FERNANDO PESSOA

 

"O poeta é um fingidor. Finge tão completamente que chega a fingir que é dor.....a dor que deveras sente. E os que lêem o que escreve, na dor lida sentem bem, não as duas que ele teve, mas só a que eles não têm. E assim nas calhas de roda....Gira, a entreter a razão, esse comboio de corda que se chama coração." (Fernando Pessoa)

 

"Qualquer música, ah, qualquer, logo que me tire da alma esta incerteza que quer qualquer impossivel calma! Qualquer música-guitarra, viola, harmonio, realejo...Um canto que se desgarra...Um sonho em que nada vejo...".(Fernando Pessoa)

 

"Ó mar salgado, quanto do teu sal são lágrimas de Portugal! Por te cruzarmos, quantas mães choraram, quantos filhos em vão rezaram! Quantas noivas ficaram por casar para que fosses nosso, ó mar! ...Valeu a pena? Tudo vale a pena se a alma não é pequena. Quem quere além do Bojador tem que passar além da dor. Deus ao mar perigo e abysmo deu, mas nelle é que espelhou o céu."(Fernando Pessoa)

 

"Todas minhas horas são feitas de jaspe negro, minhas ânsias todas talhadas num mármore que não há, não é alegria nem cor esta dor com que me alegro, e a minha bondade inversa não é nem boa nem má..." (Fernando Pessoa)

 

"Tenho dó das estrelas luzindo há tanto tempo, há tanto tempo... tenho dó delas. Não haverá um cansaço das coisas, de todas as coisas, como das pernas ou de um braço? Um cansaço de existir, de ser, só de ser, o ser triste brilhar ou sorrir... Não haverá, enfim, para as coisas que são, não a morte, mas sim uma outra espécie de fim, ou uma grande razão – qualquer coisa assim como um perdão (Fernando Pessoa)

 

"Entre o sono e o sonho, entre mim e o que em mim é o quem eu me suponho, corre um rio sem fim. Passou por outras margens, diversas mais além, naquelas várias viagens que todo o rio tem. Chegou onde hoje habito a casa que hoje sou. Passa, se eu me medito; se desperto, passou. E quem me sinto e morre no que me liga a mim dorme onde o rio corre – esse rio sem fim."(Fernando Pessoa)

 

"Para que não Ter por ti desprezo? Por que não perdê-lo?... Ah, deixa que eu te ignore...O teu silêncio é um leque – Um leque fechado, um leque que aberto seria tão belo, tão belo, mas mais belo é não o abrir, para que a Hora não peque..."(Fernando Pessoa)

 

"Acordei para a mesma vida para que tinha adormecido. Até os meus exércitos sonhados sofreram derrota. Até os meus sonhos se sentiram falsos ao serem sonhados. Até a vida só desejada me farta – até essa vida...(Fernando Pessoa)

 

 

"Quero voar e cair de muito alto! Ser arremessado como uma granada! Ir para a ... Ser levado até... Abstrato auge no fim de mim e de tudo! (F.Pessoa)

 

 

"Ninguém , na vasta selva virgem do mundo inumerável, finalmente vê o Deus que conhece. Só o que a brisa traz se ouve na brisa o que pensamos,seja amor ou deuses, passa, porque passamos."(F.Pessoa)

 

 

"Grande é a poesia, a bondade e as danças... Mas o melhor do mundo são as crianças, flores, música, o luar e o sol que peca só quando, em vez de criar, seca." (Fernando Pessoa)

 

 

"Quero voar e cair de muito alto! Ser arremessado como uma granada! Ir para a ... Ser levado até... Abstrato auge no fim de mim e de tudo! (F.Pessoa)

 

