Tony_P

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SÃO TEUS

 

Os poemas que a seguir se apresentam são o projecto do Tony_P para o seu livro de poesia, para o qual desejamos, naturalmente, o maior sucesso.

SÃO  NOSSOS

Obrigado pela "partilha"

Sindroma

 

Índice

 

A Tua Maré

Águas Paradas

Amor Inibido

Cátia

Colo-me a Ti

Contracapa

Covais

Desejo Secreto

Dois Sentidos

Duas Flores

Farol do Meu Regresso

Fuga

Morrer aos Poucos

O Meu Barco

O Momento

Palhaços

Para Sempre

Prisioneira

Rosalina

São Teus

Seguirei

Sete Marés

Silêncio

Tempo de Vida

Um Espaço

 

 

SÃO TEUS

 

 

Estes poemas eram meus

Enquanto não os escrevi

A vontade foi a minha pena

Que os expressou ao vento

Que os levou até ti.

Só assim me sinto mais poeta.

 

 

 

ROSALINA

 

Morreu

Cantei-lhe uma canção

A última que me cantou,

Porque cantando recordo-a com alegria.

A alegria com que me educou

Os primeiros passos

As primeiras palavras

Todos os meus actos

A minha luta

A minha vida

Foi nela que eu vi.

Disse-me um dia

Que se eu morresse

Morreria também.

Eu ainda vivo

E ela viverá no meu coração

Amá-la-ei até morrer

Minha Avó

Minha Madrinha...

...Minha Mãe.

 

 

 

O MOMENTO

 

Se me deres a tua mão

Ao fitar do meu olhar

Moldarás um coração

Me ajudarás a sonhar

Se me deres a tua mão

Semearás alegria

Eu recordarei então

Que me deste a mão um dia

Tenho vivido esperando o momento

De poder sentir o calor do teu peito

Começo os dias numa luta contra o tempo

Pergunto aos meus botões qual será o defeito

Apenas o toque da pele da tua mão

Apenas os teus olhos direitos a mim

Seria pouco mas daria a sensação

Que a minha vida não será tão triste assim

 

 

 

SETE MARÉS

 

 

Ao pé do mar eu sonhei

Imaginei como és

Na barca me abandonei

Percorri sete marés

Os Lobos do Mar cantando

De pele pelo sol tisnada

Deram o nome do sonho

A uma barca ancorada

Esse mar que nos afasta

A brisa que não acalma

O sentimento que arrasta

As margens da minha alma

E diz-me tu, sonho meu

Em que póvoa atracarás

Para navegarmos juntos

Na maré que nos apraz

 

 

 

FAROL DO MEU REGRESSO

 

 

 

Desde a antiga vila,

dos tempos de antanho

e da senhora de outros modos,

que meus compadres e seus compinchas

de remo em punho

e dedos entrelaçados na vida

e na rede

subindo vão o areal

de olhos postos em terra e na torre.

Senhora da Lapa

farol do meu regresso,

lá venho eu novamente

do mar que me come os ossos.

Senhora da Guia

na proa do meu barquinho

norte serás da vida

e da luz que me alumia.

 

 

 

 

SILÊNCIO

 

 

 

Silencio

Quero ouvir o pensamento

O som que me enche as veias

O sal que tempera a vida

O mar que me lava a alma.

Silêncio

Estou sentindo poesia.

 

 

 

 

MORRER AOS POUCOS

 

 

 

Não há alma que acredite que o amor

Pode existir quando não se tem resposta

Mesmo que haja um sonho e uma casa posta

Quem vive o sonho sentindo também a dor?

É morrer aos poucos sem se sentir acabado

É cantar alto sem ter cordas na viola

É alimentar um sonho que assola

É apanhar sol de inverno no sobrado.

Não há alma que creia no renascer

Dessa fortuna que os humanos preservam

Aconchegada bem no fundo do seu peito

Se por ventura o amor desfalecer

E em seu lugar outros sentimentos nasceram

No coração restará apenas o respeito.

