
Lua
Porque és enquanto sou
prazer celeste
e em ti repousa o meu ímpeto por noites
Porque és Lua
de redondo brilhado
a absorver o entusiasmo das estrelas
cadências em festa
Porque tu és meu recado mais intimista
alvura da forma informal
guardiã dos meus segredos rabiscos
Porque tu minguas e
te manténs absoluta
nas curvas das nuvens
na velocidade das passagens
nos nevoeiros impertinentes
que jamais vencem teus espaços
Porque tu cresces no
crescente dos meus anseios
na superfície
dos meus olhos ondulados
nos oceanos de uma perda
Porque tu és porto de
princípios entornados
reinos das madrugadas
alaranjadas de condições
Porque és Lua
na loucura do meu estado paz
sombras, contornos
morte aos dragões
Porque a nada
nem a ninguém pertences
bóias de um só lado
dos invisíveis saltos
aos ocultos
Porque me chamas
nas suas imprevistas guinadas de luar
sensações brancas de calor
Porque tua noite
celebra o universo
alquimia de tantas renovações
Porque te amo
na distância necessária
tão longe e próxima de mim
percurso duvidoso
escaldantes esquinas de talvez
Porque tu não te importas
Com esses meus raciocínios
e me banhas de luz
sendo eu como sou
kk
