Um conto...

 

Paixão Terminal

(by Mel)

 

Ela chegou inesperadamente.

Seu olhar suave e seu sorriso doce eram tudo o que ele poderia querer naquele momento.

Ela usava uma blusa de seda branca, levemente transparente e sensual, com mais botões do que ele podia contar. Vestia uma saia curtíssima, justa e preta que insinuava seu corpo para ele.

Ela aproximou-se dele devagar e provocante e, num impulso, beijou-o na boca suavemente.

Ele mal conseguia conter-se de excitação.

Olhou rapidamente a sua volta verificando olhares curiosos... ninguém à vista... somente os dois.

Envolveu-a carinhosamente em seus braços e retribuiu com sofreguidão o beijo que ela lhe havia dado.

Suas bocas molhadas e seus corpos colados flutuavam num misto de prazer e torpor.

Ele pegou-a em seu colo, carregou-a até uma escrivaninha próxima e deitou-a delicadamente sobre ela.

Tentou desabotoar sua blusa mas atrapalhou-se com aquela quantidade enorme de botões e, num gesto de impaciência, arrancou-os todos de uma só vez.

Sentia seu sexo inchado dentro do jeans apertado e, enquanto beijava os seios dela e a acariciava com uma das mãos, procurava retirar com a outra aquela saia que tanto o estimulara há bem pouco e que havia agora se tranformado numa incômoda barreira para seus propósitos.

Primeira batalha vencida, teve que envolver-se em mais outra... a calcinha. Mas esta não foi problema e logo livrou-se dela, nem chegou a reparar de que cor era.

Ela tremia de paixão e prazer, seu corpo suado, seu sexo molhado.

Ele nem se preocupou em tirar a roupa, simplesmente abriu o ziper da calça e libertou o desejo que já não mais podia conter.

Penetrou-a de início lenta... mas desesperadamente.

Seus movimentos rítmicos causavam aos dois sensações indescritíveis.

Entregavam-se mutuamente com ardor tamanho que nenhum deles jamais ousara antes experimentar.

Ele sentia seu coração bater forte e descompassado.

Foi então que se deu conta que essa batida insistente não partia de seu coração e sim da porta ao lado que ele havia deixado trancada.

Ele parou imediatamente o que fazia, congelado pelo susto e pelo ar gélido da sala.

Buscou recompor-se por um momento.

Levantou lentamente, abriu a porta, voltou e sentou em sua cadeira.

Ficou ali paralizado sentindo um enorme vazio em seu peito, experimentando ainda o gosto do prazer feito mel em sua boca.

Olhou tristemente pra ela que permanecia exatamente como ele a havia deixado: lânguida, trêmula e inatingível.

E ela assim ficaria eternamente... perdida nos labirintos traiçoeiros da tela fria do seu computador.

Ele desligou o terminal, fechou os olhos e sonhou por alguns instantes...

 


... entre o prazer e a frustração.

 

 

Texto e Arte por Rejane (Mel) Britto©1998-2005 copyright

* este conto não pode ser copiado nem divulgado
sem a autorização expressa da autora *

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17/08/2000


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