Tempter

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A Estrela Cadente

A Face do Sentimento

Amo-te

Até Amanhã

Dias

Ela

Momento

Nostalgia

O Abismo

Para Ti

Poema ao vulto típico da mascarada

 

A estrela cadente
7/2/99

Observa a estrela cadente
Que ilumina o céu e o coração confidente
Sente a Lua feliz, a viver emoções sem precedente
Visualiza o futuro confortada, olha nos olhos o vidente:

'Não desdenhes a viagem alucinante que é a vida
 Nem o amor da pessoa sabida
 A espiritualidade fascina
 Aquele que te lê a sina '

Sentimentos calorosos de uma santa maravilha
Iluminam a minha passagem obscura pela vida
Provocam a alegria e a partilha
Da felicidade nunca antes concebida

O conforto interior aquece-me a alma
Apetece-me dormir nos braços daquela lua
Sentir arrepios desvairados com calma
Viver onde a amizade é nua e crua

Para te libertares da sensação incomodativa
Descobre a solidão alternativa
O amor quebrará a redoma cansativa
A integridade dar-te-á uma nova perspectiva

Ouve a simplicidade do meu saber
Presta atenção à energia do meu amor
Descobre a harmonia do meu viver
Corre para o céu e agarra o meu esplendor...

Observa a estrela cadente
Que ilumina o céu e o coração confidente
Sente a Lua feliz, a viver emoções sem precedente
Visualiza o futuro confortada, olha nos olhos o vidente:

'Cria a felicidade com o teu verdadeiro amor
Cuida do seu carinhoso interior
Abraça sem demoras a estrela cadente e o seu calor
que só se completa com a Lua e o seu louvor. '

Luis

 

 

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Se preferir pode ler os poemas de seguida, basta rolar a barra de deslocamento lateral

 

A face do sentimento
1-3/8/99

O amor, meu nostálgico amigo
Conforta-me em tempo de sofrimento
Provocando o desejo divino
De me juntar à face do sentimento

A dor enamorada ao sentir
A saudade pálida e sombria
Causa em mim vontade de partir
Para a face linda que sofria

Oh! amor, como te quero aqui
O meu corpo reclama pela face
Com a qual vivo um são entendimento

Oh! amor, como preciso de ti
É tão grande a saudade que quase,
Beijo a entidade do sentimento.

Luis

 

 

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AMO-TE
6/10/99


Olha-me nos olhos e diz que não me amas
Para mim tudo parece em vão
Agora que por momentos tu não exclamas
As palavras mágicas para o meu coração

Durmo nos teus braços sem estares presente
Amo-te e culpo-te por esse facto
Sinto-me sozinho e assim carente
Do cheiro amoroso que me enlouquece o olfacto

Os minutos passam e a asfixia aumenta
Porque me obrigas a amar-te, se não estás aqui ?
Na consciência a tua imagem me atormenta
Por favor, beija-me, quero-te a ti !!!

Em busca de conforto escrevo estas palavras
Fazem-me recordar a face que reclamo
No mundo onde as emoções são sagradas
No sonho perpétuo onde te amo.

Luis

 

 

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Até amanhã
24/04/2000

Levo-te despreocupado, para um sítio qualquer. Não interessa qual.
Hoje apetecia-me ter um dia para recordar. Um diferente, um que não fosse igual.
Abanas a cabeça dizendo que sim. Afinal de contas também gostas de fugir da rotina.

Praia. Um dia de Sol maravilhoso. Nada para perturbar, só tu e eu.
Corremos desvairados para a água salgada. Um beijo intenso, no mar azul.
Esse mar a brilhar intensamente, cheio de felicidade. Cortesia do Sol, que lha ofereceu.

Olho para ti, para a tua linda face, encharcada e banhada pelo Sol.
Pegando na toalha, seco-te rapidamente. 
Observamos o adeus da estrela, e abraçados sentimos o nosso coração mole.
Um beijo para concluir a visita ao areal. Já lá vinha a perigosa e misteriosa noite.

Sentados à mesa. Enquanto comíamos, fomos falando de nós e da vida.
Beijo-te e finalizo a minha refeição. Continuamos a falar. Saudade era o tema.
Digo-te que nada te substitui, que és o meu fogo. Abraças-me, comovida.

Música suave e pausada. 
Pego em ti e percorro o teu corpo com as minhas mãos.
Abraçados, dançamos ligeiramente ao som da música. A atmosfera fica mais erótica, cheia de sombras.

Um fogo interior crescente
O ar sufoca, o oxigénio é pouco.
A brisa da tua respiração transcende (leva-te até lugares infinitos)
Perdemos o controlo ao mesmo tempo que a vela se apaga.

A serenidade toma conta. 
Enroscados nos lençóis adormecemos: nada importa agora.
Até amanhã...


Luis

 

 

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Dias
25/4/2000

Dias que correm mal. Onde tudo sai mal.
Dias onde o errado é norma. O infortúnio domina.
O amor fica por momentos suspenso. Nada ficará igual.
A amargura toma conta e a felicidade termina.

