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SALTO O céu fechou-se Sobre a última luz E vieram os relâmpagos e trovões. No meio da escuridão Perdi loucura E tornei-me censura Em raios fartos de canções. O grito era tão grande Que fiquei surda, Mas eu quis gritar mais alto Para alguém que não me ouvia. Voltei à loucura De tudo o que sentia. Talvez consiga saltar Para o outro lado Sem cair. Sentei-me à beira de tudo E olhei para baixo. Não vi o fundo que me esperava E saltei... Fui caindo cada vez mais rápido, Só a cair na imagem Do sonho que esperei.
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TORNAR-SE EM MIM... Abro os braços contra o vento E deixo que aquela frescura Me limpe a alma, Não sei de que lado ele vem Com toda a sua força, Apenas sinto a sua calma... sobre mim. Ao longe batem Os últimos raios de luz, O sol desce para se recolher. Apenas fica o sabor Do calor do dia, Que me fez ter tantas fantasias E me levou mais uma vez a perder. E volto a abrir os braços E tudo se mistura dentro de mim. E já não sei se eu sou eu Se sou o vento que está em mim, Ou se sou eu que estou nele E em toda a parte e ninguém mo diz. Perco-me nesta busca sem fim, Até que... Os primeiros pingos de chuva Começam a cair sobre a minha face E me trazem de volta à vida. E de novo me vejo perdida. Naquela terra... Naquele cheiro... Naquela chuva que não para E se torna no vento Que se tornam em mim.
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QUE FAZER? Que fazer? Quando o mundo conquistado Parece enlouquecer, Quando as coisas mais belas da vida Se viram ao amanhecer. Que fazer? Quando parece que nada dá certo E as lágrimas deslizam Por lugares incertos. Que passos vagueiam Por ruas esquecidas, Onde não se encontram Pessoas conhecidas. Que fazer? Quando o amor chega E não quer abalar, Quando olhos se deslumbram Por outro olhar. Por isso pergunto: Que faço? Ama-me. |
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ESTRONGOS Estrongos. Zoam na minha cabeça. Parece que vão explodir dentro de mim. Fazem doer que sentença eu só os vejo a cair. Dor de demência em cima de mim, Loucura de sarcasmo a iluminar o céu Fazendo dele véu Do pior de tudo. E não acaba o barulho que parece querer perfurar meu escutar de dor. Atingiu meu coração como um raio de saudade. acho que estou a morrer Antes de enlouquecer nestes estrongos falsos. e... E pararam. Só vejo o inferno Que deixaram na mente descontrolada, Embrutecida de pesadelos. todos falsos, nenhum existe Não há nada, nem mesmo este caderno em que escrevo tudo é ilusão da minha imaginação apetece-me gritar Aaaaaaaaaaahhhhhhhhhhhhhhh PARÁ Já pareces mais louca que os loucos, Foram só símbolos de liberdade a actuarem sem esplendor. tudo é tão pouco perto da dor que me deixaram. Dor física, dor mental Só dor louca.
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O COMEÇO Em meus braços te criei, Em meu colo te embalei, Sempre que te beijo Sinto o teu amor a nascer. É tão bela a tua idade Como o teu orgulho de seres assim como és. cristina
19-06-92
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OLÁ ADEUS olá sol que me acordas, olá luz que me guias. olá mar olá vento olá esperança de cada dia. céu, terra, ar puro olá cearas de trigo perdidas no plano. olá sul olá norte olá sonhos contigo. adeus tristeza adeus escuridão, adeus sombra que paira nos jardins feitos meus. adeus solidão, olá solidão. olá adeus adeus adeus. cristina
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ESGOTARAM-SE AS PALAVRAS Batem as portas da madrugada E os fantasmas saem à rua. Quando da encosta salgada Salto em tua perseguição Para sempre ser tua. Ris... Quando vês meu corpo Da cor do sol ao entardecer Deitado sobre a tua alma. Que queres? Diz-me o que queres ouvir. Porque já não tenho palavras a te dizer. Já não tenho nenhuma para to provar será que as perdeste? Maldição! Se não me queres Deixa-me ir em paz. Porque me prendes e não me deixas Voltar a trás? E continuas a rir Da minha fraqueza Que parece aumentar. Huh, não te iludas Sou capaz de ser forte e te largar. Deixar-te abandonado...sem ninguém. Mesmo que seja para sempre tua Com palavras esgotadas Posso chegar até à lua. cristina 19-5-2000
