Índice
AMOR Afastem-se todos Abracem-se todos Todos, o mundo todo! Sejam flores, sejam vento Sejam sois, sejam fogo... Sozinho e apertado. Quero beber, beber, beber Copos de flores em flamas Selvas em rubro ardor E secar e estalar, duro. E ser água e não ser nada. Não quero seguir ordens Quero viver livre Do grades o amor das negro . Amor... quero colocá-lo No mais alto pino Quero perder os braços Quero alguém que Me suba ou deixa Que me sorria ou ralhe Que me diga - existes! Não quero ser alguém Quero simplesmente Que me deixem só Para me matar Uma e outra vez Do forma, mais seca Uma... e outra... vez... Quero simplesmente morrer Uma... e outra... vez... Quero olhar-te Quando estiveres acompanhada Por ele, ou por outro, alguém que me faça... Uma... e... outra... vez Morrer com a maior violência Com a maior dor do Universo a pouco... e pouco Uma ... e ... outra vez... Com fogo, sim, arder, Arder, a pele, arder os olhos, Arder o peito com dor, Muita dor e com facas Agulhas. Faz-me sofrer mais e mais! Beija-o, ama-o, abraça-o Pobre fogo, não tem culpa Da pobre impotência, pobre... Abraça-o com força Vive eternamente com ele.... Mesmo aos meus olhos.... Adeus... a todos... |
Página Inicial Índice Jazz Poetas do Canal
CRONOSTALGIA Há dias em que estes dias deixam de ser dias as respostas chovem em sopros ao sol e o trapezista do nosso peito quase trapezeia ao chão é nesses dias que a vida deixa de se sentir atrasada para a morte e se senta a sorrir embalada no seu peito
|
Página Inicial Índice Jazz Poetas do Canal
DELÍRIO Abram as cortinas da noite! Que já passou... Alentem bem as estrelas, Que já passou A primeira ventania Que varreu. O que levou ? - Levou o que levaria A mais fútil ventania: toda a calmaria, Que foi melancolia Diabo que ria Trovoada em folia Gato negro que sorria E quem sabe que mais seria ? Pintem as nuvens cor de dia Que o azul do céu recite poesia, Pois o poeta vai em festa E a festa vai em poesia
|
Página Inicial Índice Jazz Poetas do Canal
JAZZ Apaguei todos os sons com pincéis de borracha, não me atrevi a dizer nada pois, tinha o meu silêncio em orgasmo longe era o teu som como jazz, ligeiro saía alegre, entrava mudo outras saia surdo gosto tanto do teu jazz que fico mudo, quando não sinto por ti tudo no tudo também há o sol e o centrípeto de uma força que me deixa de todo mudo sempre que apenas o teu jazz é apenas o meu por ti, tudo. Nuno Margalha |
Página Inicial Índice Jazz Poetas do Canal
O PAM PUM FADO DO PIM Tinha um peluche de palhaço, Arrancou-lhe os olhos. Estava palhaço o cego, Comprou-lhe um cacheiro tinha no canudo uma palma, fechou-lhe a mão. estava estudante o preso, deu-lhe um maço de cigarros um dia fugiu da prisão no outro foi visto por um peluche ao terceiro dia viu um canudo nas solas de um estudante no quarto dia educou o filho sem bengalas nem prisões. E ao quinto faleceu enquanto dormia, Na sua acolhedora prisão número dois. João da Silveira
|
Página Inicial Índice Jazz Poetas do Canal
VÓRTICE DE ALTA COSTURA Soltem as gaiolas Varram as árvores Afoguem a água Soprem a cinética Apaguem a cera Derretam o ácido Já nem não ser vale, E vai na volta, nem escrever... Encerei o brilho aos olhos Cerrei a anarquisía do cabelo Poli a alma, descançei as olheiras Amadureci o olhar em estufas Conservei o sorriso em formol E de que me valeu ser a melhor na bela arte de não ser eu? Se nem aí logrei coisa alguma... Adormeçam o sono Encandeiem o sol Enegreçam o escuro Queimem o fogo Devolvam-me a mim... Por favor, apenas desejo não ser para sempre no meu regaço alegremente vazio. Maria Papoila de Deus |
Página Inicial Índice Jazz Poetas do Canal
AMARELO LÍQUIDO Como é bom rir... Bem no hipocentro a mãe grávida Cerra os olhos, enruga o rosto E nascem, nascem, ondas, ondas. Que crescem, que crescem, que crescem Já está uma no epicentro Em fluxo constante empurram o pau da cara E outra e outra e outra e outra E é luz mais luz mais luz luz luz luz Sol sol sol sol sol... 12-8-97
|
Página Inicial Índice Jazz Poetas do Canal
ANTOLOGIA DIÁRIA Tenho a inteligência doente o amor saudável e a vida atrasada Bato uns ovos num parabloide elíptico e pano uns filetes, para atrasar 'inda mais a vida. E um homem com uma boca grande vende mais elipses batatoides na rua E esfaqueio um cardioide mole enrubescido, vivo E esfaqueio um cardioide mole enrubrescido, morto E estou deveras estafado Monto uma parabloide hiperbólica nas costas de um cavalo preto, sem peito vivo e 'inda muito estafado Troto Craqueio a calçada até ao espelho mais próximo E sou um assassino E sou um péssimo cozinheiro E um doente intelectual E estou deveras pouco vivo E estou eras pou E estou E não Fui Garguilho Grito Negro
|
Página Inicial Índice Jazz Poetas do Canal
RECITAL FLUVIAL... A teus olhos que me parem Lanço lambedelas meladas Pela tua língua que tanto me atira Para o teu céu de rua boca, Atinges somente estes dentes, E pouco a pouco estes ouvidos meus teus Ouvem vozes roucas, mofadas numa gaveta que se abre É a minha língua, saltitante, em tua boca, Afogados em mar de mel teus olhos vêem-me, Só, rodeado de ninguém, todo lambuzado de mel Disfarçado de biólogo que pinta o romance Na simetria de um espelho desfeito Que escorre para um oceano reflectido Num céu que nada no nada de um azul Que me sacia e confunde.
