nasceu
em Boston,
em 19 de janeiro
de 1809. Sua
família
paterna era
de origem
irlandesa,
enraizada
em Baltimore,
onde conquistara
postos entra
as melhores
famílias
da região.
Seu avô,
David Poe,
tinha feito
a Guerra da
Independência.
Fora "Quartel-master-general"
de Lafaiete,
que lhe atribuiu
mandatos importantes,
dispensando-lhe
estima e admiração.
O filho mais
velho também
se chamou
David e se
fez herdeiro
dos espírito
de aventura,
que conduzia
seu pai às
trincheiras,
sob o comando
do general
francês.
Apaixonando-se
pela atriz
inglesa Elizabeth
Arnold, mulher
de estonteante
formosura,
David rompera
todos os laços
de família,
casando-se
e fazendo-se
ator também
para percorrer
todas as cidades
norte-americanas
com sua "troupe".
O
CORVO
Certa
vez, quando,
à meia-
noite eu lia,
débil,
extenuado,
um livro antigo
e singular,
sobre doutrinas
do passado,
meio dormindo
- cabeceando
- ouvi uns
sons trêmulos,
tais
como se leve,
bem de leve,
alguém
batesse à
minha porta.
É um
visitante",
murmurei,
"que
bate leve
à minha
porta.
Apenas isso,
e nada mais."
Bem
me recordo!
Era em dezembro.
Um frio atroz,
ventos cortantes...
Morria a chama
no fogão,
pondo no chão
sombras errantes.
Eu nos meus
livros procurava
- ansiando
as horas matinais
-
um meio (em
vão)
de amortecer
fundas saudades
de Lenora,
- bela adorada,
a quem, no
céu,
os querubins
chamam Lenora,
e aqui, ninguém
chamará
mais.
E das cortinas
cor de sangue,
um arfar soturno,
e brando,
e vago
causou-me
horror nunca
sentido, -
horror fantastico
e pressago.
Então,
fiquei (para
acalmar o
coração
de sustos
tais)
a repetir:
"É
alguém
que bate,
alguém
que bate à
minha porta;
Algum noturno
visitante,
aqui batendo
à minha
porta;
é isso!
é isso
e nada mais!"
Fortalecido
já
por fim, brado,
já
perdendo a
hesitação:
"Senhor!
Senhora! quem
sejais! Se
demorei peço
perdão!
Eu dormitava,
fatigado,
e tão
baixinho me
chamais,
bateis tão
manso, mansamente,
assim de noite
à minha
porta;
que não
é fácil
escutar. Porém
só
vejo, abrindo
a porta,
a escuridão,
e nada mais.
Perquiro
a treva longamente,
estarrecido,
amedrontado,
sonhando sonhos
que, talvez,
nenhum mortal
haja sonhado.
Silêncio
fúnebre!
Ninguém.
De visitante
nem sinais.
Uma palavra
apenas corta
a noite plácida:
- "Lenora!".
Digo-a em
segredo, e
num murmúrio,
o eco repete-me
- "Lenora!"
Isto, somente
- e nada mais.
Para o meu
quarto eu
volto enfim,
sentindo n'alma
estranho ardor,
e novamente
ouço
bater, bater
com mais vigor.
"Vem
da janela",
presumi, "estes
rumores anormais.
Mas eu depressa
vou saber
donde procede
tal mistério.
Fica tranqüilo,
coração!
Perscruta,
calmo, este
mistério.
É o
vento, o vento
e nada mais!"
Eis,
de repente,
abro a janela,
e esvoaça
então,
vindo de fora,
um Corvo grande,
ave ancestral,
dos tempos
bíblicos,
- d'outrora!
Sem cortesias,
sem parar,
batendo as
asas noturnais,
ele, com ar
de grão-senhor,
foi, sobre
a porta do
meu quarto,
pousar num
busto de Minerva,
- e sobre
a porta do
meu quarto
quedou, sombrio,
e nada mais.
(trecho)
Foi
há
muitos e muitos
anos já,
Num reino
de ao pé
do mar.
Como sabeis
todos, vivia
lá
Aquela que
eu soube amar;
E vivia sem
outro pensamento
Que amar-me
e eu a adorar.
Eu
era criança
e ela era
criança,
Neste reino
ao pé
do mar;
Mas o nosso
amor era mais
que amor --
O meu e o
dela a amar;
Um amor que
os anjos do
céu
vieram
a ambos nós
invejar.