PRECE – " Senhor, a noite veio e a alma é vil. Tanta foi a tormenta e a vontade! Restam-nos hoje, no silêncio hostil, o mar universal e a saudade. Mas a chamma, que a vida em nós creou, se ainda há vida ainda não é finda. O frio morto em cinzas a ocultou: A mão do vento pode ergue-le ainda. Dá o sopro, a aragem, - ou a desgraça ou ancia, - com que a chamma do esforço se remoça, e outra vez conquistemos a distancia – do mar ou outra, mas que seja nossa!" (Fernando Pessoa)

 

Passei toda a noite, sem dormir, vendo, sem espaço, a figura dela. E vendo-a sempre de maneiras diferentes do que a encontro a ela. Faço pensamentos com a recordação do que ela é quando me fala, e em cada pensamento ela varia de acordo com a sua semelhança. Amar é pensar. E eu quase que em esqueço de sentir só de pensar nela. Não sei bem o que quero, mesmo dela, e eu não penso senão nela. Quando desejo encontra-la, quase que prefiro não a encontrar. para não ter que a deixar depois. Não sei bem o que quero, nem quero saber oque quero. Quero só pensar nela. Não peço nada a ninguém, nem a ela, senão pensar. (Fernando Pessoa)

 

 "Meu coração é um almirante louco que abandonou a profissão do mar e que a vai relembrando pouco a pouco em casa a passear, a passear...No movimento (eu mesmo me desloco nesta cadeira, só de o imaginar) o mar abandonado fica em foco nos músculos cansados de parar. Há saudades nas pernas e nos braços. Há saudades no cérebro por fora. Há grandes raivas feitas de cansaços. Mas – esta é boa! Era do coração que eu falava... e onde diabo estou eu agora com almirante em vez de sensação?...(F.Pessoa)

 

"Meu coração é um pórtico partido dando excessivamente sobre o mar. Vejo em minha alma as velas vãs passar e cada vela passa num sentido. Um soslaio de sombras e ruído na transparente solidão do ar evoca estrelas sobre a noite estar em afastados eus o pórtico ido... E em palmares de Antilhas entrevistas através de, com mãos eis apartados os sonhos, cortinados de ametistas, imperfeito o sabor de compensando o grande espaço entre os troféus alçados ao centro do triunfo em ruído e bando...(F.Pessoa).

 

"Não sou eu quem descrevo. Eu sou a tela e oculta mão colora alguém em mim. Pus a alma no nexo de perdê-la e o meu princípio floresceu em Fim. Que importa o tédio que dentro de mim gela, e o leve Outono, e as galas, e o marfim, e a congruência da alma que se vela com os sonhados pálios de cetim? Disperso... E a hora como um leque fecha-se... Minha alma é um arco tendo ao fundo o mar... O tédio? A mágoa? A vida? O sonho? Deixa-se... E, abrindo as asas sobre Renovar, a erma sombra do vôo começado pestaneja no campo abandonado..." (F.Pessoa)

 

"Não sou eu quem descrevo. Eu sou a tela e oculta mão colora alguém em mim. Pus a alma no nexo de perdê-la e o meu princípio floresceu em Fim. Que importa o tédio que dentro de mim gela, e o leve Outono, e as galas, e o marfim, e a congruência da alma que se vela com os sonhados pálios de cetim? Disperso... E a hora como um leque fecha-se... Minha alma é um arco tendo ao fundo o mar... O tédio? A mágoa? A vida? O sonho? Deixa-se... E, abrindo as asas sobre Renovar, a erma sombra do vôo começado pestaneja no campo abandonado..." (F.Pessoa)

 

ABAT-JOUR "A lâmpada acesa (outrem acendeu) baixa uma beleza sobre o chão que é meu. No quarto deserto salvo o meu sonhar, faz no chão incerto um círculo a ondear. E entre a sombra e a luz que oscila no chão meu sonho conduz minha inatenção. Bem sei... Era dia e longe de aqui... Quanto me sorria o que nunca vi! E no quarto silente com a luz a ondear deixei vagamente até de sonhar..."(F.Pessoa)

 

 

 

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