Foto 01: Desencontro
DE IMPROVISO
Há um chão de ranhuras abertas Nesta terra rasgada de dor Há um mundo de vidas incertas Nesta terra sedenta de amor... Há um sol radiante Há um judeu errante Há um vão, uma nesga, há um muro, Uma falta de amor Uma mágoa que corre Neste rio tão seco e tão escuro E há um pouco de ti A fugir-me dos dedos A memória de velhos degredos Um pedaço de paz A saber a estilhaço E o bagaço A calar os segredos Um palhaço a chorar A guitarra a trinar E o fado a cheirar a cansaço Um perfume do ar A saudade no olhar E a canção a saber a fracasso Há um mundo de planos concretos Nesta terra regada a suor Há um mundo de sonhos secretos Nesta vida carente de amor Sonho um sol radiante De contorno brilhante Neste vão, nesta nesga do muro Não há falta de amor Nesta água que corre Neste sonho direito ao futuro Um palhaço a brilhar A guitarra a soar E o fado a cheirar a bagaço Um perfume no olhar A saudade no ar E a canção a saber a cansaço Há um chão...
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Foto 02: Liberdade
DEZ LINHAS
| Ontem,
quase tudo se escrevia em entrelinhas
Hoje o convite é para dactilografar… dez linhas! Ontem, o importante ficava castrado na memória Hoje pede-se em dez linhas… toda a história! Ontem, em Abril apenas começava Primavera Hoje, Abril já não é sonho, nem quimera Ontem, qualquer mentira podia ser verdade Hoje, Abril é simplesmente… Liberdade! Ainda sobram duas linhas… quem diria? Desenvolvimento, paz, democracia…
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Foto 3: Palavras de Alguém
SEM LIMITES...
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No horizonte sem limites Que resolveste inventar Limitei-me a passear... A observar a paisagem... A absorver o que houver!... Sem limites no horizonte Eu limitei-me a ser ponte Entre este e o outro mundo E comecei a viagem Sem palavras na bagagem
Fruto de mulher e homem Procurei saber quem sou Entre aquela e esta margem... Nunca ninguém me sonhou Sou, simplesmente, miragem Sou Deus, feito à sua imagem? Filho de Eva e Adão? Serei de Alá ou Cristão? Serei eu apenas eu? Serei fruto de paixão?
As questões ficam aqui Nem vou tentar responder Eu tenho apenas de ser Tudo aquilo que aprendi Desde o acto de nascer Nos limites que me deram Gatinhei, andei, corri Fiz o que quis e não quis Fiz o que tantos fizeram E cheguei até aqui
Não sei qual é o caminho E como não há presente Seja o futuro o que for Doa ele o que doer Só posso seguir em frente... Seguirei eternamente A escrever o que sentir A sentir o que escrever Que é por isso que sou gente E assim, é que tem de ser
Sem limites no horizonte Nem peias no pensamento Sei que serei alimento Para quem passar a ponte... Sem limites no horizonte...
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Foto 4: Marcha
Marés
As marés inundam-me, rebeldes, incontidas... Forçam diques de saudades... De ti... De nós... No meu espaço Nascem as palavras de luz! |
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Foto 5: Recado
SEJA QUAL FOR O CAMINHO
Seja qual for o caminho Que me leva para ti Seja lá que razão for Só pode ser por amor Só pode ser por carinho Mas se os caminhos da vida Tornarem a vida agreste E não me deixarem ir Valeu a pena sentir O carinho que me deste Fica sempre na memória, Mesmo quando ela não quer, Um sorriso de mulher Uma história por contar Uma mentira qualquer... Um abraço só, sonhado, Um soslaio no olhar E o corpo arrepiado Já não consegue negar Que o amor é para amar E mesmo que a união, O sonho que se sonhou, Nunca se dê por inteiro Será sempre verdadeiro O amor que sempre amou E as pedras do caminho Que nos viram caminhar, Mão na mão, devagarinho, Nunca poderão negar Que há caminho para andar |
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