Sol Nascente

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Índice

 

A Um Poeta

À Margem do Precipício

E... Encontrar a paz

Estrongos

Esgotaram-se as palavras

Melodias

Metz

O Começo

Olá Adeus

Que fazer?

Salto

Sem ti

Sem Vontade

Temporal

Teu Amor Verdadeiro

Tornar-se em mim

 

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Os Poetas do Canal

 

SALTO 
 
O céu fechou-se 
Sobre a última luz 
E vieram os relâmpagos e trovões. 
No meio da escuridão 
Perdi loucura 
E tornei-me censura 
Em raios fartos de canções. 

O grito era tão grande 
Que fiquei surda, 
Mas eu quis gritar mais alto 
Para alguém que não me ouvia. 
Voltei à loucura 
De tudo o que sentia. 
Talvez consiga saltar 
Para o outro lado 
Sem cair. 

Sentei-me à beira de tudo 
E olhei para baixo. 
Não vi o fundo que me esperava 
E saltei... 
Fui caindo cada vez mais rápido, 
Só a cair na imagem 
Do sonho que esperei. 

 

 

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TORNAR-SE EM MIM... 
 
Abro os braços contra o vento 
E deixo que aquela frescura 
Me limpe a alma, 
Não sei de que lado ele vem 
Com toda a sua força, 
Apenas sinto a sua calma... sobre mim. 

Ao longe batem 
Os últimos raios de luz, 
O sol desce para se recolher. 
Apenas fica o sabor 
Do calor do dia, 
Que me fez ter tantas fantasias 
E me levou mais uma vez a perder. 

E volto a abrir os braços 
E tudo se mistura dentro de mim. 
E já não sei se eu sou eu 
Se sou o vento que está em mim, 
Ou se sou eu que estou nele 
E em toda a parte e ninguém mo diz. 
Perco-me nesta busca sem fim, 
Até que... 

Os primeiros pingos de chuva 
Começam a cair sobre a minha face 
E me trazem de volta à vida. 
E de novo me vejo perdida. 
Naquela terra... 
Naquele cheiro... 
Naquela chuva que não para 
E se torna no vento 
Que se tornam em mim.

 

 

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QUE FAZER?
 
Que fazer? 
Quando o mundo conquistado 
Parece enlouquecer, 
Quando as coisas mais belas da vida 
Se viram ao amanhecer. 
Que fazer? 
Quando parece que nada dá certo 
E as lágrimas deslizam 
Por lugares incertos. 
Que passos vagueiam 
Por ruas esquecidas, 
Onde não se encontram 
Pessoas conhecidas. 
Que fazer? 
Quando o amor chega 
E não quer abalar, 
Quando olhos se deslumbram 
Por outro olhar. 
Por isso pergunto: 
Que faço? 
Ama-me. 

 

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ESTRONGOS
Estrongos.
Zoam na minha cabeça.
Parece que vão explodir
dentro de mim.
Fazem doer que sentença
eu só os vejo a cair.
Dor de demência em cima de mim,
Loucura de sarcasmo
a iluminar o céu
Fazendo dele véu
Do pior de tudo.
E não acaba o barulho
que parece querer perfurar
meu escutar de dor.
Atingiu meu coração como um raio de saudade.
acho que estou a morrer
Antes de enlouquecer  nestes estrongos falsos.
e...
E pararam.
Só vejo o inferno
Que deixaram na mente descontrolada,
Embrutecida de pesadelos.
todos falsos, nenhum existe
Não há nada, nem mesmo este caderno em que escrevo
tudo é ilusão da minha imaginação
apetece-me gritar
Aaaaaaaaaaahhhhhhhhhhhhhhh
PARÁ
Já pareces mais louca que os loucos,
Foram só símbolos de liberdade
a actuarem sem esplendor.
tudo é tão pouco perto da dor que me deixaram.
Dor física, dor mental
Só dor louca.

 

 

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O COMEÇO
Em meus braços te criei,
Em meu colo te embalei,
Sempre que te beijo
Sinto o teu amor a nascer.
É tão bela a tua idade
Como o teu orgulho de seres assim como és.
                         cristina
                         19-06-92

 

 

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OLÁ ADEUS
olá sol
que me acordas,
olá luz que me guias.
olá mar
olá vento
olá esperança de cada dia.
céu, terra, ar puro
olá cearas de trigo
perdidas no plano.
olá sul
olá norte
olá sonhos contigo.
adeus tristeza
adeus escuridão,
adeus sombra que paira
nos jardins feitos meus.
adeus solidão,
olá solidão.
olá adeus
adeus adeus.
                cristina

 

 

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ESGOTARAM-SE AS PALAVRAS 
 
Batem as portas da madrugada 
E os fantasmas saem à rua. 
Quando da encosta salgada 
Salto em tua perseguição 
Para sempre ser tua. 
Ris... 
Quando vês meu corpo 
Da cor do sol ao entardecer 
Deitado sobre a tua alma. 
Que queres? 
Diz-me o que queres ouvir. 
Porque já não tenho palavras a te dizer. 
Já não tenho nenhuma para to provar 
será que as perdeste? 
Maldição! 
Se não me queres 
Deixa-me ir em paz. 
Porque me prendes 
e não me deixas 
Voltar a trás? 
E continuas a rir 
Da minha fraqueza 
Que parece aumentar. 
Huh, não te iludas 
Sou capaz de ser forte e te largar. 
Deixar-te abandonado...sem ninguém. 
Mesmo que seja para sempre tua 
Com palavras esgotadas 
Posso chegar até à lua. 
      cristina 19-5-2000 

 

 

