Poeta Nocturno

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Índice

Caminhos

Chora

Dúvidas

Lágrima

Lua

Mentira

Poema 3

 

 

 

 

 

 

CAMINHOS

 

PARTE 1

 

Cruzam-se caminhos,

estranhos abraçam-se sem saberem porque...

sem se dar conta,

tudo se venera, torna-se confuso,

mas, sem saber porque, a lua aquece o mar...

são paixões longínquas,

trazidas pelas quentes noites nebulosas,

algures por tortuosos caminhos,

que percorremos lado a lado...

Paira no ar a incerteza

descubro em ti a luz que a lua perdeu,

é assim que a tua face suplanta as estrelas,

silenciosas e solitárias que me levaram a ti...

A estrada acabou, antes de percorrermos o caminho,

fico só...

uma ravina separa as nossas almas

transpo-la e como fugir da morte,

tento dar-te a mão, mas mãos mais poderosas levam-te de mim...

sei que já não me resta muito tempo....

amanha serás apenas uma memória,

uma réstia de esperança no meu labirinto ,

sonho com o dia em que o muro cairá,

mas cá dentro sei que esse dia será tarde demais,

e ambos encontraremos o céu,

na mesma noite em que alguém nos criou...

 

Poeta Nocturno

 

PARTE 2

 

Agora que tudo acabou,

sento-me só a recordar, a pensar

perco-me sem saber bem em que...

o meu vago olhar percorre o sitio onde ainda há pouco estiveste,

mas apenas lá encontro o silêncio,

pois a tua presença desvaneceu-se em mim...

Acordo deste transe,

bebo mais um trago e recomeço...

sinto o calor de estar só,

choro um pouco,

rio-me, nem sei bem de que

onde me levas, penso eu...

já e tarde, é quase manhã,

e eu continuo só...

lá longe todos dormem,

tal como tu,

adoro pensar em ti a dormir

esses olhos fechados,

repousas enquanto te acaricio a face...

agora já tudo isso passou,

e os caminhos voltam a cruzar-se,

embora ninguém saiba bem onde...

 

Poeta Nocturno

9/1998

 

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LÁGRIMA

 

Mais um dia nasceu,

para mim o dia é um tormento que se segue a outro,

saio por entre raios de sol

tão radioso

mas dentro de mim nunca desejei tanto a noite...

uma nuvem sente o meu desejo e encobre o astro que nos ilumina,

rumo a nenhures

o meu destino é incerto, tal como toda a minha vida,

pessoas sucedem-se, como dias banhados por tempo e dor...

sento-me, deito-me na quente areia da praia,

onde outrora estiveste comigo,

também estas hoje comigo: na minha mente,

nos meus sentidos,

mas principalmente na minha alma

e em cada palavra que sussurro ao vento

sem sequer saber o seu significado

este mar que contemplo é um poema,

e, na minha mente fazem-se filmes:

ondas, luas, pessoas, rostos, palavras, enfim...

tempos cortados por olhares de viajantes,

fico imóvel, solitário

olhando ninguém sabe o que...

pessoas brincam na areia,

olham-me como um vagabundo

perdido de olhar, de alma quem sabe

contemplando o azul, outrora tão belo,

hoje traz consigo morte e recordação....

subitamente acordo... tão tarde, que faço aqui?

porque me arrasto para este lugar?

sinto-te a meu lado respondendo as minhas duvidas,

a tua presença não me engana, mas ao olhar em redor...

nada... apenas a minha sombra na areia...

tento escrever, mas a cruel lagrima que se solta interrompe o poema...

 

Poeta Nocturno

5/2000

 

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LUA

 

É tão bela e doce a lua,

E ela que me ensina o caminho,

Que sabe quem eu sou,

A pálida luz que emana diz-me,

Conta-me ao ouvido coisas belas,

Segredos que encerro em mim…

Milhares de loucos se interrogam se o serão,

Enquanto serenamente te contemplam,

Rezando para que o amanha seja um dia melhor,

Enquanto os sãos regressam a casa, guiados pelo luar…

 

Sinto-me, tão só,

Mas sou o rei de tudo o que a vista alcança

Olho o vazio que ha pouco fervilhava,

Caminho em pensamentos,

Mas o céu esta tão lindo!!!

Estrelas cadentes fogem,

Talvez para te encontrar,

Sinto-me livre…

Aqui sentado a tua espera,

Como se surgisses de repente…

Mas tudo não passa de uma miragem,

Reparo que estou só,

Apenas uma nuvem rasga o céu,

Sei que amanha ira chover,

Ainda bem , pois assim ninguém vai reparar que estou a chorar…

A lua tornou-se a única ocupante no meu coração,

Tão triste e sincera companhia,

Que todas as verdades me diz…

Solitário, regresso a casa…

 

Poeta Nocturno

8/1998

 

 

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POEMA 3

 

Hoje sinto-me sÓ,

talvez a culpa seja minha,

apenas da minha ignorÂncia,

nunca tive corAgem de te mostrar,

tudo aquilo que me consome,

pois sou apenas o que queres ver...

Gostava de me perder em ti,

saber que me amas,

sentir acompanhada a minha doce solidão,

todas estas almas não me pertencem,

apenas queria uma: a tua...

somos iguais,

pensamos demais,

adoramos magoar os outros,

só para não nos magoarmos a nos...

deixa-me libertar tudo o que tenho,

observar-te, sentindo o mundo,

mas sei que te perdi,

tudo aquilo que toco apenas destruo...

tudo e demasiado frio,

quem me dera ser frio,

poder deixar-te só, perder-te

só para te sentir magoada,

infelizmente nem isso sou capaz...

