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Lembro-me de quando era feliz...
Lembro-me de quando era feliz... Lembro-me de quando era feliz, Dos meus tempos de criança, Em que, sem me preocupar com nada, ( a não ser partir o nariz...) a rir, jogava à apanhada... Bela lembrança! Agora, já mais crescido, Apenas uma sombra do inocente, Já me fazem adulto, Ignoram o que tenho sofrido, Por causa de todo o tumulto, Deste mundo demente... E acham estranho Se, por acaso, revelo Um pouco da minha alma, Que quase sempre fechada tenho, E volto -como sempre- à calma Onde, por costume, a selo... Rui
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Invento versos sem sentido... Invento versos sem sentido, Luz revelo às minhas ideias, Um correr de pensamentos, Sonho de que afinal não passou... A vontade de fugir à realidade, O sonho que me foi imposto... (28/4/2000) Rui |
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Não sei porque ainda tento... Não sei porque ainda tento... Será que me ando a enganar? Cada vez me desvio mais do meu intento, E o tempo continua a passar... Amanhã pode ser um dia novo, Mas de que me serve isso, Se só ao deitar, o pensamento movo, E de manhã não mais o atiço... Talvez se conseguisse romper esta rotina De só ao fim do dia reflectir, Me conseguisse libertar desta aparente sina De nada realizar e de de tudo fugir Apesar da grande dificuldade Mais vezes deveria ter tentado Arranjar, pelo menos, a capacidade De para a vida estar acordado O sol brilha, e eu nada vejo A brisa passa, e não a sinto Às vezes, como Pessoa, tenho ensejo De me afogar, num qualquer tipo de absinto Pelo menos, seria melhor Que este mundo de irreais Onde sou um estranho sonhador E nem ouço cantar os pardais Para que serve tudo isto, O sol, a brisa, os pardais, a Lua... Se mais uma vez, desisto E a minha alma fica nua... Sei que parece loucura (talvez mais, talvez menos, um pouco) Às vezes, o que o futuro augura Deixa o meu coração rouco E é por isso, talvez, que gracejo De maneiras incompreensíveis Por as coisas que vejo Já não me parecerem tão impossíveis Algo dentro de mim sorri Como quem quer chorar Ironia, digo eu aqui, Uma tristeza para alegrar Difícil de compreender Porque me sinto des-sintonizado Por a realidade nada mais ser Que o universo onde estou confinado A minha única libertação É quando sonho, a dormir ou acordado Só no limbo da imaginação Eu me sinto realizado Rui, 22/2/2000
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DE NADA TENHO A CERTEZA... De nada tenho a certeza Unicamente tudo se desfaz Vindo então uma aspereza Impura, do pensamento incapaz De tudo, tenho enfim a incerteza Andando para a frente, dou passos para trás Rui (14/6/2000)
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PORQUÊ? Porquê nada faz sentido? Ou o sentido que faz não é o meu? Porque solto mais este gemido? Porquê sou da religião de mim ateu? Porquê mais um sonho sofrido? Porquê esta escuridão de mim? Porque é este caminho percorrido? E porque acaba neste abismo sem fim? Porque serei só na multidão? Porque toca esta música maldita? Porque não deixa o meu coração? Porquê a mente se agita? Porquê esta batalha sem razão? Porquê este perpétuo procurar? Porquê esta indecisão? E porquê à deriva me sinto navegar? Porquê?! Rui (15/6/2000)
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VERMELHO BRILHANTE... Vermelho brilhante, quase irreais Os números, como néon, mudam Deixando para trás o rasto Da sua passagem, finais Como se de uma miragem, Não fossem senão pasto Miragem esta, a vida, que Não possa ser assim medida Mais do que o escapar da verdade, Oculta em penas Que, por de cinzas já passarem, Não são mais que mortas Pelos números passantes Do quartzo... Rui (14/6/2000)
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Barco que parte ao luar Barco que parte ao luar Essa deliciosa viagem Ida e volta sem navegar Jornada em que apenas se perdem Os que ainda ousam sonhar Rui (15/6/2000)
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Sentado aqui, Sentado aqui, A ver as flores crescer Só quero estar ao pé de ti E, no entretanto, a minha alma parece morrer Os pássaros cantam, as nuvens passam E eu ainda aqui sentado O sol brilha, as flores dançam Com o vento, e algo por fazer é desperdiçado Não sei quando vou acordar, Ver finalmente a realidade, Ou se já acordei, ou se continuo a sonhar A vida passa a correr, na minha cidade A um ritmo tal passa a vida que não consigo sequer vislumbrar, onde estou nesta imagem perdida, nem quem está a cantar... Só as árvores compreendem porque me sinto assim Só elas, enfim, sentem porque a vida passa, e tem fim Rui
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Que vejo eu na lua? Que vejo eu na lua? Porque não deixo de a olhar? Talvez procure uma faceta tua Algo que não quero largar Um grito soa dentro de mim Raiva que não quero soltar E ganha tal força, que mesmo assim Sai, e é a mim que vem castigar Por ter a alma vazia E não ter coragem de a encher Por não saber o que diria Se não houvesse mais nada a dizer Não sei como tenho vivido E, ainda menos, estudado Tão mal me tenho sentido Sem te ter ao meu lado Rui
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