E
foi esta a
razão
por que, há
muitos anos,
Neste reino
ao pé
do mar,
Um vento saiu
duma nuvem,
gelando
A linda que
eu soube amar;
E o seu parente
fidalgo veio
De longe a
me a tirar,
Para a fechar
num sepulcro
Neste reino
ao pé
do mar.
E
os anjos,
menos felizes
no céu,
Ainda a nos
invejar...
Sim, foi essa
a razão
(como sabem
todos,
Neste reino
ao pé
do mar)
Que o vento
saiu da nuvem
de noite
Gelando e
matando a
que eu soube
amar.
Mas
o nosso amor
era mais que
o amor
De muitos
mais velhos
a amar,
De muitos
de mais meditar,
E nem os anjos
do céu
lá
em cima,
Nem demônios
debaixo do
mar
Poderão
separar a
minha alma
da alma
Da linda que
eu soube amar.
Porque
os luares
tristonhos
só
me trazem
sonhos
Da linda que
eu soube amar;
E as estrelas
nos ares só
me lembram
olhares
Da linda que
eu soube amar;
E assim estou
deitado toda
a noite ao
lado
Do meu anjo,
meu anjo,
meu sonho
e meu fado,
No sepulcro
ao pé
do mar,
Ao pé
do murmúrio
do mar.
O
GATO PRETO
Não
espero nem
peço
que se dê
crédito
à história
sumamente
extraordinária
e, no entanto,
bastante doméstica
que vou narrar.
Louco seria
eu se esperasse
tal coisa,
tratando-se
de um caso
que os meus
próprios
sentidos se
negam a aceitar.
Não
obstante,
não
estou louco
e, com toda
a certeza,
não
sonho. Mas
amanhã
posso morrer
e, por isso,
gostaria,
hoje, de aliviar
o meu espírito.
Meu propósito
imediato é
apresentar
ao mundo,
clara e sucintamente,
mas sem comentários,
uma série
de simples
acontecimentos
domésticos.
Devido a suas
conseqüências,
tais acontecimentos
me aterrorizaram,
torturaram
e instruíram.
No entanto,
não
tentarei esclarecê-los.
Em mim, quase
não
produziram
outra coisa
senão
horror _ mas,
em muitas
pessoas, talvez
lhes pareçam
menos terríveis
que grotesco.
Talvez, mais
tarde, haja
alguma inteligência
que reduza
o meu fantasma
a algo comum
_ uma inteligência
mais serena,
mais lógica
e muito menos
excitável
do que, a
minha, que
perceba, nas
circunstâncias
a que me refiro
com terror,
nada mais
do que uma
sucessão
comum de causas
e efeitos
muito naturais.
Desde
a infância,
tomaram-se
patentes a
docilidade
e o sentido
humano de
meu caráter.
A ternura
de meu coração
era tão
evidente,
que me tomava
alvo dos gracejos
de meus companheiros.
Gostava, especialmente,
de animais,
e meus pais
me permitiam
possuir grande
variedade
deles. Passava
com eles quase
todo o meu
tempo, e jamais
me sentia
tão
feliz como
quando lhes
dava de comer
ou os acariciava.
Com os anos,
aumentou esta
peculiaridade
de meu caráter
e, quando
me tomei adulto,
fiz dela uma
das minhas
principais
fontes de
prazer. Aos
que já
sentiram afeto
por um cão
fiel e sagaz,
não
preciso dar-me
ao trabalho
de explicar
a natureza
ou a intensidade
da satisfação
que se pode
ter com isso.
Há
algo, no amor
desinteressado,
e capaz de
sacrifícios,
de um animal,
que toca diretamente
o coração
daqueles que
tiveram ocasiões
freqüentes
de comprovar
a amizade
mesquinha
e a frágil
fidelidade
de um simples
homem.
Casei
cedo, e tive
a sorte de
encontrar
em minha mulher
disposição
semelhante
à minha.
Notando o
meu amor pelos
animais domésticos,
não
perdia a oportunidade
de arranjar
as espécies
mais agradáveis
de bichos.
Tínhamos
pássaros,
peixes dourados,
um cão,
coelhos, um
macaquinho
e um gato.
Este
último
era um animal
extraordinariamente
grande e belo,
todo negro
e de espantosa
sagacidade.
Ao referir-se
à sua
inteligência,
minha mulher,
que, no íntimo
de seu coração,
era um tanto
supersticiosa,
fazia freqüentes
alusões
à antiga
crença
popular de
que todos
os gatos pretos
são
feiticeiras
disfarçadas.
Não
que ela se
referisse
seriamente
a isso: menciono
o fato apenas
porque aconteceu
lembrar-me
disso neste
momento.
