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A chama não se apaga A doçura do olhar A voz Amálgama Amar Ânsia
Eu e a minha alma Evasão Intromissão Lealdade Minhas mãos vazias
Nostalgia Palavras Esquecidas Ser só Silêncio Uma lágrima
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| AMÁLGAMA
Música Sons, palavras, poesia, Tudo isto em nós existe, Barcos poéticos que navegam no mar espiritual, Transportando o espírito, a alma Para os horizontes do infinito Toda a amálgama do sentir! Na música, Nas palavras, Na poesia, Pode todo o ser correr, Não parar para pensar, Libertar o pensamento, Não travar o conhecimento Esbarrar em contradições Ficar preso por envolvências De más consciências, Mas fica sempre livre o sentir, O pensar, Embora nem sempre o agir, Porque pode o corpo ficar preso, Atado de pés e mãos, Que o espírito, a alma Têm sempre música, sons, Palavras, poesia, Para ouvir e sentir.
___________________Gustas
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Naquela noite fresca de Verão... Acordei ao som das estrelas cantando. Sua melodia embalou o meu coração E as suas notas deixaram-me bailando. Levantei-me num salto Abri os meus braços e corri apressadamente. Elevei meu corpo no alto E deixei-me pairar pausadamente. Agarrei-me timidamente... Senti o seu calor penetrar-me O meu calor subia lentamente E senti seus seios aconchegar-me Deixei os meus dedos escorregar, Tomei conta de todas as suas formas. Nas palmas da minha mão a suar, Meu coração agia já sem normas... Abri bem os olhos... A minha loucura ficava abafada. Então apertado como flores em molhos, Acordei e gritei: " Oh, que pena!... era só a almofada!!!..." _____________Gustas
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Há apenas um silêncio Onde não havia som Castelos um a um Foram caindo... E tantos que construí, Neste meu reino de quimeras!... Sonhos que ruíram, Derrocadas da minha alma... - Deixa-os, deixa-os ruir... Pára minha alma de sofrer, Que até nas ruínas Nascem flores e heras... E quando um sonho Se desvanece, Logo outro mais alto cresce, Neste silêncio dentro de mim, Onde não havia som...
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Dos meus olhos caiu uma lágrima Uma, só uma lágrima Morna e molhada Era salgada essa lágrima Correu pelo meu rosto Sem destino, mas com direcção De onde viera?... Do fundo do meu coração Subiu, subiu, subiu e... caiu Deslizou suavemente pelas minhas faces Agora coradas e quentes Resultado de acções pendentes De alguns corações dementes Um tanto inconsistentes Recordo tudo o que passamos juntos Com uma lágrima de saudade Lágrima que hoje choro por ti Sem que por isso tu a mereças...
__________Gustas |
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Amor tão desejado Em noites banhadas de luar, Onde tantos amores Começam a desabrochar, No ermo da alma apaixonada... Que se enfeita de sonhos E flores de ternura e fantasia. No silêncio e na solidão, A mente povoada de cenas carinhosas Desenha desvelos de mãos afectuosas. Sentindo transbordar no coração, A seiva desse amor idealizado Que reserva com total fidelidade. Ave meiga esperando a melodia No leito perfumado de ansiedade... Sonhando com o cântico da ilusão Nesta vida cheia de sonhos e magia: Só tu amor manténs viva no coração A chama que não se pode apagar No ser que o destino marcou Para na vida muito amar.
_______________________Gustas
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| A
DOÇURA DO OLHAR
Vou ficar aqui para recordar a doce ternura do teu fixar, com a ilusão louca do teu olhar me fixando, sentindo o doce brilho desse fixar, Claudia. A doce ternura do último beijo, um beijo a medo, um beijo fugaz, mas quanto carinho e quanta ilusão tu deixas em mim, no meu coração, Andreia. Transmites calor, aqueces meu sangue, que, estando gelado, e quase parado, corre em minhas veias, agora agitado, e ao teu contacto fica em evolução, de um frio de inverno, com calor de verão, e para te sentir, e te recordar, teu doce sabor dentro de mim guardar, aqui vou ficar na ilusão louca do meu desejar, que aqui não estando te sinto a meu lado, te sinto beijar, e porque sou louco neste meu sonhar, aqui vai ficar, para dentro de mim esta ilusão linda eu sempre guardar, e quando quiser acordar do sonho o teu lindo olhar poder recordar... Rute.
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Amar não é só êxtase, é o espiritual, o sublime, o eleito É voar para lá da nossa dimensão É voar sobre o mar e ver a imensidão Que contrasta com a nossa pequenez por tal efeito. Amar não é subir ao cume do lado que der jeito É olhar tudo que nos cerca com o coração É sentir com todos os sentidos cada emoção É olhar com simplicidade cada acto, cada feito. Voemos, pois, nas asas do vento Contra a maré, contra o catavento Em sublime dádida, essencial. Amar assim, perdidamente Sublima a existência docemente E, na vida, é, por si, fundamental
___________________________Gustas
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Lá fora há uma voz Que chama por mim. É um assunto Quase inaudível Mas, ainda assim, suficiente Para me fazer estremecer. Lá fora está a noite, As sombras, A sida e a droga Que jovens querem levar. Lá fora Está um inferno menor Do que este Que habita dentro de mim. Dou alguns passos E detenho-me depois A meio do caminho. A partir daqui, Posso entregar-me Ou simplesmente Ficar parado. Parado no tempo e no espaço. Não sei o que fazer, Mas sei que a decisão tem de ser rápida. Não se pode pensar, Porque não há tempo. Para mim, Já não há tempo E, quer me entregue ou não, Só vai restar A terrível sensação De ser um canalha. Serei, De qualquer forma, Um louco; Um parasita vivendo de sonhos, De uma ilusão Que nunca será realidade. Um louco fechado No seu próprio manicómio E divertindo-me com o caos Que nele existe. Lá fora Há uma voz que chama por mim E ainda não sei Se lhe vou responder.
