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Desnorte Eu vagueio pela vida Sem bússola de orientação. Não tenho ponto de partida, Nem bóia de salvação. No mar calmo ou entre escolhos Contra ventos e marés. Faço eu as minhas escolhas, Com a cabeça ou com os pés. Por vezes pergunto à vida: Porque me fazes isto a mim. E a resposta é sempre a mesma: És tu quem me faz assim. Navego na cidade, Trago três marinheiros, Em busca de liberdade Da fadiga prisioneiros. Somos um pequeno bote No meio de grande frota. É o destino que me empurra, Mas sou eu quem traça a rota. Por vezes pergunto à vida: Porque me fazes isto a mim. E a resposta é sempre a mesma: És tu quem me faz assim. Pedro Farinha - Dezembro de 1999
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Tu, Eu e Nós É nos teus olhos que vejo a luz que me guia É no teu corpo que encontro o refúgio que me aquece É na tua boca que vislumbro num sorriso a alegria É no teu ventre que de noite o meu rio se desvanece É nos meus olhos, quando os abro, que o dia amanhece É no meu corpo cansado que a tua mão me guia É na minha boca que as palavras dizem o que lhes apetece É no meu ventre repousado que recordo a alegria É nos nossos olhos quando se cruzam que se faz o nascer do dia É nos nossos corpos entrelaçados que o calor se humedece É nas nossas bocas beijando-se que sinto a magia É nos nossos ventres tocando-se que essa magia acontece. Pedro Farinha - Setembro 2000
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