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E...ENCONTRAR A PAZ Fugiste... sim, porque não querias a realidade Querias fugir da verdade E desistir. Cobarde... Sim te chamo cobarde Porque foi o que fostes. Por não enfrentares a vida Por não teres feito nada para a agarrar Por teres ido sem te despedir Por parares de sonhar. E agora que sei onde moras Lamento que o tempo Não possa voltar para trás, Talvez assim tivesses lutado por ti E conseguido encontrar a paz. cristina 22-5-2000
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À MARGEM DO PRECIPÍCIO Margem do precipício! Em volta só flores murchas Que suplicam por luz, Em cima arvores tristes Que o sol seduz, E em baixo... Corpos fracos que esperam a morte Como quem espera outra coisa qualquer. Olho para todos os lados Sem olhar para nenhum Colho um malmequer E desfolho-o: Vida...Morte Vida...Morte Qual deles será minha sorte. Margem do precipício... Que agora me parece tão bonito. Para onde foram os corpos fracos? Para onde foram as flores murchas E as árvores queimadas? Já não as veja... nem acredito. Terei alcançado a felicidade? Serei então amada? tudo estará bem? Não... Desfolhei a morte E morri na saudade De uma vida perdida. cristina 12-4-2000
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METZ Que agonia Ao lembrar paladar. E a força de espantar Que deixou em todo o espaço. Era ímpeto Era gelo Era dança engasgada em azia, E vem de novo a agonia No vidro fundido em sabedoria. Como me sabes... como me deixas Perdida no espaço. És como o mar salgado Mergulhado em limão. Oh que razão Enfiada dentro de uma Garrafa de metz Yes. cristina 20-6-2000
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SEM TI Sem ti... Fui atrás do céu E esqueci o que eras para mim. Corri ao desespero Porque ele me compreende E não me fala de ti. E quando cheguei ao fim Eu não estava lá, continuava na esperança Da sombra encontrar, E voar dalí para fora. Voar para lá... voltar para cá. E continuo sem ti a procurar Aquele sitio que ainda sonho No desespero de ser amada, E dar a volta no céu, Desaparecer em busca de ti E morrer...sem ti...cansada. cristina 22-5-2000
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A UM POETA Te invoco inspiração! Tu que vives nos lugares mais estranhos Nos cubículos rochosos perto do mar. Te invoco do alto desta montanha Que parece plana Mas que é só esconderijo Para não te achar. Te invoco quando olho Para os canos de esgotos E imagino seu fundo. Ou quando passo por aquelas montras expostas E sinto um arrepio nas costas, E entro, vejo , saio e não me sinto bem disposta. Oh! E quando caminho contra o vento E sinto todos os pormenores em mim. O céu, o sol, a serra. Tudo na imensa terra E não pensar, Só me deixar levar Na inspiração que vem e não vem... E que para quando retorno à ideia da metafisica. Aí, inspiração que te procuro No meio daquela multidão vizinha. Procuro forma de te apanhar e então te esconder Quando vejo tua força que se avizinha. Invoquei-te e vieste, E agora te dedico a um poeta Que te invoca e apareces, Para ele e para mim Que agora te despedes. cristina 15/16-7-2000
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MELODIAS Piano... Que tocas melodias suaves Mas mesmo assim graves, Nesse teu tom Sol. E quando te ouço É como se fosse a música Que paira no ar... E flutua até pousar no solo E toca, toca Dós. Pausa. E voltas a tocar... Tuas teclas são o mar Que navegam. Dó Ré Mi Fá, E na fina areia pára só... Sol Lá Si Dó. Cristina 27-6-2000
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SEM VONTADE Tão forte que é o teu silêncio. Quando atormentada choras E não sabes porque choras E te Lamentas. E todos te derigem lidíbrio Não acalmam... Não vêem teu brilho... Fazem mal. Na margem final Já vejo o fim. O fim das histórias, Das conquistas E fecho os olhos. Cristina 28-7/15-8-2000
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TEMPORAL Vento, chuva, céu Que escurece Em frente dos meus olhos. Ar, terra, cheiro Fresco que me faz sorrir. Apagou-se o sol Só a chuva a cair, E o vento emudece No meu corpo. Cristina 17-4-2000
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TEU AMOR VERDADEIRO Se pudesse virava o mundo. Colocava-o no lugar da lua E a lua em tuas mãos, Criava estrelas de todas as cores E fingia a perfeição. Imaginava-te no teu paraíso Feito de sonhos vãos. E descobria em ti Qual o teu verdadeiro sentido. Se é o mesmo que o meu (que fora, que é, que vai ser) Que é o tudo que gira em torno teu... Teu amor verdadeiro. Cristina 8-8-2000
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