choro inconsolável das senzalas.

A solidão da raça.

No reboar de tambores e ao som do batuque,

Esqueço a minha dor.

Danço, danço e danço...

Exorcizando minha tristeza.

Soltando em cada movimento,

A liberdade do espírito acorrentado.

Não há ferrolho que tranque

A minha consciência.

Meu céu é povoado de crenças

E também de esperanças.

 

 

 

 

Ângela Maria de Jesus Oliveira

 

 

 

Hosted by www.Geocities.ws

1