Poemas & Poemas
Uma Concha
Achei-te na praia, jogada,
Resto imprest�vel de vida.
Que fim levou o gelatinoso molusco
Que habitava o c�ncavo do teu espa�o?
Ao sabor das ressacas marinhas,
Foste atirada com f�ria aos rochedos,
Rolaste na areia escaldante
E vagaste por praias ignotas.
Num espa�o de adapta��o aos movimentos,
Adquiriste esta forma arredondada,
Como um seio,
Que hoje te embeleza.
Tamb�m ter�s tido bons momentos:
O sereno refrescante a escorrer em tuas dobras,
Mitigando o calor das noites quentes;
A vis�o do firmamento estrelado,
Que te dava li��es de persist�ncia;
O len�ol arenoso das praias
Cobrindo-te maternalmente nas noites frias...
Tu, reposit�ria de intrigantes segredos,
Por que n�o divides comigo a tua hist�ria?
�S vezes, junto-te ao ouvido,
Esperan�oso de poder interpretar teus c�digos
E conhecer, finalmente, o teu passado.
Mas o som que se origina de tua cavidade
� uma �ria lamuriosa e tristonha,
Como se quisesses reproduzir no eco da tua cantiga
O barulho do mar distante.
Tamb�m eu, velha concha, trago na face
As marcas indel�veis do tempo.
E tento esquecer as mazelas da vida
Para que a desesperan�a n�o me fa�a oco por dentro,
Como aconteceu contigo,
Que �s apenas uma casca.
Solange Rech
(Poeta-Rei)

Mande
esta mensagem por E-mail.