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Eu me renovo e renasço Em cada palavra, em cada poesia... É a vida a borbulhar dentro de mim E eu quero dá-la a ti... É a minha alma que derramo, O meu choro a minha alegria, A minha maneira de ver o mundo, Os meus pensamentos mais profundos Que transcrevo para o papel... Precisei de ti, musa inspiradora, às vezes fantasia, sonos ou quimeras, A tinta vai correndo normalmente, Como o sangue em minhas veias... Não penses que sou triste, amor tecido, A minha vida é cheia de riqueza, Porque sou rico na alma E a minha alegria vem de ti e de mim...
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Quantas vezes por vingança Fiz das mágoas alegrias Fiz do medo segurança Alma e corpo valentias Fiz de conta Que era eu O outro que inventei Arte e manhas Coisas estranhas Nem a mim próprio enganei Quantas pontes destruí Quantas portas já fechei Quantas vezes me perdi Quantas ouras me encontrei Coisas tontas Digo eu Mas o que é que eu sei Escravo de mim Contradição Evasão...
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Entras no meu pensamento Sem pedires licença, Rasgas a madrugada Atormentando a minha solidão... O coração bate em disparada Abafando o meu gemido!... Abro a janela do meu quarto E deixo a brisa da manhã Acariciar a minha dor... Convido o amanhecer Para me despertar Desta saudade latente, Chamando o teu nome...
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Ó corpo porque vagueias entre os desfrutes da vida Ó alma porque te alheias e te corrompes sofrida Ó vida porque pranteias os desencantos, caída... Se num enleio sublime num ímpeto de lealdade o corpo e a alma exprimem da vida, toda a verdade!
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Minhas mãos vazias, trémulas e frias, Já nada contêm, e do que já tiveram, E que a outros deram, e hoje nada têm... E até aqueles a quem isso deram, Foram-se com o vento, levados no tempo... E para trás ficou algo que marcou... E que sempre a doer, e no meu viver, Sem me aperceber me acompanhou... Os anos passaram, e marcas deixaram... E hoje, ao olhar para as minhas mãos, Vi estas disformes, e tão calejadas, Que pena senti, de quando as abri, De além de uma dor, nelas nada Ter Para me oferecer...
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| ÂNSIA
Tingem-se as horas do meu dia Tornando-o frio, macilento, Apenas fica a sala vazia E as paredes pintadas de cinzento... E deixo a luz esvair-se, Sentado, espero o fim da minha espera Deixando o pensamento retrair-se, Respirando a pesada atmosfera... E eis que de mansinho chegas Ao encontro do meu secreto chamamento E na minha mão premente pegas Acabando com o meu isolamento... E varres este vazio como açoite E fechas as portas do meu peito... Acendes como um farol a minha noite E abres a minha boca em termo jeito... E o teu olhar puro e nu Me faz sentir morno, trôpego, E no momento só existes tu, Nesta ânsia dorida sôfrega... Anseio passear em ti livremente, Deixando que meus olhos te cobicem... Tocar-te muito e demoradamente Até que as mãos cansadas me caíssem!... E deixa de haver futuro ou passado, Neste amor alicerçado em rocha dura, Somente o meu corpo ao teu colado Num eco ressonante... de ventura...
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As palavras, Mansas, imensas, Escondem o silêncio Dos luares esquecidos. As palavras... As palavras são vãs quimeras, De prantos tingidos, São inimigos ocultos De batalhas distantes. E eu, No fundo desta encruzilhada, Recordo essas palavras, Mansas, imensas... Esquecidas!
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Se estás só não fiques triste, Dá ouvidos à solidão e fala com o outro lado de ti, Ficarás assim em presença do teu maior amigo. Aquele ser invisível a quem pedes conselhos, Com quem dialogas em pensamento, A quem pedes compreensão para contigo. Vais descobrir coisas lindas todos os dias, Vais com ele até à tua infância, Com ele, vais em busca do futuro, Com ele dividirás tristezas e alegrias, Com ele descobrirás a tolerância, Com ele navegas pelo seguro. Estavas só e triste, Mas um novo aliado já descobriste. Sê forte e continua as tuas descobertas, Agora na outra face do teu ser, Aqui há também um inimigo, O que te tira o sono, O que te tira o prazer. Mas ouve-o, escuta-o com atenção, Ele tem coisas para te dizer. Coisas mas, por certo, Coisas terríveis, às vezes, Mas não fiques triste, Mantém o teu espírito aberto. Este inimigo vai-te tentando, Vai-te obrigando a fazer o que tu não queres, Vai estar contra o teu amigo também, Mas... luta, luta porque vale a pena. São duas forças contra uma, A tua e a do teu amigo, São dois contra o exterminador. Mas uma batalha perdida Não significa perder a guerra, Se tudo for feito com amor. Como vês, não estás só! Se não estás só, não podes estar triste. Então abre o teu espírito à convivência, Continua a dialogar contigo próprio, Um dia sorrirás de alegria, Quando olhares à volta do teu "EU" E vires uma imensa multidão Que te dá vivas e te adora. Se estás só, não fiques triste, Porque afinal a maior tristeza É a de pensar que estás só. Não tens razão para estar triste, Porque afinal a palavra SÓ não existe!
__________________________________Gustas
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