 

 

 

 

 

A TUA MARÉ

 

 

 

Desta nossa terra eu vejo

O mar que te viu nascer

A imensidão me recorda

Tudo o que te fez partir

Tanto mar me enxuga os olhos

E me faz preocupar

Na vida há os escolhos

Que terás que superar

Estás só, longe de nós

Não ouvimos a tua voz

Não ouvimos a tua voz

Estás feliz, de coração a chorar

Deixa que o tempo te traga outra vez

Lava os teus olhos com água do mar

Olha-nos de frente sem timidez

Tanta gente me pergunta

Que é feito do meu irmão

Só lhes respondo que a vida

Te ensina nova canção

Gosto de olhar as ondas

Pelo prazer que isso me dá

Vou escrevendo cantigas

Da maré que te trará

 

 

 

UM ESPAÇO

 

 

 

 

Há um espaço entre nós

Um som que me atordoa

Um rumor de liberdade

Saltando barreiras

Tentando libertar-se

Do próprio espaço

Que nos atordoa

Não nos liberta

E nos ensina a amar

 

 

 

 

 

PRISIONEIRA

 

 

Por um simples gesto doce

Vindo de trás da barreira

Faria o que quer que fosse

Perdia toda a estribeira

Pelo som do teu piano

Pelo brilho dos teus olhos

Teria um gesto profano

Saltaria os escolhos

O que me prende a este mundo

O que me faz prisioneira

Um sentimento moribundo

Uma paz não verdadeira

Vejo ao longe o universo

Mas não quero fazer nada

Escrevo a vida num verso

Continuo parada

Pela paz do teu sorriso

Pela imensidão da luz

Por um momento preciso

Da força que me conduz

Pela vida que me prende

Os minutos que não vivo

Daria tudo ao duende

Que me juntasse contigo

 

 

 

 

TEMPO DE VIDA

 

 

A vida me leva o tempo

E tudo que nele gravo

O tempo que dou à vida

Sem do tempo ser escravo

É o meu tempo de vida

Que vivo com muito agrado.

 

 

 

 

CÁTIA

 

 

Era uma criança linda

Se era!

Morena

Olhos de azeitona

No rosto, um sorriso familiar

Uma expressão de candura

Que logo me conquistou.

Perguntei o seu nome

E com sorriso de nobre

Aquela criança pobre

O meu coração levou.

Linda, como nunca vi igual

Ou será dos meus olhos?

Não! Eu não lhe vi o rosto

Vi a sua condição!

 

 

 

 

DUAS FLORES

 

 

 

 

Vezes sem fim eu te vejo

No meio do meu caminho

Cada encontro é como um beijo

Que recebo com carinho.

Comigo está o retrato

Minha Mãe, minha Madrinha

Não poderás ser só minha

És da minha Mãe também.

Poucos tiveram a sorte

De ter duas Mães tão queridas

De ter duas flores no jardim,

A mim me deste o Amor

Que senti ser tão profundo

E deste-me a tua filha,

A Mãe mais bela do mundo.

 

 

 

AMOR INIBIDO

 

 

Momentos tristes

Falta de amor

... ou não!

Há pessoas que não mostram

E tu és assim.

Há pessoas

Que amam sem saber

E tu és assim.

Tens uma enorme

Falta de coragem

Para mostrar que amas.

Será defeito?

Não!

É feitio.

Tens o coração

Cheio de amor inibido.

Não és tão mau como te pintam

E serias o melhor pai do mundo

Se perdesses a vergonha

E amasses

Como desejas.

Mesmo assim,

Obrigado Pai.

 

 

 

 

ÁGUAS PARADAS

 

 

 

 

Águas paradas

Mar de vigílias

Que outras águas revoltas levaram

O corpo de quem foi

A alma de quem ficou

Que outras águas bernardas deixaram

A dor e a saudade

O luto e a verdade

 

 

 

 

 

SEGUIREI

 

 

 

A perturbação me rói a alma

Por querer e não poder,

O céu estende-se claro

Apetitoso e adocicado

Com brancos tufos de algodão.

A vida a querer ser

Eu, sem poder

Por muito que queira.

Pensam ser asneira

O que na certa vejo,

Sentem brincadeira

A vida num beijo.

E a roedura perturba

A alma e tudo que é meu

E vidas

E sonhos de criança

E ... de alma roída seguirei querendo.

 

 

 

 

CONTRACAPA

 

 

 

Que o livro leve a verdade

A quem nele descansa a alma

Que a capa seja do livro

E cubra apenas as folhas,

Que o rosto da contracapa

Olhe de frente nos olhos

De quem nele os olhos passa

E a alma confia.

