SÃO TEUS
Os poemas que a seguir se apresentam são o projecto do Tony_P para o seu livro de poesia, para o qual desejamos, naturalmente, o maior sucesso.
SÃO NOSSOS
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Sindroma
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Estes poemas eram meus Enquanto não os escrevi A vontade foi a minha pena Que os expressou ao vento Que os levou até ti. Só assim me sinto mais poeta.
Morreu Cantei-lhe uma canção A última que me cantou, Porque cantando recordo-a com alegria. A alegria com que me educou Os primeiros passos As primeiras palavras Todos os meus actos A minha luta A minha vida Foi nela que eu vi. Disse-me um dia Que se eu morresse Morreria também. Eu ainda vivo E ela viverá no meu coração Amá-la-ei até morrer Minha Avó Minha Madrinha... ...Minha Mãe.
Se me deres a tua mão Ao fitar do meu olhar Moldarás um coração Me ajudarás a sonhar Se me deres a tua mão Semearás alegria Eu recordarei então Que me deste a mão um dia Tenho vivido esperando o momento De poder sentir o calor do teu peito Começo os dias numa luta contra o tempo Pergunto aos meus botões qual será o defeito Apenas o toque da pele da tua mão Apenas os teus olhos direitos a mim Seria pouco mas daria a sensação Que a minha vida não será tão triste assim
Ao pé do mar eu sonhei Imaginei como és Na barca me abandonei Percorri sete marés Os Lobos do Mar cantando De pele pelo sol tisnada Deram o nome do sonho A uma barca ancorada Esse mar que nos afasta A brisa que não acalma O sentimento que arrasta As margens da minha alma E diz-me tu, sonho meu Em que póvoa atracarás Para navegarmos juntos Na maré que nos apraz
Desde a antiga vila, dos tempos de antanho e da senhora de outros modos, que meus compadres e seus compinchas de remo em punho e dedos entrelaçados na vida e na rede subindo vão o areal de olhos postos em terra e na torre. Senhora da Lapa farol do meu regresso, lá venho eu novamente do mar que me come os ossos. Senhora da Guia na proa do meu barquinho norte serás da vida e da luz que me alumia.
Silencio Quero ouvir o pensamento O som que me enche as veias O sal que tempera a vida O mar que me lava a alma. Silêncio Estou sentindo poesia.
Não há alma que acredite que o amor Pode existir quando não se tem resposta Mesmo que haja um sonho e uma casa posta Quem vive o sonho sentindo também a dor? É morrer aos poucos sem se sentir acabado É cantar alto sem ter cordas na viola É alimentar um sonho que assola É apanhar sol de inverno no sobrado. Não há alma que creia no renascer Dessa fortuna que os humanos preservam Aconchegada bem no fundo do seu peito Se por ventura o amor desfalecer E em seu lugar outros sentimentos nasceram No coração restará apenas o respeito.
Desta nossa terra eu vejo O mar que te viu nascer A imensidão me recorda Tudo o que te fez partir Tanto mar me enxuga os olhos E me faz preocupar Na vida há os escolhos Que terás que superar Estás só, longe de nós Não ouvimos a tua voz Não ouvimos a tua voz Estás feliz, de coração a chorar Deixa que o tempo te traga outra vez Lava os teus olhos com água do mar Olha-nos de frente sem timidez Tanta gente me pergunta Que é feito do meu irmão Só lhes respondo que a vida Te ensina nova canção Gosto de olhar as ondas Pelo prazer que isso me dá Vou escrevendo cantigas Da maré que te trará
Há um espaço entre nós Um som que me atordoa Um rumor de liberdade Saltando barreiras Tentando libertar-se Do próprio espaço Que nos atordoa Não nos liberta E nos ensina a amar
Por um simples gesto doce Vindo de trás da barreira Faria o que quer que fosse Perdia toda a estribeira Pelo som do teu piano Pelo brilho dos teus olhos Teria um gesto profano Saltaria os escolhos O que me prende a este mundo O que me faz prisioneira Um sentimento moribundo Uma paz não verdadeira Vejo ao longe o universo Mas não quero fazer nada Escrevo a vida num verso Continuo parada Pela paz do teu sorriso Pela imensidão da luz Por um momento preciso Da força que me conduz Pela vida que me prende Os minutos que não vivo Daria tudo ao duende Que me juntasse contigo
A vida me leva o tempo E tudo que nele gravo O tempo que dou à vida Sem do tempo ser escravo É o meu tempo de vida Que vivo com muito agrado.
Era uma criança linda Se era! Morena Olhos de azeitona No rosto, um sorriso familiar Uma expressão de candura Que logo me conquistou. Perguntei o seu nome E com sorriso de nobre Aquela criança pobre O meu coração levou. Linda, como nunca vi igual Ou será dos meus olhos? Não! Eu não lhe vi o rosto Vi a sua condição!
Vezes sem fim eu te vejo No meio do meu caminho Cada encontro é como um beijo Que recebo com carinho. Comigo está o retrato Minha Mãe, minha Madrinha Não poderás ser só minha És da minha Mãe também. Poucos tiveram a sorte De ter duas Mães tão queridas De ter duas flores no jardim, A mim me deste o Amor Que senti ser tão profundo E deste-me a tua filha, A Mãe mais bela do mundo.
