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DE AMOR TAMBÉM SE VIVE... "De amor também se sofre e morre"- disse-o Algum poeta triste, sem afecto. O amor tem mesmo o gosto predilecto De juntar dor e prazer desde o início. O amor num tempo é céu e precipício E ninguém interfere em seu trajecto: Unindo o beijo à fúria e o sim ao veto, Às vezes é virtude, às vezes vício. Sonho maior que a vida humana alcança, Eu busquei-te, amor, no desconforto, Segui teus passos como um detective. Hoje posso dizer, com segurança: Não fosse o teu lampejo, estava morta. De amor e de paixão também se vive!
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DOS BEIJOS O beijo feriu minha boca, O beijo foi puro desejo. Desejo outro beijo, desejo. Eu quero uma vida bem louca. Se é beijo de Judas, traição. Se é beijo de mãe, é amor. Se é beijo de morte, certo é dor. Um beijo de bem, coração. O beijo do adeus é saudade. Se chega, é um beijo, alegria; Transforma a tristeza, magia, Devolve a felicidade. O beijo rasgou minha vida. O beijo disse tudo que vejo. Faísca explodiu num lampejo, Saudade foi logo vencida. Um resto de beijo deslumbra Na boca uma doce secura E fica a imagem mais pura Do beijo dado em penumbra. Não quero um beijo de espanto, Eu quero é um beijo ardente Que deixe minha mente dormente Que deixe na vida um encanto. Eu quero o beijo que embaça E o corpo assim desfaleça. Por mais que isto não obedeça, E a minha paixão satisfaça.
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EXPLOSÃO O destino está ali passou, olhou e sorriu distraídos... ninguém viu ele esteve aqui Todos procuram todos querem poucos enfrentam muitos se ferem Feridas sem sangue marcas indeléveis dor estanque passos a revés um passo a frente um olhar cortante um toque n'alma se sente a paz vem confortante angústia pelo encontro indecisão pelo caminhar o perfume deixa tonto a voz, faz inebriar o tempo para o coração a ansiedade se acomoda o toque traz só emoção dali para frente nada se poda a distância se vence no olhar quatro estrelas estão a brilhar de repente não mais reluzem bocas juntas tudo traduzem não há mais hesitação um corpo só reaparece não há mensuração sentimento floresce não há ato de indecência não há como conter a explosão a entrega tem uma só essência arde no peito a paixão
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SAUDADE Doce ilusão és tu, saudade amiga Que faz lembrar um bem que já passou; Faz reviver ternura tão antiga, Faz recordar quem foi e não voltou. És muita má, querendo repassar Todas as dores; quem veio e quem deixou Em nossa vida um rastro a demonstrar Que o riso veio, brilhou e se apagou. Mas não pranteies, não chores, oh saudade. Não te consumas, pois és a companheira Da alma triste, cheia de bondade; Da pomba nobre, livre e altaneira. Pois quem na vida não viveu momentos De amor, ventura ou de felicidade, Jamais terá um sonho entre tormentos, Jamais sentiu, nem sentirá saudade.
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SILÊNCIOS Gosto de silêncios encabulados Silêncios envergonhados, Silêncios apaixonados Ou mesmo, do despudorado Silêncio do amor perdido. Silêncios que me encabulam: O da lágrima rolando na face que já foi querida; O do olhar apagado Em horas de despedida. Silêncios que me entristecem: O da criança que esmola, Atrás do vidro fechado do carro; Dos governantes, Diante do país desgovernado; Do retirante, Saindo do ninho obrigado. Do povo abaixando a cabeça, Como se fosse gado. Silêncio que me fascina: é o silêncio dividido. Quando junto de quem se ama É o silêncio que domina. Um Sorriso...Uma Lágrima... Se sou sorriso Sou montanha Sou sol Todos chegam a mim Todos procuram meu calor Minha energia Minha alma feliz! Confiam na minha palavra, Na minha alegria. Na rosa que coloco em cada coração... Que floresce cada vez mais ,alegrando corações... Se sou lagrima, Se choro, Se inundo minha alma de tristeza, Se falo... Ouvidos se tornam surdos E pessoas se vão como o vento... Não permitem nem o escutar da brisa O tocar da brisa... Se escuto a tristeza Assimilo a tristeza... Toco na tristeza Tomo a mim a emoção triste E coloco a felicidade em cada coração Em cada alma. Se minh'alma esta sofrida Sangra de tanta dor Lateja as gotas do sangue... Não encontra eco Que suavize minha dor... Que estanque este jorrar de vida Sare esta ferida sofrida... Calo então minha alma... Sufoco este gritar E volto a sorrir pro mar Pro amar Pro amenizar outras feridas... E no acalanto da minha solidão Madrugadas sem fim Estradas paralelas Que nunca se encontram Numa, ...a lágrima Noutra, ...o sorriso... E O SORRISO NÃO CALA MEU PRANTO... A LAGRIMA NÃO CONSEGUE SORRIR... Uma saudade Todos a olham Todos a querem, Mas ela quer Apenas um E esse "um" Não a quer, Pois já tem a Quem querer. Ela se desespera, Ele não dá bola. Então ela chora E ele ri Ela sonha Ele vive a sua realidade, Que para ela é Uma mentira E essa mentira, Que para ele é Uma verdade Torna-se, Para ela, Apenas uma saudade.
