Apresentação

 

O Livro "Poemar" que brevemente será editado na vida "real", pela Hugin Editores, só foi possível pelo incentivo que os amigos cibernautas dos canais de poesia resolveram dar-me. De facto nunca pensei vir a editar poemas, sempre pensei que ficariam na gaveta.
Agora a realidade está aí, deve ser o primeiro livro que nasce na NET e vai sair para a vida real. O Livro é uma recolha de trinta e poucos poemas que versam sobretudo o Amor e alguma sensualidade. A escolha que fiz dos poemas que integram o livro, tiveram em linha de conta os gostos de habituais frequentadores do canal "Poemar" do IRC da PTnet.
Agora, necessito da ajuda de todos para demonstrar aos cépticos e aos que não conhecem este meio que não somos malucos e temos ideias e algum valor.
Sobretudo é necessário que passemos palavra. Este pode ser um bom balão de ensaio para outras obras que o Projecto Poemar se propõe editar, desde que todos colaborem. Não me parece difícil.
Estamos em fase de prospecção para tal façam, por favor as vossas reservas.

O lançamento está previsto para finais de  Maio. O preço de capa deve rondar os 2.000$00.  
As reservas efectuadas por esta inscrição prévia terão um desconto de 20% sobre o preço de capa.
Conto convosco

Um abraço

João Moutinho

 

 

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Prefácio

 

Uma aproximação a "Poemar" de João Moutinho

Toda a poesia nasce de um exílio, de uma ruptura, de uma distância. O poema é, sempre, uma forma de ligar de novo aquilo que os acidentes do quotidiano vieram a separar.

Se esta verdade se aplica a toda a poesia, ainda mais se reflete na chamada poesia do amor. Neste caso "Poemar", título deste livro, será ou poderá ser, "amar no poemar".

O ponto de partida é um lugar:

Espero / Aqui / Sentado em solidão / Num sol que não existe / Espero…

Nesse lugar um calendário lembra o passado:

A primavera da minha vida / Foi contigo…

Mas outro calendário vislumbra e antecipa o futuro

Quando sentirmos / Que dois já não são tudo / E o mundo é diminuto / Para comportar o nosso amor… / Quando / seja por que processo for / Conseguirmos ser apenas um / Passeando nas alamedas floridas / Da nossa felicidade…

Para João Moutinho o poema é um lugar de reunião, um espaço sentimental:

Entrelinho nos meus versos / Sentimentos / Que não suporto / Ver dispersos

Mas também pode ser memória de um encontro real e vivido; não apenas sentimental e sonhado:

Sei que trazias vestido… / Já nem sei de que tecido… / Pelo toque… era veludo / Da cor da noite e do dia / Talvez… da cor do amor / Ou da cor da poesia…

Neste livro o amor pode ser simbolizado pela matemática (1 mais 1 igual a 1) mas também pela escultura:

Esqueço-me de tudo / Na doçura / Dos teus dedos de veludo / Sobretudo a luta que travamos / Palmo a palmo / Em cada milímetro do corpo / O teu suspiro / É uma prece / Um eco, um salmo / Que enlouquece / E quase perco / O sentido do meu corpo / Que estremece…

Depois do encontro que o poema celebra, surge o poema como lugar de invocação chamando por alguém que está longe:

Vem amanhecer a minha noite / Aminah / Dança-me / Envolvente e bela / Com todas as cores / Da tua natureza…

Da distância e da ruptura nascem lágrimas e o poema, lágrima de palavras, regista essa verdade:

Não me perguntem pelas lágrimas / Não sei onde estão… / Já é passado… passou / O futuro / Sou eu que aqui estou / E tão presente / Não sei se alguém limpou… / Mas a lágrima secou… / Felizmente…

A poesia de João Moutinho oscila entre um discurso de ansiedade pela distância e de euforia pelo encontro com a mulher amada. E todos os motivos são legítimos, todos os pretextos são felizes. Como por exemplo o nome comercial, a marca de um perfume:

Fosse Eternity / Apenas um aroma / Que se sente / Uma brisa / Uma fragrância… / Eternidade / É todo o tempo / Que não houve / Desde o tempo sagrado / Da infância… / Eternidade / É tudo o que não se esquece

Para terminar fiquemos com uma nota sintética e geral: se para quem tem uma visão cínica do Mundo e da Vida "o amor é eterno enquanto dura" para João Moutinho o amor permanece e dura muito tempo – pelo menos no poema. E essa realidade escrita num livro, numa página de impressora ou num écran da Internet é uma forma teimosa e precária, silenciosa e profunda, feliz e efémera, de dar ao nosso tempo tão veloz e desabrido um pouco do perfume do amor. O mesmo é dizer – da eternidade.

