Índice
Espumas, espumas, espumas Não me afogues nas espumas do tempo Sem que antes me embales No teu impreciso embalo, Que só assim eu me calo, Me acalmo e adormeço. Não me afogues nas espumas macias Que navegam na tua vaga... memória, Sem que antes me cantes A canção primeira do dia; Que assim faço soar De novo teus sinos, Que te deito no colo, Que te gravo o meu nome. Não me atires às rochas brutas, Como se ondas frias eu fosse, Como espuma que morresse, No ocaso das tardes doces, Sem que antes me deixes Retornar a teus mares, Voar de novo teus vales, Percorrer teus pomares, Saciar a minha fome! Não me afogues... Pare o tempo! Construa o instante, Esqueça a hora, Deixe o momento. Me toca feito música Que eu impeço a aurora, Acendo a luz da lua, Desvendo essa face tua E te canto o meu bolero...
|
Página Inicial Índice Quisera Os Poetas do Canal
Ser ou nao ser...Poeta! Não, não sou poeta, Não finjo a dor, Eu sinto o amor! A dor que antes sentia Hoje é suave melodia Como uma longa e ininteligível canção No meu coração... Não, não quero ser poeta Pra que documentar uma dor que nunca passa?! Não. Antes quero ser o teu amor O teu ultimo amor! Deitar ao teu lado Te amar aqui, ali... Te amar alem das palavras. Te falar baixinho, Te tocar terna, ardente Te beijar a alma Com ânsia, com fúria, Mas com calma, Serenamente Abrir meu peito, Te contar segredos, Afastar a tempestade, Amainar os teus medos e descobrir o mistério Que me faz maior Que me faz tão forte... Será fado ou será sorte? Não! não quero nunca ser poeta! Quero é pintar a aurora de bronze De prata, de ouro, Tecer sonhos, fantasia... Ouvir as estrelas, o sussurrar do mar... a me chamar pra mergulhar... Quando nasce o dia. E beijar de leve a tua alma Bem calma... "E quando o prazer chegar" Poder gritar: "Ai, que prazer não cumprir um dever Ter um livro para ler e não o fazer!" Só pra estar aqui com você! . Não, não sou poeta, não quero ser poeta... P'ra dizerem "que finjo ou minto Tudo que escrevo. Não. Eu simplesmente sinto Com a imaginação. Não uso o coração." Não! Ser poeta, não! Só quero ser o teu amor! E beijar a tua alma Bem calma...
|
Página Inicial Índice Quisera Os Poetas do Canal
Valeu! Valeu a atenção, Valeu a lição! Valeu até a canção Nunca cantada A nota nunca tocada! Valeu! Valeu o amor inacabado O verso mal escrito, Bem dito De um poema nunca recitado. Valeu o sonho na madrugada; A companhia ao romper do dia, A magia, O cotidiano! Valeu! Valeu o projecto não executado, Valeu... Até as palavras emprestadas, As rimas roubadas, O verbo sem açcão, O trajecto sem direção.... Valeu tudo!! Valeu a emoção da partida O êxtase da travessia Valeu o Sol, a Lua Outrora tão clara Em noites raras De beleza nua! Valeu até a chegada Apesar do cais escuro! Valeu Florbela, Valeu Chico, Caetano Miccolis, Affonso Romano O "Ausente" de Drummond... Valeu o "Adeus" de Eugênio Que ainda hoje me ressoa, Valeu essa, valeu aquela Mas sobretudo, valeu Pessoa!! Valeu!!!! Valeu tudo! Porque o Criador, O Poeta Maior, Só criaria Amor!
|
Página Inicial Índice Quisera Os Poetas do Canal
Cansaço Finda a tarde, Tarda a noite, O tempo é lerdo, A vida corre lenta, A saudade é como açoite! Agora... O sol vai embora, Mergulha no horizonte. Olho, bocejo e penso. Preciso do silêncio Retenho a canção... Tenho receio... Quanto tempo me resta? Será que ainda te vejo? Leio tuas cartas Releio os meus livros, Passeio na memória Da nossa historia, Devaneio... Onde está você agora? Cochilo... Deixo-me envelhecer À tua espera...
|
Página Inicial Índice Quisera Os Poetas do Canal
Não Vai Embora Não vai embora... sozinha, fico Metade! Você tem um poder tão grande de acender Os meus escuros, colorir o meu mundo, amanhecer As minhas noites... acordar a minha vontade! "Te amo" é pouco para dizer de tanto! Eu quero o teu amor no meu regaço... Quero a tua canção no meu compasso, Eu preciso da tua melodia para o meu canto! Foi no teu rosto que vi o meu reflexo Foi no teu reflexo que vi a minha chama Foi a tua chama que deu vida à minha vida sem nexo. Não vai embora... Não tire a minha imagem do teu espelho! Não deixe a taça suja em cima da cama. Reinventa com a euforia de Outrora a tua coragem!
|
Página Inicial Índice Quisera Os Poetas do Canal
"O Amor não Dura... Acaba?" "Nem tudo que acaba morre"... Quantos amores acabam sem morrer, Deixando milhões de versos por escrever? Quantas lágrimas abafadas, num porre... Quando acaba a noite e não é bastante o dia, Porque na alma a escuridão permanece! E os olhos choram, o corpo geme... parece Que nem a morte basta, para acabar tal agonia... Não acabam as perguntas... não bastam as respostas, Pois não há... O que se quer ouvir ninguém dirá. Acaso, bastarão aos montes as suas encostas? Ah! Quisera acabar este poema com um verso De amor, de esperança pura e de puro louvor! Existirá?! Algures há de existir... neste imenso Universo!
|
Página Inicial Índice Quisera Os Poetas do Canal