 

 

 

 

DOIS SENTIDOS

 

 

 

Dois sentidos, uma vida a quatro ventos

Sem saber quem na altura tem mais peito

Uma vida com diferentes sentimentos

Ocultando qual deles tem mais preceito

Certo está quem acalma uma tormenta

Longe vê com a calma de um farol

Muito vive quem com pouco aguenta

Quem não gosta de ficar ouvindo o sol

Dois sentidos que se cruzam ponto a ponto

Sem nos olhos se cruzar o brilho intenso

Uma vida, duas fases sem encontro

Falsa paz embriagada de incenso

Um espaço inundado de barreiras

Falso ódio, muito medo e atracção

A vontade de inventar as marés cheias

Persistência em ocultar a razão

 

 

 

 

COLO-ME A TI

 

 

 

Colo-me a ti e vejo o céu

As portas abrem-se

De par em par

Devagar

Sem pressa, nem receio.

Colo-me a ti e levanto o véu

Os anjos cantam

Trombetas soam melodiosas

Na beleza do olhar.

Colo-me a ti e sinto frio

A terra treme

As nuvens choram

Tristes

Por não podermos amar.

 

 

 

 

 

PALHAÇOS

 

 

À sua entrada em cena

Responde a pequenada

Com aplausos e suspiros.

Chegou o momento:

Eles aí estão

De rosto pintado e chapéu ao lado

De fato rasgado

Tão largo, tão largo

Que cabiam todos num só.

Sorriem para toda a gente

E a graça surge

Entre um e outro gesto

No alegre manifesto

De quem ganha o dia a dia.

Como se vivessem só

Os minutos de actuação.

Depois...

Não há mais palhaços.

O último acabou de actuar.

 

 

 

FUGA

 

 

Deixo que a vida me leve

Deixo-me ir nas suas asas

Deixo o leme

Fecho os olhos

Esqueço até os escolhos

Que o caminho apresenta.

De repente dou um salto

Desorientado

No mar alto

Sem saber como voltar.

Venho a nadar para terra

Sem pensar que falta a força,

Sem pensar que não consigo.

O mar luta comigo

E eu sem força para lutar.

Mais uma braçada

E outra

E muitas mais.

A vida tem destas coisas,

Eu deixei-me levar

Sem sequer tentar fugir,

Agora há que lutar

Não me quero afundar,

Porque quero conseguir.

 

 

 

COVAIS

 

 

Se eu um dia me zangar

Com a terra onde nasci

Então eu vou-me virar

Aldeia linda p’ra ti

Covais, no meio da serra

Covais, aldeia adoptada

A minha segunda terra

Uma nova namorada

A geada será vestido

As tuas flores, a grinalda

Trago sempre no sentido

O teu verde esmeralda

Se um poeta vivesse

Aí de noite e de dia

Tudo o que ele escrevesse

Seria boa poesia

Ganhaste um namorado

Oh aldeia de Pombeiro

Ficarei sempre lembrado

Desse povo companheiro

 

 

 

PARA SEMPRE

 

 

 

Silvou o mar no silencio

Daquela tarde gelada,

Senti um baque no peito

Triste, desvalido e frio

Pelo rasto que deixavas

No teu lento caminhar.

A partida não é o fim

Quem morre nasce de novo,

Mas quem me convence a mim

Que tu irás renascer?

No mar verei o teu rosto

De tarde, antes do sol posto

Lembrando esse dia frio.

Recordarei o boléu

Que o meu peito estremeceu

Quando o amor te fez partir.

 

 

 

 

O MEU BARCO

 

 

A minha vida é um barco

Que encontra um mar agitado

Sou pescador de Fé

O barco tem navegado.

A sigla da minha gente

Pintada está na proa

Uma parte da companha

O mar zangou-se e levou-a.

O mastro forma uma cruz

Marcando o meu ideal

Como o barco de Jesus

Neste mar universal.

Navega, barco, navega,

Que não te quero parado

Antes barco em mar revolto

Que madeiro ancorado.

 

 

 

DESEJO SECRETO

 

 

 

Tu,

És o meu desejo secreto

És aquilo que mais quero

Que nunca disse a ninguém.

Hás-de ser facto concreto

Um dia

Espero

Que pelas mãos de alguém

Mesmo que não saiba quem

Te tornes realidade.

Consultei o meu amigo

O mar

Que acendeu a esperança

De o meu sonho de criança

Se concretizar um dia.

É por ti que eu luto

Tu és o sonho de um puto

Que sem sonhar

Não vivia.

 

António Pinheiro da Costa

 

 

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