José do Carmo Francisco

 

 

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Introdução

 

UM VERSO

Escrever apenas um verso

Mesmo sem muito valo

É deixar no Universo

Um universo de amor

 

 

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Dedicatória

 

Dedicado a todos os amigos

que "forçaram" e tornaram possivel a edição

desta colectânea de poemas,

POEMAR,

é uma viagem através de momentos de vida,

impressões, palavras, sentimentos

e simples desabafos,

abafos

que tantas vezes utilizo

para afagar

a minha persistente e acompanhada solidão!

 

 

Aos meus Pais – devo-lhes a existência

À minha esposa – devo-lhe a paciência

À minha filha – devo-lhe a ausência

Ao meu neto – devo-lhe o futuro

Ao Francisco Figueiredo – devo-lhe o conhecimento

Aos cibernautas – devo-lhes o empurrão

Ao meu Editor – devo-lhe a confiança

Ao público anónimo – devo-lhes a leitura

 

 

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 VIRGEM


 Ai! Há um barro
 que se molda nos meus dedos
 quando moldo nos teus medos
 segredos que não agarro
 
 nem na nuvem do cigarro
 que não fumo...
 nem no copo de vinho que não bebo
 nem no verso final que nunca escrevo
 virgem

 

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ANTOLOGIA


Espero.
Aqui
Sentado em solidão
Num sol que não existe
Espero...
Odeio aqueles pombos que beijam
A inveja que me fazem, amando,
Porque não te tenho,
Por ter a noite 
Que dantes era tua,
Por não te ter a ti,
Réstia da minha lua,
Que o sol cobriu.

A primavera da minha vida
Foi contigo...
Agora...
Aqui...
Sentado em solidão
De pobres sem abrigo
Espero...

 

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QUANDO... (DEPOIS DE TUDO)


Quando (depois de tudo)
Pudermos sentir
O cheiro da liberdade
Através das grilhetas
Dum futuro incerto...

Quando sentirmos que
Dois já não são tudo
E o mundo é diminuto
Para comportar o nosso amor...

Quando pudermos olhar
Por cima da cidade
Sem medo
Que dedos indiscretos nos apontem...

Quando
Para além do que a vista alcança
Ainda conseguirmos entender
Uma réstia de ternura no olhar...

Quando,
Seja por que processo for,
Conseguirmos ser apenas um
Passeando nas alamedas floridas
Da nossa felicidade...

Quando já não houver receio
De olhar o passado,
Como tubarão devorador,
E sentirmos que é sempre no futuro
Que se contrói o verdadeiro amor...

Quando formos capazes 
De nos encararmos longamente
E apenas encontrarmos amor para olhar...

Então sim!

Encontraremos a suprema razão de viver!

 

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MAIS DO QUE SILÊNCIO


Mais do que silêncio
Senti no teu olhar
A ternura do luar
Sobrevoando o Pico
A tranquilidade do mar 
Banhando a íris do meu porto
O despertar silencioso
Do sentimento mais rico

Mais do que silêncio
Foi gato nos meus dedos
Despertar de segredos
Há tanto tempo escondidos
Caminhos que vi perdidos
Sonhos, sustos, gritos, medos

Mais do que silêncio
Foi trovão nos meus ouvidos
Pão, carinho, amor e vinho
Confusão de sentimentos
Alimento precioso dos sentidos
Mais do que "silêncio"
Foi silêncio...
E ficámos envolvidos

 

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SEJA QUAL FOR O CAMINHO


Seja qual for o caminho
Que me leva para ti
Seja lá que razão for
Só pode ser por amor
Só pode ser por carinho

Mas se os caminhos da vida
Tornarem a vida agreste
E não me deixarem ir
Valeu a pena sentir
O carinho que me deste

Fica sempre na memória,
Mesmo quando ela não quer,
Um sorriso de mulher
Uma história por contar
Uma mentira qualquer...

Um abraço só, sonhado,
Um soslaio no olhar
E o corpo arrepiado
Já não consegue negar
Que o amor é para amar

E mesmo que a união, 
O sonho que se sonhou,
Nunca se dê por inteiro
Será sempre verdadeiro
O amor que sempre amou

E as pedras do caminho
Que nos viram caminhar,
Mão na mão, devagarinho,
Nunca poderão negar
Que há caminho para andar


 

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ENTRELINHAS


Entrelinho nos meus versos
Sentimentos
Que não suporto
Ver dispersos
Digo só o que digo
O resto fica aqui
Neste meu porto de abrigo
Que não esqueço
Até que sinta ser
O que pensas que mereço...

Nem sempre sou directo...
Desenho ângulos obtusos...
Procuro por detrás
Da paisagem...
Muito mais do que a imagem
Que me dás.
Os rostos que pinto 
Com as palavras que tenho
Não podem ser confusos...

Podem mudar as longitudes
Do que sinto
Das latitudes...
Não fujo!
Não preciso fugir,
Nem quero sentir-me sujo...
Podem mudar o horário,
Baralhar os fusos,
Podem, até, ler-me ao contrário...
Encontrarão no cenário,
Que me apetecer construir,
Os triângulos que não fiz!
Troco, naturalmente,
A recta
Pela bissetriz
Das minhas atitudes...

