Contos

Página Inicial

Nesta página apresentamos outra forma de escrita, quantas vezes, também ela poética e perfeitamente inserida nos objectivos do site: original. 

 

Iced Rose

Por expressa vontade da Iced Rose e, em virtude de o seu nome não constar da lista de Poetas do Canal, o que não se justificava já que não escreve poemas, o seu desejo é satisfeito, desde 2000/04/22, é impossível apresentar os seus contos. Lamentamos!

____1

Índice Um

Digital    Novo Dia    Imagens

Sad Cat

Índice Sad

Almanaque do Povo Sombra 

Waterfall

Índice Waterfall

Ana) cronismos pseudo-reflectidos...    Porque não deixo...

 

DIGITAL

 

 

Ponto.

Ponto.

Ponto.

Ponto por ponto, te digitalizei para o branco de um caderno. Caderno sem linhas, não me esforçando para as frases ficarem direitas, alinhadas. De fazerem inveja a um arquitecto.

Não. Passei-te inteiramente para um caderno sem linhas, sem limites.

Utilizo uma língua que não o Português. Tive de estudar para te digitalizar sem erros, pois era uma ofensa para a língua que utilizei, e não tem culpa dos nossos erros.

Aprendi uma nova linguagem, que não sei qual. Não sei o seu país, nem mesmo se existe, apenas sei que eu a sei.

Ficas bem nessa língua. Agora esse é o teu mundo. Folhas em branco com caracteres sem nome. Problema foi. Ainda existias. Não tinhas voz nem corpo de mulher, estavas na minha memória e caderno.

Fácil.

Todos os dias rasguei uma folha do caderno sem linhas. Teve de ser assim. Uma folha de cada vez, para que se eu me arrependesse, pudesse voltar atrás, mais fácil.

O caderno já não existe. A memória essa ainda está comigo.

Difícil.

Com a língua que aprendi vou-me digitalizar para um caderno. Um caderno sem linhas. Peço a alguém que o rasgue todo de uma só vez por mim, com medo de o não conseguir.

 

Nelson Aires

 

Página Inicial        Topo        Índice        Conto Anterior

 

NOVO DIA. NOVA BATALHA

 

Acordo. Era uma manhã de um sol quente.

Intoxicado por várias substancias químicas, o meu corpo reclama.

O ar bafio é dono do quarto. As roupas espalhadas ao acaso pelo chão, cadeira e cama, são o espelho da minha alma.

Fico imóvel, assim consigo vencer o estado em que me encontro.

A luz fere meus olhos, ainda vencidos pela escuridão das luzes dos bares, das ruas.

O corpo resmunga. Quem tem a última palavra sou eu, ainda mando e levanto-me. Encerro a luz exterior. Agora sim posso descansar.

O meio fica natural. Repouso. Combato a noite com o escuro. Uso as suas armas. Fico de igual para igual. A noite porém tem o factor favor que eu não possuo. A noite é antiquíssima. É antiga, possui a calma e a experiência que me vence aos poucos. Fui ingénuo ao subestimar o poder da noite. Desafiei-a, travo batalhas e saio sempre derrotado, cansado. A guerra continua. A idade ainda não pesa nos meus ombros.

Levanto-me, com a água a bater nas costas e na cabeça, esfrego minha pele com a pele. Abro a boca deixando a água penetrar e limpar meus dentes, cujo branco está a desaparecer de tanto fumo. Curiosamente este branco, sendo amarelo ocasionalmente.

Escolho uma roupa que não esteja vencida pelos odores.

Meu estômago aos berros, diz para ser deixado em paz. Estou surdo. Olho de canto para o frigorifico. Sento-me numa cadeira e observo-o, durante uns minutos. Assalto-o, roubando um pacote de leite. Bebo tudo de um só trago. Já não me lembrava do sabor, pensei que era diferente.

Regresso ao meu quarto. Abro as janelas. Deixo o tempo quente invadir minha cama, meu leito e deito-me por cima dos cobertores desarrumados e descanso.

 

Nelson Aires

 

Página Inicial        Topo        Índice        Conto Anterior

 

Imagens

 

Estava só, conversando com o que não dizia. Minha companhia, uma loira de cevada. Meu calor, o isqueiro que acendia, para em fumo me tornar.

Vi-as lá no fundo, isoladas pelo seu querer, contando histórias com seus gestos, rindo-se pelo olhar negro e verde.

Furei por entre as estátuas de nossa separação. Eram de todos os feitios e tamanhos, umas mais antigas que outras.

Disse-lhes, juntando-lhes as faces, esquerda direita na minha direcção. Com meus lábios em seus ouvidos para me seguirem.

