Castro Alves

Aos quatorze dias do mês de março, no ano de 1847, nasceu Antônio de Castro Alves,
na fazenda Cabaceiras, a sete léguas da vila de Curralinho, hoje cidade de Castro Alves.
Era filho do Dr. Antônio José Alves e D. Clélia Brasília da Silva Castro.
Passou a infância no sertão natal, e em 54 iniciou os estudos na capital baiana. Aos dezesseis anos foi mandado para o Recife. Ia completar os preparatórios para se
habilitar à matrícula na Academia de Direito. A liberdade aos 16 anos é coisa perigosa.
O poeta achou a cidade insípida. Como ocupava os seus dias? Disse-o em carta a um
amigo da Bahia

O Laço de Fita

Não sabes, criança? 'Stou louco de amores...
Prendi meus afetos , formosa Pepita.
Mas onde? No templo, no espaço, nas névoas?!
Não rias, prendi-me
Num laço de fita. Na selva sombria de tuas madeixas,
Nos negros cabelos da moça bonita,
Fingindo a serpente qu'enlaça a folhagem,
Formoso enroscava-se
O laço de fita. Meu ser, que voava nas luzes da festa,
Qual pássaro bravo, que os ares agita,
Eu vi de repente cativo, submisso
Rolar prisioneiro
Num laço de fita. E agora enleada na tênue cadeia
Debalde minh'alma se embate, se irrita...
O braço, que rompe cadeias de ferro,
Não quebra teus elos,
Ó laço de fita! Meu Deus! As falenas têm asas de opala,
Os astros se libram na plaga infinita.
Os anjos repousam nas penas brilhantes...
Mas tu... tens por asas
Um laço de fita. Há pouco voavas na célere valsa,
Na valsa que anseia, que estua e palpita.
Por que é que tremeste? Não eram meus lábios...
Beijava-te apenas...
Teu laço de fita. Mas ai! findo o baile, despindo os adornos
N'alcova onde a vela ciosa... crepita,
Talvez da cadeia liberte as tranças
Mas eu ... fico preso
No laço de fita. Pois bem! Quando um dia na sombra do vale
Abrirem-me a cova ... formosa pepita!
Ao menos arranca meus louros da fronte,
E dá-me por c'roa...
Teu laço de fita.

Castro Alves


O de ao Dous de Julho


Era no Dous de Julho. A pugna imensa
Travara-se nos cerros da Bahia...
O anjo da morte pálido cosia
Uma vasta mortalha em Pirajá.
'Neste lençol tão largo, tão extenso,
'Como um pedaço roto do infinito...
O mundo perguntava erguendo um grito:
'Qual dos gigantes morto rolará?!...' Debruçados do céu...
a noite em os astros

Seguiam da peleja o incerto fado...
Era a tocha - o fuzil avermelhado!
Era o circo de Roma - o vasto chão!
Por palmas - o troar da artilharia!
Por feras - os canhões negros rugiam!
Por atletas - dous povos se batiam!

Enorme anfiteatro - era a amplidão! Não!
Não eram dous povos, que abalavam
Naquele instante o solo ensangüentado...
Era o porvir - em frente do passado,
A liberdade - em frente à escravidão,
Era a luta das águias - e do abutre,
A revolta do pulso - contra os ferros,
O pugilato da razão - contra os erros,
O duelo da treva - e do clarão!...

No entanto a luta recrescia indômita...
As bandeiras - como águias eriçadas -
Se abismavam com as as asas desdobradas
Na selva escura da fumaça atroz...
Tonto de espanto, cego de metralha,
O arcanjo do triunfo vacilava...
E a glória desgrenhada acalentava
O cadáver sangrento dos heróis!...


Mas quando a branca estrela matutina
Surgiu do espaço... e as brisas forasteiras
No verde leque das gentis palmeiras
Foram cantar os hinos do arrebol,
Lá do campo deserto da batalha
Uma voz se elevou clara e divina:
Eras tu - Liberdade peregrina!
Esposa do porvir - noiva do sol!...

Eras tu que, com os dedos ensopados
No sangue dos avós mortos na guerra,
Livre sangravas a colúmbia terra,
Sangravas livre a nova geração!
Tu que erguias, subida na pirâmide,
Formada pelos mortos de cabrito,
Um pedaço de gládio - no infinito...

Um trapo de bandeira - n'amplidão!...


O "ADEUS" DE TERESA

A vez primeira que eu fitei Teresa,
Como as plantas que arrasta a correnteza,
A valsa nos levou nos giros seus...
E amamos juntos... E depois na sala
"Adeus" eu disse-lhe a tremer co'a fala...

E ela, corando, murmurou-me: "adeus".

Uma noite... entreabriu-se um reposteiro...
E da alcova saía um cavaleiro
Inda beijando uma mulher sem véus...
Era eu... Era a pálida Teresa!
"Adeus" lhe disse conservando-a presa...

E ela entre beijos murmurou-me: "adeus!"

Passaram tempos... sec'los de delírio
Prazeres divinais... gozos do Empíreo...
... Mas um dia volvi aos lares meus.
Partindo eu disse - "Voltarei ! ... descansa ! ..."
Ela, chorando mais que uma criança,

Ela em soluços murmurou-me: "adeus! "

Quando voltei ... era o palácio em festa! ...
E a voz d'Ela e de um homem lá na orquestra
Preenchiam de amor o azul dos céus.
Entrei! ... Ela me olhou branca... surpresa!
Foi a última vez que eu vi Teresa! ...

E ela arquejando murmurou-me: "adeus! "

Castro Alves

James Morrison 'You Give Me Something'



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