POEMAS & POEMAS
![]()
PAZ DOS P�NTANOS
Era uma menina de dez anos, se tanto...
O corpo pressionado contra a grade da lixeira.
O bra�o mirrado se espicha e, �s cegas,
Vai tentando encontrar,pelo tato,
Algo que possa diminuir sua fome de dois dias.
Nunca lhe ocorreu, com certeza,
Que as pessoas possam comer por prazer.
Por isso, n�o tem tempo nem humor para cerim�nias.
Apanha algo malcheiroso, leva � boca e cospe fora.
O c�o vagabundo corre para a massa rejeitada
Mas recua, frustrado.
Ambos moram nas ruas e disputam os mesmos espa�os
Para dormir e comer.
Ela sai com a cabe�a baixa,
Ainda mais faminta pelo esfor�o despendido.
Os olhos,que podiam ser mortos e esmaecidos,
Coruscam de �dio e cintilam raios de rancor.
Desta vez, nada foi aproveit�vel.
Era uma menina de dez anos, se tanto...
Enquanto isso, l� em Bras�lia
(Distante demais para chegar o meu protesto),
O ministro submete ao Senhor Presidente
As �ltimas decis�es sobre cortes na �rea social,
Para satisfazer a insaci�vel gan�ncia dos banqueiros.
E n�o h� ningu�m que lhes diga
Que essa menina � a grande credora social.
O sol se p�e - lindo e solid�rio -
No outono do Planalto Central.
E a noite em breve cobrir� tudo,
Convidando as autoridades para o jantar de mesa farta
E para que partilhem, inocentes,
O sono dos justos.
Aflito, me vejo um poeta pequeno demais
Para que meu protesto chegue aos pais da P�tria,
T�o ocupados com os interesses das elites.
Era apenas uma menina de dez anos, se tanto...
Ningu�m que pudesse causar ins�nia aos poderosos.
Solange Rech
(Poeta-Rei)
![]()
Mande
esta mensagem por E-mail.
![]()
