
Brilhante
Sabe?
Não sabe talvez, mas havia um
resquício de possibilidade
Havia um temperado gosto de sal,
incógnita da loucura sã
Percebi seu cheiro, seu contorno,
sua respiração
Havia uma gaivota que insistia em repetir vôo aqui na minha janela
Dizendo que o ar era livre para
mim, meditação além
Sabe?
Encontrei um brilhante no jardim
das sensações
Estava oculto, formal, mas
inconstestavelmente brilhante
Como uma partícula do todo
abafado pelos meus medos
Tropecei nesse absurdo
totalmente viável e fiquei assim: eu
Fiquei me olhando torto, tonta,
trêmula, toda
E a gaivota piscou os olhos
rapidamente, repetidamente
Como que mostranto meu tamanho
diminuto
Meu ridículo estado de torpor,
meu silêncio indecente
Acuada, fui dormir, tentando
fugir das confissões trágicas
Mas o sonho não perdoa, nunca
O sonho altera, sempre
Ele viveu por si um ritmo de
coragem que eu não percebia
E quando acordei, acordei
inteira afinal
Sabe?
Foi aí que meus dedos
caminharam em sua direção
Da minha boca o grito
desencabulou, escorreu
A adrenalina, sem nada entender,
foi participando, dançando numa velocidade bailarina
Por toda a distância do oceano
a gaivota vôou, alegre, solta, capaz, crédula demais
E entregou em suas mãos o meu
brilhante, sem timidez, sem limites
Ousadamente decidida a gaivota
entregou meu brilhante a você
E eu fiquei aqui, pouca, pintada
de susto, absolutamente só
só,
só
Absolutamente escuro, torpor de
um medo de corpo, de dor, de calor
Acuada pelo tempo de mim,
morrendo para o nascimento além do que sou
Além das pretensas pretenções,
muito além das máscaras que usei
A gaivota voltou, está aqui na
minha janela,
Olha ela alí!
Parece que ri mais ainda de mim,
parece que incorpora e substitui o tempo
Soma, multiplica, me renova, me
acredita, me avisa de que preciso percorrer mais longe
O brilhante está com você, (sabia?)
cuide dele pra mim, eu
eu?
Eu fico aqui, com a gaivota, com
o embrulhado de um susto colorido
E um laço de fita cetim,
brilhantemente amor
kk