Furei novamente por entre as estátuas. Elas me acompanharam as costas.

Encontro meu carro e sento-me. Copiaram-me e sorrio para mim.

Não lhes conheço a voz, falam entre si pelos olhos, poupando o ar do carro.

Abandonamos a zona luminosa e chique dos bares. As cores, as pessoas limpas, fachadas iluminadas, o som, começam a ficar no passado, lá atrás.

Começo por circular nas zonas mais escuras e sujas. As ruas largas, deram lugar ás estreitas e escuras. Os passeios deixaram de ser habitados por multidões alegres. Em vez disso impera o recolher obrigatório, sendo quebrado por vultos singulares nas esquinas, nos recortes das fachadas escuras.

Os vultos escondem a cara, têm vergonha e medo de terem quebrado o recolher...

Aponto-lhes os faróis para lhes identificar. Vimos uma menina, não tendo mais de quinze anos, camuflada pelas tintas da maquilhagem e alta pelos seus sapatos de salto, estava com frio.

Vimos mulheres recorrendo ás mesmas tintas, para rejuvenescerem, tinham menos frio, habituadas.

Miúdos de rua, passavam a correr, carregadas com pequenos embrulhos ou mochilas, desconfiados, acelerados.

Entre prédios, erguiam-se habitações de cartão, jornais, de tudo um pouco. Eram habitações de um só habitante, nómadas. A entrada do tamanho de uma cabeça, sendo de habitação social, o luxo era palavra fora do dicionário. Quanto menos saídas de calor, mais um dia de vida.

Os seus habitantes, eram pessoas de costas arqueadas pelos anos. Até os braços lhes pesavam e as mãos. Eram caracóis, com o cartão e o muito tempo para se mudarem quando o beco era invadido pela policia, dizendo estes ironicamente, que a renda estava atrasada há muitos meses.

Viajamos ás voltas aproximadamente muitos minutos, o tempo parou. No carro o silencio compactuava com o frio exterior, forte.

Parei num velho armazém que servia de meu estúdio. Entrei deixando a porta aberta. Delicadamente foi encerrada por quem me seguia. A escuridão gerente do espaço, comandava as operações. Despedi a gerência e uma pequena luz impotente deixou-nos orientados.

O meu estúdio era alto e bastante amplo, sensação de vazio.

Conduzi-as ao centro, a luz perdera força. Deixei-as lá imóveis de pé em silêncio.

Coloquei um Cd a tocar, cujo som eram passos lentos, depois apressados, correrias, passando a um choro de uma criança aflita, ouvindo-se pelo meio uma voz de mãe em sufoco chamando por alguém abafada.

Lentamente fui acendendo os projectores, um a um. Cada projector incidia uma luz de cima para baixo em direcção a painéis gigantes de uma só fotografia por painel. Formavam um circulo. As fotografias eram de crianças de rua. Das suas expressões, perdidas, frias, nuas...

Haviam crianças com o rosto ampliado, evidenciando o que os olhos não enganam, de expressão suja, despenteados.

Havia uma imagem também de um rosto de mulher, olhando para o chão de braços caídos, quase sem vida.

Eu escondi-me, deixando duas figuras, ali no centro perdidas. Lentamente elas foram em direcção ás imagens. Começaram por as observar de mais perto, memorizando e vivendo todos os detalhes. Uma começou por erguer a mão e ia tocando ao de leve como caricias nos rostos sujos e sozinhos. A outra seguiu-lhe os passos.

Não forçando as lágrimas inundavam lentamente a menina dos seus olhos. Com seus dedos pegaram na água do seu olhar e tocavam nos olhos das crianças, na boca.

Afastaram-se depois de terem vivido cada fotografia e sentaram-se no chão de costas uma para a outra no centro dos painéis.

Eu secretamente fotografava todos os sentimentos e expressões. Com as suas fotografias fiz um novo circulo, este mais pequeno no interior do grande já existente e as virei de frente para as outras imagens...

 

Página Inicial        Topo        Índice        Conto Anterior

 

ALMANAQUE DO POVO SOMBRA

 

 

Balança a pança de quem dança com uma lança

espetada nas costas.

 

Explodir ? Não Não Não!

- Está a chover !

 

não mordo

não como não beijo

Não quebro nem me vejo desvairado

a correr e a reclamar

qual gato tresloucado

preso por elásticos de borracha

cavalga

cavalga

corre corre

morre morre

salta

com a pata fofa na telha.

ágil sobre o fio da navalha

testas sempre o fim com três movimentos.

 

- Password aceite, estabelecendo laço.