Neste momento não sou nada,

sou apenas um lampejo que te ilumina,

mesmo que seja por um instante,

só queria morrer...

dava tudo para não te voltar a ver,

apenas sou feliz, por breves segundos,

estou para sempre condenado...

 

Poeta Nocturno

11/1998

 

 

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VISÃO

 

Esta noite estou tonto,

saio a rua,

devaneio nas virtudes das almas alheias,

sabe bem sentir a aragem no rosto

ouvir doces palavras sUssurradas pelo vento...

eles passam por mim,

perdidos em desejo,

metidos nas suas pequenas vidas,

nos problemas que fazem girar o seu mundo...

também o meu e uma roda viva,

sinto-me pequeno perante tantas almas em comunhão

perante tantas palavras ditas por bocas alheias,

sei que cada um de nos e poeta,

pois todos nos damos ao sentir,

e eu sinto!

anseio por sentir mais

anseio por paz

mas quando acordo...

venho subitamente a mim

e encontro-me na solidão deste quarto,

onde as verdades estão contidas em suas paredes,

em forma de memórias,

de recordações

de pensamentos que me ocorrem

fugazes como a primeira paixão de doces adolescentes...

sento-me a escrever o que vejo nesta folha em branco

talvez quem sabe ,

talvez alguém se digne a ler,

compreender o que me vai na alma e não consigo dizer,

ou o que quero dizer e não tenho coragem,

pois somos aquilo que os outros querem ver,

somos corpos,

pedaços de céu, encarcerados,

mas a visão da noite que se aproxima faz-me de novo sonhar...

 

Poeta Nocturno

5/2000

 

 

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CHORA

 

Chora,

Liberta essa dor sem fim,

Porque algum não está aqui,

Talvez para te fazer sentir melhor….

Lagrimas caem pela tua face…

Talvez, ninguém saiba quem tu és

Magoam-te sem saber,

Hoje sei que estará a chover,

Nos teus olhos castanhos, que não quero perder…

Deixa,

Larga a minha mão,

Hoje vou partir, deixa-me ir,

Ate ao fim,

Estou farto de mim,

Mas tu vais ter de continuar a chorar…

Sonhas,

Que o amanha será melhor,

Todos te perderam , só te tens a ti

Recomeça a tua vida,

Talvez hoje tenha sido o fim…

Sente,

Esquece esse teu ardor,

No dia em que eu morrer,

Ninguém poderá sofrer,

E o céu vai estar azul…

Ao longe, alguém estará a chorar…

Poeta Nocturno

3/1999

 

 

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DÚVIDAS
...

O meu anjo suspira, 
mas onde ele estará?
será que existe?
tantas perguntas quando apenas anseio por amar...
esta dor que me faz escrever palavras, 
este pequeno recato que me faz sofrer
na solidão de mais um dia, 
onde me contas segredos, vidas passadas, 
vidas onde não existo, 
onde a luxúria e a posse são mais fortes, 
dizem-me que morri...
acredito, morri por mim, 
por aquela pequena ilusão que não tenho, 
que talvez nunca tenha tido, 
amor, puro, sentido, 
mas a vida é mesmo assim:
noites belas de Verão, passadas no sótão da minha mente, 
observando o negro do céu, 
todos os astros que nele nevegam, 
a face da lua, 
sabendo que um dia alguém chegará, 
perto de mim, 
com a sua mão alcançando a minha face, 
fazendo-me voar, como outrora voei...
e o suspiro é mais reconfortante quando se sente a brisa, 
deste mar do Guincho, fiel companheiro, 
onde ondas me lambem os pés, 
e onde todos os meus segredos estão depositados, 
talvez para um dia tu abrires essa pequenina caixinha
e descobrires a matéria que me faz ser alguém...
a face mais bela da lua, que sei que em breve chegará a todos nós...
...
...
Poeta Nocturno
...

 

 

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Mentira

 

 

Dizes coisas belas,

palavras que me fazem duvidar se serás tu...

és uma ilusão,

criada por mim, por ti...

a tua existência é dor,

tudo o que dizes perfura-me a mente

tortura-me os sentidos,

quase mortos pelas palavras que me fazes dizer,

palavras...

traição

doce desejo e triste anseio que anseio não sofrer,

arte de poetas, a dor,

a dor que me dás, cada vez que me lembro de ti,

do teu olhar,

do teu toque,

de cada falsa palavra que me dizias,

de cada sentimento não sentido,

a revolta em mim é maior que qualquer lago

azul, perdido nas montanhas de um qualquer paraíso

apenas existente naquilo que sonho,

no meu pequeno mundo,

no meu éden onde apenas os que merecem deviam entrar,

mas a mentira é maior que qualquer verdade,

pois todo o ser humano é infiel à sua mão...

tal como tudo aquilo em que crês e não possuis é falso...

tal como eu, como tu, como nós,

e o falso Deus que insistiu em nos criar...

...

Poeta Nocturno

6/2000

...

Dedicado a todos aqueles que vivem a vida pensando que o mundo é apenas o toque e a palavra, esquecendo muitas vezes os desejos e os anseios do próximo

 

 

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