Seagull 02/Dantes, Lembras-te?
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Seagull 02 Joel Pacheco |
DANTES, LEMBRAS-TE? Dantes, lembras-te? Andávamos de mãos dadas pela vida. Falávamos por dentro do silêncio. A Primavera durava o ano inteiro... Tínhamos todo o tempo... Para ser felizes! Dantes, lembras-te? De mãos dadas Éramos o mundo! Moutinho
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Sunset 12 - Joel Pacheco/Mares que percorri - Moutinho
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Sunset 12 |
MARES QUE PERCORRI Odores azuis Pintados de mares que percorri Em marés verdes E ondas de incontida esperança... Desde criança que sorri Desde criança que sofri E ainda não deixei De ser criança! Percorri odores azuis De mares pintados De todos os sabores Sonhei todos os arco íris Do planeta... Fiz desta caneta Uma ponta de pincel As tintas caíram a granel Na paleta do poeta Agarrei no cinzel E fiz da pedra bruta Uma gruta violeta Mascarrei-me até Da cor da pele Africana Linda... forte... preta... Ultrapassei Todos os Adamastores Não havia Cabos Bojadores Que me travassem Amei, claro que amei! Amei todas as cores Que encontrei No Brasil... amei anil No Japão... foi salmão A cor da minha paixão Em Espanha... foi castanha A minha dor... Também passei por Paris Embebedei-me de amor E de anis... e de saber... Ali valia qualquer cor Qualquer mulher seduz Na cidade da luz E do prazer... Desde menino Viajei por toda a parte Sem sair da folha de papel, Sem sair da tela, Sem nunca viajar à vela, Fiz das palavras... mar... De ondas coloridas, Esculpi todas as feridas Que encontrei no sofrimento... Sem nunca sair daqui Bastou-me conjugar O que aprendi Pintando odores azuis De mares que percorri A POEMAR! Moutinho
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Retratos - Anarquista/Retrato-Moutinho
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RETRATO Vi-me nú No ecran transparente Dos teus olhos... Não foste tu Que me despiste Fui eu que vi A tua mente nua! Não me surpreendi Estava ali O retrato que querias Tudo o que não dizias
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Tudo o que ambicionavas E não pedias Todos os silêncios... As mágoas... As alegrias... O amor que imaginavas teu E ardilosamente perseguias Mas não era eu Não era eu Que tu vias Eu não sou O boneco de trapos Que se despe e veste Á medida dos teus sonhos Que se arruma Na prateleira Nos farrapos tristonhos Da memória Eu sou Um átomo de história Enquanto não explodir |
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Não
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Rio Tea - M. Rennée/Regresso - Moutinho
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REGRESSO Sente-se o espaço da tua ausência No vazio dos olhos baços Que o espelho me devolve pensativo! Alonga-se o pensamento Ao infinito do teu tempo À envolvente doçura Do calor dos teus abraços Percorrem-me a memória Imagens ainda tão reais Que nenhum espelho entenderá Retenho ainda todos os sinais Que desenhámos nesta história... Ali O primeiro beijo que roubei A mão atrevida, apetecida, Que deslizava, louca, Ao encontro do teu seio Turgído ao contacto Dos meus dedos Não havia já nenhum receio Desvendámos todos os segredos Proibimos todos os medos... Além Espalhadas pelo chão em desalinho As roupas que despimos Apressados Entre trovões de carinho, Trovoadas de ternura, Povoadas da sã loucura, De corpos apaixonados... Não foi tudo o que sentimos... Depois de todo o amor Enlaçámos sentimentos Olhámo-nos uns momentos e... Dormimos! Regresso Lentamente da ausência Ao limiar do presente O espelho devolve o riso Que sente no meu olhar Como se tivesse entendido! Moutinho |
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Foto: Rosa Neve - M. Rennée / Poema: Uma Flor - João Moutinho
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UMA FLOR... Uma flor violada É um tudo é um nada É a rosa que tenho na mão É um porto de abrigo É a mão de um amigo Que nunca me diz não Uma flor conseguida É quase tudo na vida É um passo A dar no paraíso Mas é muito melhor Se for feito em amor Nos lábios de um sorriso Meu amor És a flor do pensamento Meu amor Vejo-te a todo o momento Nos momentos de amor Que nos sabem melhor Que se sentem por dentro Uma flor que se quer Seja homem, mulher Malmequer Bem me quer O que importa É a força de ser O que a gente quiser Meu amor Folha morta Uma flor proibida É a mágoa da vida É a vida que morre ao nascer Á a falsa verdade De se ter liberdade De nunca se viver Meu amor És a flor do pensamento Meu amor Vejo-te a todo o momento Nos momentos de amor Que nos sabem melhor Que se sentem por dentro |
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Foto: Catedral - M. Rennée / Poema: Cai a noite na cidade - João Moutinho
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CAI A NOITE NA CIDADE Cai a noite na cidade Vai-se perdendo a vaidade Bebendo copos de mágoa Solta-se a língua de medos Deitam-se fora segredos Em cada wisky com água Cai a noite na cidade Nasce o dia à prostituta Mais outra noite de luta Outro dia sem idade Outra noite de verdade Vida dura, vida bruta As cantigas vão saindo Da garganta escancarada Sabendo a malte e cevada E há ouvidos ouvindo E há sentidos sentindo Que já não sentem mais nada Sem a saudade saber Vou bebendo por beber O que resta de saudade Vou cantando por amor Versos feitos com ardor E a noite cai na cidade |
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Foto: Fogo - M. Rennée / Poema: Fumos - João Moutinho
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FUMOS Não interessa a flor murcha? Não interessa o cair da folha? Mas é aí que esta a vida! Cada caída... É um recomeço. Cada fósforo aceso Tem um preço - O fumo do meu cigarro - E o que é a vida, Senão o recomeço do fumo? A labareda do meu fósforo Faz brasa Na cinza da minha vida! |
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Foto: Gaivota Sol - M. Rennée / Poema: Saudosa do Sol - João Moutinho
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| SAUDOSA
DO SOL
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Foto: Sobrevivência - M. Rennée / Poema: Fome - João Moutinho
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FOME Mate-se a fome de vez A fome que a gente sente De amor... De carne... De gente...! Mate-se a fome de vez Com tudo aquilo que temos, Com toda a força que somos, Com aquilo que pudermos E... Não perderemos nada! |
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