 

João que tem estado a morder a Joana do bairro das flores 2 quarteirões mais abaixo,

observou-me hoje e leu a pista sinuosa de pegadas na areia do Guincho antes que o vento soprasse mais forte,

foi uma descoberta emocionante e inovadora para o povo sombra quando no inicio da estrada que

partia da praia foram encontrados os indícios antigos que ligavam as emoções à vida de um elemento do clã.

Rui encolheu os ombros e afirmou que não se recorda da onda que molhou os pés,

são rumores, parte de um passado obscuro em que ele não existiu,

O cientista desconhecido que possuía o nick pseudónimo de alguém anónimo

afirmou categoricamente que nós (o povo sombra) estamos perto que conhecer o fenómeno do nascimento dos poetas

com uma teoria algo controversa envolvendo amor e analgésicos naturais.

 

José (o irmão de Joana) tinha-se dado ao abandono puro

dia após dia ao voltar do trabalho fechava-se no quarto onde observava em segredo as engrenagens minúsculas

trabalhar musical da sua caixinha mecânica torcida pela manivela que forçava a mola por inércia.

Sua via apodrecia lentamente à medida que o frigorifico forma um cheiro nauseabundo que alastrou

intemporalmente na boca dele... depois no estômago, ... depois nas belíssimas flores que ele tinha

no seu jardinzinho... estrumado pelo esgoto do seu vizinho... um tal de Leonardo.

 

Leonardo tinha sérias dificuldades em manter um equilíbrio na sanidade dos seus quadros, ao mesmo tempo

procurava esgotar com frequência todo o néctar que pudesse sugar das nascentes que por vezes encontra.

São nascentes que pertencem ao povo das fadas leite, mas essas são fáceis de enganar.

Por vezes o seu estômago enjoava de tanta água viva e afundava-o por longos períodos de obscuridade

ele dependia desse desequilíbrio para pintar, apesar de queixar-se com frequência da dor.

Não perguntem a Leonardo o seu nome, ele não se conhece,

não tem espelhos em casa nem descobriu ainda o dono das faces que pinta .

 

Semblantes baixos olhos enevoados na entrega dos sorrisos na ultima noite de jantar.

O povo sombra reuniu-se mais uma vez arrancou olhos e observou os indivíduos que liam em voz alta

debaixo daquele foco de luz isolado, tão deliciosamente só.

algumas cores novas que encontrei antes de regressar ao ecrã do meu quarto em Lisboa. Antes de de regressar ao momento em que me perdi.

 

 

Regresso iminente ! A ligação foi terminada.

Rui Martins 15/04/2000

 

 

 

Página Inicial        Topo        Índice        Conto Anterior

 

ANA) CRONISMOS PSEUDO-REFLECTIDOS
O ser humano é muita coisa, consequência de
tantas outras, as mesmas coisas, mas também a
resultante do seu próprio modo e tempo de estar
na vida. Na escala mais simples, é o que permite
ser o fruto duma tão unicelular garantia da sua
sobrevivência com o empenho a que o obriga. A
percepção torna-se linear, o gesto rectilíneo e
anguloso...e a palavra fria porque pelo fundamental
serve os interesses de todo o ignorante do
contraponto que permite a harmonia e a liberdade
aplainada onde os trilhos são os das águias e seus
voos!...
É, pelo fundamental, o homem que permaneceu nas
cavernas, catapultado séculos for a de modelação
a fazer uma contemporaniedade anacrónica porque a
participa.
Quando o ser racional se esbanja nas pugnas da
sobrevivência, afasta-se de tal condição para
regressar um tanto a um outro ser que terá sido,
quando o mais fácil era sabê-lo, outro mamífero
na floresta...
O homem sabe das raízes e de, com elas, ler o seu
devir.
Diz-se de há muito - Génesis a Apocalipse- ...e é
só o instante de tais palavras que os séculos
usam dos milénios, como o homem pelo todo,
concreto, o tem definido...
Tudo é anunciado, até com falsos indícios, antes
de, pela prática, ser traduzido...
... e sabe-se lá quando, embora sempre breve...para
quem o sonhar!..(o sonhar...A "mãe" de todas as
guerras!...)
Faz-se a catarse do espaço e do tempo e montado,
flamejante, aí vai no corsel da ciência!...
O homem sonha tornada possível a certeza de
viajar galáxias de novos Sois; mais do que
contendo...vai conservando, tragicamente, o
espírito trazido das cavernas iniciais...esses que
foram os seus primeiros leitos conjugais!!!!!!
(ana)

 

Página Inicial        Topo        Índice       Conto Anterior

 

PORQUE NÃO DEIXO...
 