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E...ENCONTRAR A PAZ 
 
Fugiste... 
sim, porque não querias a realidade 
Querias fugir da verdade 
E desistir. 
Cobarde... 
Sim te chamo cobarde 
Porque foi o que fostes. 
Por não enfrentares a vida 
Por não teres feito nada para a agarrar 
Por teres ido sem te despedir 
Por parares de sonhar. 
E agora que sei onde moras 
Lamento que o tempo 
Não possa voltar para trás, 
Talvez assim tivesses lutado por ti 
E conseguido encontrar a paz. 
             cristina 22-5-2000

 

 

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À MARGEM DO PRECIPÍCIO
 
Margem do precipício! 
Em volta só flores murchas 
Que suplicam por luz, 
Em cima arvores tristes 
Que o sol seduz, 
E em baixo... 
Corpos fracos que esperam a morte 
Como quem espera outra coisa qualquer. 
Olho para todos os lados 
Sem olhar para nenhum 
Colho um malmequer 
E desfolho-o: 
Vida...Morte 
Vida...Morte 
Qual deles será minha sorte. 
Margem do precipício... 
Que agora me parece tão bonito. 
Para onde foram os corpos fracos? 
Para onde foram as flores murchas 
E as árvores queimadas? 
Já não as veja... nem acredito. 
Terei alcançado a felicidade? 
Serei então amada? 
tudo estará bem? 
Não... 
Desfolhei a morte 
E morri na saudade 
De uma vida perdida. 
  cristina 12-4-2000

 

 

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METZ 
 
Que agonia 
Ao lembrar paladar. 
E a força de espantar 
Que deixou em todo o espaço. 
Era ímpeto 
Era gelo 
Era dança engasgada em azia, 
E vem de novo a agonia 
No vidro fundido em sabedoria. 
Como me sabes... 
como me deixas 
Perdida no espaço. 
És como o mar salgado 
Mergulhado em limão. 
Oh que razão 
Enfiada dentro de uma 
Garrafa de metz 
Yes. 
cristina 20-6-2000

 

 

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SEM TI 
 
Sem ti... 
Fui atrás do céu 
E esqueci o que eras para mim. 
Corri ao desespero 
Porque ele me compreende 
E não me fala de ti. 
E quando cheguei ao fim 
Eu não estava lá, 
continuava na esperança 
Da sombra encontrar, 
E voar dalí para fora. 
Voar para lá... voltar para cá. 
E continuo sem ti a procurar 
Aquele sitio que ainda sonho 
No desespero de ser amada, 
E dar a volta no céu, 
Desaparecer em busca de ti 
E morrer...sem ti...cansada. 
       cristina 22-5-2000

 

 

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A UM POETA 
 
Te invoco inspiração! 
Tu que vives nos lugares mais estranhos 
Nos cubículos rochosos perto do mar. 
Te invoco do alto desta montanha 
Que parece plana 
Mas que é só esconderijo 
Para não te achar. 
Te invoco quando olho 
Para os canos de esgotos 
E imagino seu fundo. 
Ou quando passo por aquelas montras expostas 
E sinto um arrepio nas costas, 
E entro, vejo , saio 
e não me sinto bem disposta. 
Oh! 
E quando caminho contra o vento 
E sinto todos os pormenores em mim. 
O céu, o sol, a serra. 
Tudo na imensa terra 
E não pensar, 
Só me deixar levar 
Na inspiração que vem e não vem... 
E que para quando retorno à ideia da metafisica. 
Aí, inspiração que te procuro 
No meio daquela multidão vizinha. 
Procuro forma de te apanhar 
e então te esconder 
Quando vejo tua força que se avizinha. 
Invoquei-te e vieste, 
E agora te dedico a um poeta 
Que te invoca e apareces, 
Para ele e para mim 
Que agora te despedes. 
                    cristina 15/16-7-2000

 

 

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MELODIAS 
 
Piano... 
Que tocas melodias suaves 
Mas mesmo assim graves, 
Nesse teu tom Sol. 
E quando te ouço 
É como se fosse a música 
Que paira no ar... 
E flutua até pousar no solo 
E toca, toca Dós. 
Pausa. 
E voltas a tocar... 
Tuas teclas são o mar 
Que navegam. 
Dó Ré Mi Fá, 
E na fina areia pára só... 
Sol Lá Si Dó. 
         Cristina   27-6-2000 

 

 

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SEM VONTADE 
Tão forte que é o teu silêncio. 
Quando atormentada choras 
E não sabes porque choras 
E te Lamentas. 
E todos te derigem lidíbrio 
Não acalmam... 
Não vêem teu brilho... 
Fazem mal. 
Na margem final 
Já vejo o fim. 
O fim das histórias, 
Das conquistas 
E fecho os olhos. 
            Cristina 28-7/15-8-2000 

 

 

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TEMPORAL 
Vento, chuva, céu 
Que escurece 
Em frente dos meus olhos. 
Ar, terra, cheiro 
Fresco que me faz sorrir. 
Apagou-se o sol 
Só a chuva a cair, 
E o vento emudece 
No meu corpo. 
          Cristina  17-4-2000 

 

 

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TEU AMOR VERDADEIRO 
Se pudesse virava o mundo. 
Colocava-o no lugar da lua 
E a lua em tuas mãos, 
Criava estrelas de todas as cores 
E fingia a perfeição. 
Imaginava-te no teu paraíso 
Feito de sonhos vãos. 
E descobria em ti 
Qual o teu verdadeiro sentido. 
Se é o mesmo que o meu 
(que fora, que é, que vai ser) 
Que é o tudo que gira em torno teu... 
Teu amor verdadeiro. 
                Cristina 8-8-2000

 

 

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