A mente mente  

Argumentos intelectuais,
que invadem campos de lírios,
são espectros de fantasmas
viciados, inconsequentes,
marionetes envelhecidos
a vomitar em fosco
palavras decoradas.

Argumentos controlados,
agarrados aos musgos
das pedras antigas,
interferem no natural
alimentando a preguiça
de amar
acordando o medo no desejo
andorinha
assassinando a criatividade
ao espontâneo.

Argumentar o percurso do Sol
desperta o repúdio
dos anjos vulneráveis,
bloqueia os embriões
das sementes originais,
interrompe o gozo
das intuições repentinas
amordaça a inspiração
da essência genuina.

Argumentar o raio da tempestade,
macula a sabedoria
do simples,
desafina o eco
dos opostos
distorce a sincronidade
dos polos,
embaça o translúcido
dos símbolos,
embebeda a percepção
ao toque.

Não quero traçar argumentos
diante da leveza do meu coração.
Não quero me corromper
em regras convencionadas
pela fome dos ladrões.
Não quero me enclausurar
nas prisões erguidas
pela insegurança dos ditadores.

A mente mente
ao conservar o ranço
da palavra armada.
A mente decepa
quando não distingue
o som emitido da raiz.
A mente domina
quando se põe rainha
nos porões dos limites

É no coração alado
que brilha a chave
dos vôos eloquentes.
É por baixo do arco-íris
que o ouro do pote
respira o fundamental.
É no recipiente escondido
que a miragem reflete
o oásis do deserto mais rico.

Abandono as cavernas
Solto as amarras
Venço os letreiros
Ensurdeço os discursos
Dinamito a pedreira
Esfacelo o giz.

está no silêncio da mente
a ação franca,
o ritmo ascendente,
o Om do meu mantra.

kk

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