Porque não deixo de atender á voz dos espelhos,
que nem uso consultar, também para mim é difícil
de entender a procura que tenho no "mercado" onde
os homens vão ás suas compras do amor...Se, por uma
ou outra vez posso Ter usado as armas brancas
(armas de traição) que de algum modo contribuíram
para tal procura, pela generalidade dos instantes
do meu  fazer o relacionamento, tive ausente do
intento que fosse que com o amor algo tivesse a
haver. Costumo mais convictamente considerar que
se sou "amada" será pela negativa, pela carência
do que aos homens as mulheres têm para oferecer.
Vive-se muito como se fazer a vida fosse
exactamente o mesmo que soprar a fazer bolas de
água onde antes algum sabão foi dissolvido: podem
ser tais bolas de colorido magnificiente, dado
que há nessas transparências emanações chegadas
de ignorado arco-íris, mas constroem-se de
paralelas fragilidades e, com a rotina, a breve
espaço, cai a noite da frustração e é o sono que
se segue alimentado talvez de sonhos, mas
desprovido da substância que lhe fez, com a
razão, a utilidade, o porquê 1º do seu motivo de
existir...
É neste mundo transitório, onde á vida de
imediato se segue a destruição, é neste céu
saporificado e fulvo que o meu existir mercurial
e centrípeto acontece como uma presença que, pela
diferença abismal, se torna insuspeitadamente
hipnotizante. É assim que, pela negativa, sou
amada embora desprovida das armas com que se
esgrimem, por vontade própria,  os duelos do amor
que aliás já cansei. Compreenderão então que lhes
diga que mais do que ao amor, use fazer recurso á
solidariedade, embora para tanto não me obrigue a
vender a alma ao "Diabo" ou qualquer um dos seus
múltiplos secretários...
É assim nesta paisagem artificial onde o amor é
representado, que paralelamente vou amando o
homem trazido do mundo (in)real que vivo, como se
fosse um ideal, ou talvez, melhor, alguém que
consagrei conscientemente- e quem sabe se por
mera necessidade ?!- Numa utopia que persigo a
dar-me uma derrota á viagem sem destino, repouso
e paz final!!!......
(ana)

 

Página Inicial        Topo        Índice       Conto Anterior

 

Mas as palavras...
 
Mas, as palavras, escravas que serão das ideias,
na boca dos poetas, mesmo na ociosidade, podem de
súbito tornar-se suseranas dessas mesmas ideias
que pelo comum das gentes deviam servir. è que a
poeta, mesmo quando deixa a sua oficina,
permanece a artesã que, com igual sentido, se
serve e molda das ideias, como das palavras,
igualando num todo o útero e o feto, assim como a
causa e o efeito, tecendo sobre todos os hinos já
entoados o que melhor se diz da liberdade -Massa
e energia- iniciais que desenvolvidas resolvem um
presente com o anúncio e assunção da utopia que
contem um futuro de que tem com a coragem, uma
inteligência preocupada e razoável!...
.....................
O "meu sítio" será de quem o quiser, se eleito,
podendo até mesmo nele deixar-lhe o seu "toque",
mas sempre, e pelo fundamental, sem que deixe de
ser o sítio onde o meu eu acontece
inquestionavelmente, com todos aqueles "toques"
que me são próprios...Partilho o meu "sítio", mas
não abdico do "meu mundo"...isso jamais...
Quando optamos por um templo, nem que seja para
nos abrigarmos da bátega mais puxada, fazemos a
opção formal da sua religião - no caso sem atender
o seu código sagrado das leis...- e, com ela, com
curial entendimento, pela pseudo deusa nele
acontece, sem religião que implicite estabelecida
oração, e respectiva prática de sabido louvor de
graça...Estar num templo de uma pseudo deusa sem da
sua presença dar o sinal é uma contradição!...
...............................
A escritora vive o tempo que a mulher tem para
viver
e a que acrescenta outro tanto, porque inventa o
tempo escritor
que somados acaba por fruir
mas com o dobro da idade!...
............................
Como se de si fosse condição
afadiga-se a mulher de partidas
saídas que projecteis disparou
em busca de talvez fazer a vida...
.
Pois, invertida com ela tal relação
fiz-me cidade igual a terra prometida
esperando aqui, onde secular estou,
quem a racional a queira já construída
.
Vai e vem manso duma flutuação
cais planetário de entradas e saídas,
movimento que pulsátil resultou
a coisa natural depois de acontecida!...
...........................................
Quantas vezes não são os ideais que nos alimentam
e aquecem....
nos dão resistência física e nos amortecem as
quedas...
nos sustentam na humilhação e na incerteza....
nos deixam ver a verdade sempre pelo angulo que
nos convém!...
(ana)

 

Página Inicial        Topo        Índice       Conto Anterior

 

Hosted by www.Geocities.ws

1