A saudade do passado afoga o vigoroso coração,
são dias infelizes que nos marcam.
A saudade do amor mergulha o ego em solidão,
são noites desesperante que nos matam.

A lembrança de momentos felizes
Alegra ligeiramente a consciência perdida,
mas a luz ao fim do túnel é apenas uma visão de dor.

Apreciamos as jogadas erradas como severos juizes,
Do jogo meticuloso da relação com outra vida.
Mas no acto da sentença (ele) é sempre esquecido, o amor.


Luis

 

 

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Ela
14/01/2000

Nasce o Sol e nada acontece
Surge no horizonte um novo dia
Outra face, outro amor, uma palavra sombria
Morre o Sol, nada é, tudo parece.

A noite afigura-se irónica e desoladora
Olho os céus e as estrelas, abomino a vida
Fecho os olhos, confronto a escuridão despida.
Deito-me gélido, junto a ela, usurpadora.

Olha para mim indiferente, intocável
Devolvo-lhe o olhar com um sorriso inexorável
Afago-lhe os cabelos, solidão incontida
Beijo-a, envolvendo-a em mim, miséria sentida.

Por breves segundos transporto-a suavemente
Deixa-se levar e em seguida rejeita-me, friamente
Afasto-me como uma pena ao vento,
Para um sentimento onde, receoso, sangro o tormento.

Desfaço-me num pranto
Horrores diabólicos
Medos sónicos.

A sua sombra aproxima-se, como um sinal de mortificação
Toca-me, conforta-me, abraça a minha dor
Imortaliza o momento, beijando-me com amor
De seguida tudo morre ao ouvir : " eu sou a solidão ".

Desfaço-me num pranto
Horrores diabólicos
Medos sónicos.


Luis 

 

 

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Momento
27,28/2/99

Deslumbra-se um pequeno mundo, onde tudo existe
Na teoria, na prática, a tudo se assiste
As flores florescem e murcham
Neste mundo, onde a Lua ilumina o chão

Caminho tranquilamente entre árvores e plantas
Vejo animais felizes e precavidos
Olho para cima e noto a páginas tantas
Monstros disformes que gritam mas não são ouvidos

Mais adiante jorra algo de uma fonte imunda
Aproximo-me demasiado e oiço um grito de arrepiar
Libertou-se algo do líquido que me afunda

Sinto o líquido atroz que me deixa imóvel
Bebo-o e o meu corpo reclama por mais
É a agonia masoquista que nunca é demais

De repente tudo se desvanece
Olho em volta e o que me rodeia desaparece
Caio no abismo e acordo ao lado da fonte
Um vento forte empurra-me para cima de uma ponte

Lá em cima pássaros cantam e voam
Maravilhosas flores cobrem a totalidade da construção
Gotas de água a pouco e pouco escoam
Como sentimentos eternos numa violente distorção

De repente tudo se desvanece
Olho em volta e o que me rodeia desaparece
Caio no abismo e acordo no fundo do mar
A água gélida aquece-me e obriga-me a amar

Peixes em tons alaranjados como fogo
Circundam corais harmoniosos
Algas de todas as cores dão-me o oxigénio
Que necessito para alimentar o meu génio

Nado sem rumo na imensidão
Oiço o meu corpo noutra dimensão
Vejo sombras da Lua e uma cara conhecida à volta de uma truta
Até que chego a uma bizarra gruta...

No interior da rocha vejo fotografias
Ao reparar numa em particular surge um feixe
Aparece um coração do nada esculpido num peixe
O meu corpo é violentamente ejectado para fora da gruta e do mar

Nos ares perfuro uma espécie de coração
Nesse momento sinto uma enorme sensação de paz
Rasgo a pele e saio de dentro de um rapaz
Viro-me para cima e vejo o fim de um beijo entre dois namorados

De repente tudo se desvanece
Olho em volta e o que me rodeia desaparece...

Luis

 

 

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Nostalgia
11/3/00

Estou nostálgico
Porque recordei
E morrerei...

Luis

 

 

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O abismo (renascimento nocturno)

 

 

03/2000

 

I- introdução

 

Ao observar a imensidão de vazio, deu conta da convulsão emocional que já à muito o encaminhara para o desprezo pela vida e para a solidão. Fruto da ausência de sentimentos em relação ao exterior, tudo se transformou, tanto interiormente, como exteriormente, levando-o ao trilho do sofrimento perpétuo.

Numa última tentativa inconsciente de se livrar do suicídio emocional, transportou-se sentimentalmente até à entrada do abismo.

Tudo ficará agora definido...

 

II- desenrolar

 

Algures no espaço, no tempo, e no desespero. A ausência sofrida da entidade imortal, sente-se agora mais que nunca. Caminha sozinho no trilho da apatia: atravessa a floresta das sombras em direcção ao abismo.

 

1. A floresta das sombras (o abismo)

 

Caminho sozinho no trilho da apatia

Por entre árvores carregadas de flores absurdas

Atravesso a floresta das sombras obscuras

 

Árvores jazem com os seus ramos e troncos tortos

Pássaros disformes caem delas, mortos

Oiço gritos lúgubres e sinistros em redor

Paro por instantes para os escutar em pormenor.