Momentos tristes Falta de amor ... ou não! Há pessoas que não mostram E tu és assim. Há pessoas Que amam sem saber E tu és assim. Tens uma enorme Falta de coragem Para mostrar que amas. Será defeito? Não! É feitio. Tens o coração Cheio de amor inibido. Não és tão mau como te pintam E serias o melhor pai do mundo Se perdesses a vergonha E amasses Como desejas. Mesmo assim, Obrigado Pai.
Águas paradas Mar de vigílias Que outras águas revoltas levaram O corpo de quem foi A alma de quem ficou Que outras águas bernardas deixaram A dor e a saudade O luto e a verdade
A perturbação me rói a alma Por querer e não poder, O céu estende-se claro Apetitoso e adocicado Com brancos tufos de algodão. A vida a querer ser Eu, sem poder Por muito que queira. Pensam ser asneira O que na certa vejo, Sentem brincadeira A vida num beijo. E a roedura perturba A alma e tudo que é meu E vidas E sonhos de criança E ... de alma roída seguirei querendo.
Que o livro leve a verdade A quem nele descansa a alma Que a capa seja do livro E cubra apenas as folhas, Que o rosto da contracapa Olhe de frente nos olhos De quem nele os olhos passa E a alma confia.
Dois sentidos, uma vida a quatro ventos Sem saber quem na altura tem mais peito Uma vida com diferentes sentimentos Ocultando qual deles tem mais preceito Certo está quem acalma uma tormenta Longe vê com a calma de um farol Muito vive quem com pouco aguenta Quem não gosta de ficar ouvindo o sol Dois sentidos que se cruzam ponto a ponto Sem nos olhos se cruzar o brilho intenso Uma vida, duas fases sem encontro Falsa paz embriagada de incenso Um espaço inundado de barreiras Falso ódio, muito medo e atracção A vontade de inventar as marés cheias Persistência em ocultar a razão
Colo-me a ti e vejo o céu As portas abrem-se De par em par Devagar Sem pressa, nem receio. Colo-me a ti e levanto o véu Os anjos cantam Trombetas soam melodiosas Na beleza do olhar. Colo-me a ti e sinto frio A terra treme As nuvens choram Tristes Por não podermos amar.
À sua entrada em cena Responde a pequenada Com aplausos e suspiros. Chegou o momento: Eles aí estão De rosto pintado e chapéu ao lado De fato rasgado Tão largo, tão largo Que cabiam todos num só. Sorriem para toda a gente E a graça surge Entre um e outro gesto No alegre manifesto De quem ganha o dia a dia. Como se vivessem só Os minutos de actuação. Depois... Não há mais palhaços. O último acabou de actuar.
Deixo que a vida me leve Deixo-me ir nas suas asas Deixo o leme Fecho os olhos Esqueço até os escolhos Que o caminho apresenta. De repente dou um salto Desorientado No mar alto Sem saber como voltar. Venho a nadar para terra Sem pensar que falta a força, Sem pensar que não consigo. O mar luta comigo E eu sem força para lutar. Mais uma braçada E outra E muitas mais. A vida tem destas coisas, Eu deixei-me levar Sem sequer tentar fugir, Agora há que lutar Não me quero afundar, Porque quero conseguir.
Se eu um dia me zangar Com a terra onde nasci Então eu vou-me virar Aldeia linda p’ra ti Covais, no meio da serra Covais, aldeia adoptada A minha segunda terra Uma nova namorada A geada será vestido As tuas flores, a grinalda Trago sempre no sentido O teu verde esmeralda Se um poeta vivesse Aí de noite e de dia Tudo o que ele escrevesse Seria boa poesia Ganhaste um namorado Oh aldeia de Pombeiro Ficarei sempre lembrado Desse povo companheiro
Silvou o mar no silencio Daquela tarde gelada, Senti um baque no peito Triste, desvalido e frio Pelo rasto que deixavas No teu lento caminhar. A partida não é o fim Quem morre nasce de novo, Mas quem me convence a mim Que tu irás renascer? No mar verei o teu rosto De tarde, antes do sol posto Lembrando esse dia frio. Recordarei o boléu Que o meu peito estremeceu Quando o amor te fez partir.
A minha vida é um barco Que encontra um mar agitado Sou pescador de Fé O barco tem navegado. A sigla da minha gente Pintada está na proa Uma parte da companha O mar zangou-se e levou-a. O mastro forma uma cruz Marcando o meu ideal Como o barco de Jesus Neste mar universal. Navega, barco, navega, Que não te quero parado Antes barco em mar revolto Que madeiro ancorado.
Tu, És o meu desejo secreto És aquilo que mais quero Que nunca disse a ninguém. Hás-de ser facto concreto Um dia Espero Que pelas mãos de alguém Mesmo que não saiba quem Te tornes realidade. Consultei o meu amigo O mar Que acendeu a esperança De o meu sonho de criança Se concretizar um dia. É por ti que eu luto Tu és o sonho de um puto Que sem sonhar Não vivia.
António Pinheiro da Costa
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