|
Página Inicial Índice Jazz Poetas do Canal
NOITE DE NATAL Não sejas, morre um pouco Na alva penugem do berço natal... Bem aconchegadinho deixa-te abraçar P'lo fofo amor morno. P'lo mundo do teu ninho. Morre um pouco, Sonha um pouco, Dorme um pouco, Voa um pouco, E sente-os, meu passarinho... Os olhos brilhantes, parados, nos teus. Os casacos de malha bondosos... Demorados E regá-la esse teu ímpio pio, Esse teu cheirinho bebé Essa semente em simbiose, Assim, pequenino, sentadinho, Assim, à lareira com a avózinha, Sozinho... Dorme... 24-12-97 |
Página Inicial Índice Jazz Poetas do Canal
TEORIA DO PLÁSTICO Vi o oceano de blusão de cabedal O sol de chapéu preto cubano Os meus móveis em blues session E um sentado, saxofone a chorar no seu som O céu ressonava num sofá No lugar do oceano Um mendigo gritava: "onda vem, onda vai" No do sol um africano sorria No lugar dos meus móveis a minha mãe sustia livros No do céu um ícaro gritava: "agora sou céu" Mas o saxofone, esse, chorava mesmo no seu som Se a Natureza fosse Homem os Homens seriam péssimos actores. e o saxofonista seria de plástico. Margalha
|
Página Inicial Índice Jazz Poetas do Canal
VERTIGENS LÍQUIDAS PUM! adormeci. cravo o forjado de um portão ferro Num troço de oceano azul MEU! Sou apenas, apenas um saxofone surdo Com uma herdade d'água onde bebo os blues das cores numa cadeira líquida onde fumo um cubano, ofereço outro a um golfinho à tardinha subo ao dorso de uma baleia e lanço ali uns sons cor de crepúsculo SURDOS! Limpo a minha palheta arrumo a braçadeira embrulho-me numa onda fofinha cerro os olhos e ACORDO PIM! -------/-------
|
Página Inicial Índice Jazz Poetas do Canal
TU O beijo desce sobre uma pele d'água coberta de ceda creme nas carícias da brisa és frágil falas por sinceridade sabes da tua ingenuidade e gritas suave vital, constante: Amo-me! Lucia Berlinde
|
Página Inicial Índice Jazz Poetas do Canal
ESTIQUEI UMA Estiquei uma mortalha
cobri-a com o marulhar
Das ondas
Do
Mar
enrolei
lambi suave
peguei-lhe com dois dedos
Travei
o fumo cobreou em cinzento,
suave
pelo céu da boca, escuro...
ondeou... ondeou... ondeou...
p'lo meu corpo, esvaído,
frágil, na areia, nas dunas,
na sua pele...
maciaram em mim carícias, vento,
em doces canções
Abri os olhos
Esfreguei
Voltei para casa e fui trabalhar.
___________________/___________________
|
Página Inicial Índice Jazz Poetas do Canal
CHORAM DUPLOS... Choram duplos os meus, adormecem, unos nos teus, recuam fixos tremendo, de, dardejam-se no vazio, em meus olhos, teus olhos, de terror, em fogo Por mais fortes, eles... por mais teimosos, eles... por mais insistentes, eles... apenas te olham, apenas a ti, te olham, os meus, poisados, fundo. rasgados, sujos, a trouxe moxe no chão, dos teus... enquanto atravesso enquanto me sento enquanto sou... Apenas nos teus, mendigam, .........os ...........meus. |
Página Inicial Índice Jazz Poetas do Canal
AMARELO LÍQUIDO Como é bom rir... Bem no hipocentro a mãe grávida Cerra os olhos, enruga o rosto E nascem, nascem, ondas, ondas. Que crescem, que crescem, que crescem Já está uma no epicentro Em fluxo constante empurram o pau da cara E outra e outra e outra e outra E é luz mais luz mais luz luz luz luz Sol sol sol sol sol... 12-8-97
|
Página Inicial Índice Jazz Poetas do Canal
AZUL LÍQUIDO
Tão bom, é tão bom, chorar...
Vêm gota a gota,
Levam um pouco do cristal dos olhos consigo
Gatinhando nas ondas do deserto
A primeira caminha tímida em pontinhas
Exita... o caminho está livre,
E lá vai a criança rebolando nas dunas
Então exita de novo...olha para si, e decide...
Corre, salta, e mergulha no abismo,
Morre
Mas já outra é criança e já outra, caminha...
tímida...
|
Página Inicial Índice Jazz Poetas do Canal
ANTOLOGIA DEPRESSA vivo em mim e vejo-me nos outros para ser melhor o tempo não se pendura em elásticos pendura-se em ripas de titânio para não perder a sua pontualidade para se por nós destravar poro, a poro tenho muita pressa por isso vejo-me nos outros não me posso desmantelar não há tempo! não-há-tempo e já estou atrasado de novo não há tempo! É em dias de não tempo que me olho de raspão, só, sem outros quando o não tempo não me vê. Tem de ser assim não vá o titânio ceder e o tempo cair de uma vez! arre! já estou atrasado ---------/---------- ZeZéCurto
|