 

Retomo a marcha e escuto-os de novo, abafados

São gritos ameaçadores e pausados,

Lembram o som das vítimas do diabo que caçava,

Que se ouviam mais nitidamente à medida que avançava.

 

Por fim chego à fonte de tudo isto.

Num lugar inóspito e mais elevado com o mar à vista

Milhares de sentimentos eram sugados para o abismo.

 

Jaz agora no abismo, vítima do horror provocado pela visão abominável do portal. O abismo habita agora as suas entranhas, e com o seu veneno letal, retira-lhe o presente e o futuro, deixando apenas um passado sombrio.

 

2. Fragilidade

 

Lentamente, a visão abominável do portal

Enfraquece-me o espirito, e progressivamente

Sinto o vácuo a abraçar-me com o seu veneno letal.

 

Em pânico, sinto o veneno a percorrer-me o corpo, agora abandonado (pelo amor interior)

Como mil agulhas espetadas num único ponto da pele

De repente atravessa-me o coração, e algo me é retirado. (o presente e o futuro)

O veneno invade-me a boca fortemente, como um vómito com gosto a fel.

 

Caio por terra sem forças, e entro numa visceral decadência,

O abismo apoderou-se do meu frágil interior

E nada me resta, senão as memórias de um passado inferior,

última coisa que vejo, antes de cair no abismo e perder a consciência.

 

 

Desprovido de presente e futuro, enfrenta, inconsciente, o pior de todos os terrores do abismo: os sonhos. Germina-se no seu interior, o sonho abismal que o levará à praia da desolação, onde se libertará do seu passado e na areia amargurada, tentará buscar o futuro. Algo no seu interior permanece consciente, e imortaliza-se assim, a convulsão interior, para todo o sempre.

 

3. O sonho

a) Libertação (a praia da desolação) b) último capítulo (memórias)

 

a)

" Numa tarde de Outono, subi o último degrau do abismo

E sentado na sombra áurea de uma negra flor

Observei munido de saudade e idealismo,

o mar azul, envenenado por descargas de dor.

 

O terror que a paisagem em mim provocou

Fez-me sentir uma vertiginosa apatia

E todo o meu interior gelou

Ao olhar para ele, o pobre mar, em agonia

 

Uma escada natural, nas rochas, propunha a descida

Até à pequena praia, banhada pelo mar derrotado.

Ao tocar na areia, senti dentro de mim, a miséria despida

Que me obrigou a expelir o passado (presente,futuro) assombrado."

 

b)

" Sentei-me na areia amargurada da praia desoladora

E dei conta do simples e egoísta absurdo

O adeus do Sol e a chegada da velha vestida de escuro.

 

O mar seduziu-me e convidou-me para um banho nocturno

Mergulhei na imensidão aquática, agora envolta em sombras,

E foi aí, que pela última vez recordei, naquele ambiente soturno.

 

Pela última vez deslumbrei memórias de outros tempos

Que lembram eternas chamas e gelos

Dispersas aleatoriamente no índice

Do livro da vida apaixonada que termina num ápice. "

 

III- desenlace

 

O sonho abismal desvanece-se no mar derrotado. Liberto de toda a amargura; passado, presente e futuro assombrados, pode finalmente acordar de novo para a vida. O clarão momentâneo na consciência expulsa o veneno de dentro de si. A floresta das sombras, o abismo, e a praia da desolação são agora miragens e ínfimas recordações no corpo, agora renascido.

 

4. Renascer

 

Sopro a vela e adormeço na escuridão,

na certeza de que nada (nem a tua ausência),

me roubará a ínfima recordação (imagem) que tenho de ti.

 

 

 

 

 

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Para ti
8,9/3/99

Um som leve e harmonioso
Chama-me suavemente para algo concebido
Sigo o caminho silencioso
Que se forma a cada momento vivido

Um intenso tumulto exterior que me deixa ansioso
Suscitado pela voz que transcende o mais sensível ouvido
Uma voz que me torna grandioso
E adorna a ideologia com a qual me tenho movido

Olho para mim como um produto do sofrimento
Vejo-te no meu corpo como um límpido azulejo
Desejo-te vivamente à medida que a saudade se propaga

O amor que sinto por ti é um eterno sentimento
Uma sensação delicada que eu nunca desleixo
Um fogo interior que nunca se apaga.

Luis

 

 

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Poema ao vulto típico da mascarada
27/4/2000


Em toda a sua vida lutou e perdeu.
Sofredor emocionado, precocemente envelheceu.
Vive no que resta de uma casa, um semi escombro,
e nada quer, talvez só uma mão amiga no seu ombro.

Vida confusa e soturna levou
A loucura diária os seus passos contou.
Paixões e amores arrastaram-no para a melancolia,
relembra agora o passado com vísivel apatia.

Vagueia pelas ruas procurando um rumo, alucinado 
Mas de que lhe adianta tentar viver ?
É apenas um pobre homem que nada teve e nada tem.

Busca incessantemente algo que não teve no passado
Uma sensação de conforto que o faça esquecer
uma vida sem sabor, sem a companhia de alguém.

Luis

 

 

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