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PARA MATAR A NOITE:

 

 

Alguma coisa molha
O meu olhar distante.
- Será a chuva de agora?
- Será o vento de ontem?

 

Se um prenúncio me aflora,
Bate, pisa, interrompe,
- Pergunto: És tu, Aurora?
- Mas sinto que é a Noite.

 

Meus olhos impedidos
Já não vêem o horizonte.
(Inda estás longe, Aurora?
Como estás perto, ó noite!)

 

É certo, se não vejo
Nem mais um passo adiante,
Que alguma coisa molha
O meu olhar distante.

 

Será a chuva de agora?
Será o vento de ontem?

 

                                   Solange Rech

                                                (Poeta-Rei)

 

 

 

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