O BARRIL
DE AMONTILLADO
Suportei o
melhor que
pude as injúrias
de Fortunato;
mas, quando
ousou insultar-me,
jurei vingança.
Vós,
que tão
bem conheceis
a natureza
de meu caráter,
não
havereis de
supor, no
entanto, que
eu tenha proferido
qualquer ameaça.
No fim, eu
seria vingado.
Este era um
ponto definitivamente
assentado,
mas a própria
decisão
com que eu
assim decidira
excluía
qualquer idéia
de perigo.
Assim devia
apenas castigar,
mas castigar
impunemente.
Uma injúria
permanece
irreparada,
quando o castigo
alcança
aquele que
se vinga.
Permanece,
igualmente,
sem reparado,
quando o vingador
deixa de fazer
com que aquele
que o ofendeu
compreenda
que e ele
quem se vinga.
É preciso
que se saiba
que, nem por
meio de palavras,
nem de qualquer
ato, dei a
Fortunato
motivo para
que duvidasse
de minha boa
vontade. Continuei,
como de costume,
a sorrir em
sua presença,
e ele não
percebia que
o meu sorriso,
agora, tinha
como origem
a idéia
da sua imolação.
Esse tal Fortunato
tinha um ponto
fraco, embora,
sob outros
aspectos,
fosse um homem
digno de ser
respeitado
e, até
mesmo, temido.
Vangloriava-se
sempre de
ser entendido
em vinhos.
Poucos italianos
possuem verdadeiro
talento para
isso. Na maioria
das vezes,
seu entusiasmo
se adapta
aquilo que
a ocasião
e a oportunidade
exigem, tendo
em vista enganar
os milionários
ingleses e
austríacos.
Em pintura
e pedras preciosas,
Fortunado,
como todos
os seus compatriotas,
era um intrujão;
mas, com respeito
a vinhos antigos,
era sincero.
Sob este aspecto,
não
havia grande
diferença
entre nós
- pois que
eu também
era hábil
conhecedor
de vinhos
italianos,
comprando-os
sempre em
grande quantidade,
sempre que
podia. Uma
tarde, quase
ao anoitecer,
em plena loucura
do carnaval,
encontrei
o meu amigo.
Acolheu-me
com excessiva
cordialidade,
pois que havia
bebido muito.
Usava um traje
de truão,
muito justo
e listrado,
tendo à
cabeça
um chapéu
cônico,
guarnecido
de guizos.
Fiquei tão
contente de
encontra-lo,
que julguei
que jamais
estreitaria
a sua mão
como naquele
momento.
-
Meu caro Fortunato
- disse-lhe
eu -, foi
uma sorte
encontrá-lo.
Mas, que bom
aspecto tem
você
hoje! Recebi
um barril
como sendo
de Amontillado,
mas tenho
minhas duvidas.
- Como? -
disse ele.
- Amontillado?
Um barril?
Impossível!
E em pleno
carnaval!
- Tenho minhas
duvidas -
repeti - e
seria tolo
que o pagasse
como sendo
de Amontillado
antes de consultá-lo
sobre o assunto.
Não
conseguia
encontrá-lo
em parte alguma,
e receava
perder um
bom negócio.
- Amontillado!
- Tenho minhas
dúvidas.
- Amontillado!
- E preciso
efetuar o
pagamento.
- Amontillado!
- Mas, como
você
esta ocupado,
irei a procura
de Luchesi.
Se existe
alguém
que conheça
o assunto,
esse alguém
e ele. Ele
me dirá
. . .
- Luchesi
e incapaz
de distinguir
entre um Amontillado
e um Xerez.
- Não
obstante,
ha alguns
imbecis que
acham que
o paladar
de Luchesi
pode competir
com o seu.
- Vamos, vamos
embora. -
Para onde?
- Para as
suas adegas.
- Não,
meu amigo.
Não
quero abusar
de sua bondade.
Penso que
você
deve ter algum
compromisso.
Luchesi. .
.
- Não
tenho compromisso
algum. Vamos.
- Não,
meu amigo.
Embora você
não
tenha compromisso
algum, vejo
que esta com
muito frio.
E as adegas
são
insuportavelmente
úmidas.
Estão
recobertas
de salitre.
Apesar de
tudo, vamos.
Não
importa o
frio. Amontillado!
Você
foi enganado.
Quanto a Luchesi,
não
sabe distinguir
entre Xerez
e Amontillado.
Mauricio
Manieri (
Te Quero Tanto
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