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SÍMBOLOS Eu e tu, ante a noite e o amplo desdobramento do mar, fero a estourar de encontro à rocha nua... Um símbolo descubro aqui, neste momento esta rocha, este mar... a minha vida e a tua. O mar vem, o mar vai, nele há o gesto violento de quem maltrata e, após, se arrepende e recua. Como compreendo bem da rocha o sentimento! São muito iguais, por certo, a minha mágoa e a sua. Contemplo neste quadro a nossa triste vida; tu és esse dúbio mar que, na sua inconsciência, tem carinhos de amor e fúrias de demência! Eu sou a dor estanque, a dor empedernida, sou a rocha a emergir de um côncavo de areia, imóvel, muda, isenta e alheia ao mar, alheia.
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Sonhos Quem nunca esteve tão perto de conquistar seu sonho e acabou perdendo? Quem nunca sentiu uma imensa felicidade ao realizar um sonho? Quem nunca sonhou algo possível ou impossível? O que seríamos sem sonhos? Sonho, é tudo aquilo que queremos é tudo aquilo que almejamos é tudo aquilo que parece estar tão longe ... No sonho, tudo é permitido, nada pode ter limite, qualquer um pode sonhar ... Às vezes o ser humano é tão sonhador, que quando vê conquistado o seu sonho, não lhe dá o devido valor ... m outras vezes, passa muito perto do sonho mas nem o reconhece ... É preciso que estejamos preparados para a realizações de nossos sonhos, para que quando ele estiver em nosso presente, possamos nos sentir satisfeitos com ele. É preciso que sempre tenhamos sonhos, para a vida ficar mais leve, para estarmos sempre de bem com o mundo, para termos motivos para acordar todos os dias, para que o nosso coração não se sinta vazio, para que o nosso amanhã seja a realidade dos sonhos de hoje ...
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SONS TUM! A porta bateu. Ou foi meu coração? Crash! O vidro quebrou. Ou foi o meu silêncio? Flash! A máquina registrou algo lindo. Ou foram meus olhos? Smack! O peixinho dourado emitiu. Ou foi meu lábio acompanhado? Tchan! O prédio caiu. Ou foi minha máscara da vergonha? Ai! Descobri uma coisa: Como é duro estar apaixonada!!!ALÍVIO, DOR, UTOPIA OU AMOR I Minha vida, vem me dar O que mais quero ganhar Seja alívio, seja dor Utopia ou amor II Alívio é bem vindo Dor, somente se necessário A utopia já existe, e O amor... sem comentários! III Alívio nos deixa Leve e serena Sem culpa no coração E com esperança nas mãos IV Dor nos abre portas para o pensar Descobrimos o que temos de bom E começamos a lutar V Utopia às vezes é bom Nos permite imaginar Com ela até o impossível Se deixa concretizar VI Amor nem se comenta Amor se desvenda Seja no papel ou na lágrima Seja no abraço ou na palavra VII Chego à conclusão Que o ALÍVIO cega a DOR Que formou aquela UTOPIA Num concreto AMOR. É o mesmo O amor que se encanta com a singela beleza É o mesmo que se desilude com a dissimulada feiura O amor forte, arrebatador, dominador É o mesmo frágil e amedrontado O amor irracional, inconsciente É o mesmo lógico, preocupado O amor que premia e recompensa É o mesmo que pune, maltrata O amor que germina aos pouquinhos É o mesmo que agiganta repentinamente O amor que resiste ao furacão É o mesmo que cede a débil brisa O amor que surge do nada É o mesmo que sucumbe no tudo O amor que se tranca a sete chaves É o mesmo aberto, livre O amor cheio de segredo É o mesmo indisfarçável O amor sincero, verdadeiro, honesto É o mesmo que mente, ilude, engana O amor que atrai É o mesmo que trai O amor que dá vida É o mesmo que provoca a morte O amor que renuncia a tudo É o mesmo que exige o efémero infinito O amor que esconde, omite É o mesmo que delata, acusa O amor pudico É o mesmo despudorado O amor que consome a vida É o mesmo que alimenta a alma O amor que consola É o mesmo inconformado O amor que estremece todo o corpo É o mesmo que paralisa O amor que não deixa dúvida É o mesmo que não dá certeza O amor que exige tudo É o mesmo contente com pouco O amor infinito É o mesmo que acaba repentinamente O amor que não aguarda nem um segundo É o mesmo que espera por toda a eternidade O amor que perdoa tudo É o mesmo que não tolera nada O amor que só diz sim É o mesmo que nega sem motivo nenhum O amor que se incendeia calorosamente É o mesmo que apaga à toa O amor que se consome na cama É o mesmo indiferente fora dela O amor que floresce É o mesmo que produz agressivos espinhos O amor que gera É o mesmo que mata O amor que sente cada segundo passar É o mesmo do tempo infinito O amor que atormenta É o mesmo que acalenta O amor que humilha É o mesmo que esnoba O amor que guerreia É o mesmo que celebra a paz O amor que aprisiona É o mesmo que liberta O amor que deseja É o mesmo que repudia O amor que inspira esses versos É o mesmo que rasga o papel O amor que te trouxe É o mesmo que te leva
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TRADUZIR-SE Uma parte de mim é todo mundo: outra parte é ninguém: fundo sem fundo. Uma parte de mim é multidão: outra parte estranheza e solidão. Uma parte de mim pesa, pondera: outra parte delira. Uma parte de mim almoça e janta: outra parte se espanta. Uma parte de mim é permanente: outra parte se sabe de repente. Uma parte de mim é só vertigem: outra parte; linguagem. Traduzir-se uma parte na outra parte - que é uma questão de vida ou morte - será arte?
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