Das virtudes
Não sou eu que hei-de  falar
Se as tiver
Não estão sozinhas
Nas linhas que não escrever,
Nos quadros que não pintar
Na mulher que sei amar
Nas entrelinhas

 

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TU


Tu és a noite
De todos os sonhos
O sonho
De todas as minhas noites

Tu és a onda
De todos os oceanos
O oceano
De todas as minhas ondas

Tu és a margem
De todos os rios
O rio
De todas as minhas margens
 
Tu és a tinta
De todos os quadros
E o quadro 
De todas as minhas tintas

Tu és o verso
De todos os poemas
E o poema
De todos os meus versos

Tu és a Lua
De todas as fases
E a fase
De todas as minhas luas


 

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LENTAMENTE


Entraste com muito jeito
No abrigo deste peito
Que há muito tempo está mudo...

Sei que trazias vestido...
Já nem sei de que tecido...
Pelo toque... era veludo
Da cor da noite e do dia
Talvez... da cor do amor
Ou da cor da poesia...

Desnudei a cada rima
As estrelas que me deste
Na noite que se ilumina
E até aí estava nua...

Então... vesti-te de lua
Pouco a pouco
Lentamente...
Senti na ponta dos dedos
Um pouco dos teus segredos
E fui eu que me despi!

Entraste com muito jeito...
 

 

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LIVRO ABERTO


Eu sou
Um livro aberto
De pétalas ao vento
Ao sabor do sentimento

Eu sou...
Espelho dos teus olhos,
Alimento dos sentidos

Eu sou...
Amor amigo!
A mão estendida e o abrigo
A semente do teu trigo
Eu sou... talvez
O sonho proibido
O fruto desejado

Eu sou amado!

 

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QUERO FLORES NO TEU CABELO


Hoje...
Quero flores no teu cabelo
Florestas de ternura
Na ponta dos teus dedos...

Hoje...
Quero violar os teus segredos
Beber com loucura
As fontes perfumadas do teu corpo

Hoje...
Quero embriagar-me de amor
Nas ondas da tua candura
Percorrer o teu corpo 
Lentamente...
Fazer do teu cabelo
Um novelo de amor ardente

Hoje...
Desfolharei
Pétala a pétala
Milhares de flores
Sobre o teu corpo...

Depois...
Podem os anjos tocar
Até adormecer...
Até amanhecer...
Até enlouquecer...
Porque hoje...
Plantei flores
No teu cabelo!

 

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MÃOS I


Descascaste o poema
No silêncio das mãos
Foi porcelana nos teus dedos
O barro tosco que te dei
E sei que nunca serei
O corpo...
Onde as mãos repousam
Onde as mãos ousam
Existir...

 

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LÁBIOS


Não sei por quantas mulheres
Por quantas musas escrevi
Nem sei sequer
Se foi por elas 
Ou por mim...

Revejo às vezes 
Num ou outro texto
Um olhar...
Um toque...
Um gesto"!

Já nem sei se isto é
Vício...
Vaidade...
Ambição
Ou precipício...
Mania de impressionar
Ou querer apenas
Dar nas vistas
Devo fazer parte da corte dos "narcisistas"...

Às vezes meto-me nojo...
Que descaramento...
Que arrojo!

Tudo bem
Aquiesço
Baralho as palavras
Com algum interesse...
Dizem!
Mas mereço?

Mas afinal isso é fácil
É até fácil demais
Estão todas lá no dicionário...
As agudas, as esdrúxulas,
As excêntricas,
As minúsculas...
Estão até aquelas
Bacilentas, magricelas
Essas que nunca lembramos
Palavrões enegrecidos
Pela poeira dos anos...
Só não estão as que inventamos
A cada esquina da vida.

A cada borda de cais,
Mais um monte de sinais
Que não fui eu que inventei
Só invento o que não sei!
Onde é que param os meus?
Saberá Deus... se os dei?

Onde estão os meus sinais?
Serão estes podres versos
Onde quase sempre a frente
Se enfrenta nos meus reversos?

Não me apetece responder
Mas será que isto é escrever?
E será culpa das musas?
Das mulheres?
Das palavras?
Das ideias?

Às vezes ainda revejo
Num ou outro texto
Um olhar... um toque... um gesto...
Às vezes um desejo...
Um cheiro...
Um beijo!
Um poema por escrever
O sabor dos homens sábios...

O prazer nasce nos lábios...


 

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 ASSIM

 Fica assim como estás
 não faças  nada
 não mexas
 deixa que toque 
 apenas as madeixas
 as sobrancelhas
 um sussurro só junto às orelhas
 - amo-te...
 quieta, proibidos
 os excessos
 
 Fica assim como estás
 Não faças nada
 relaxa apenas
 deixa-me ser eu 
 a tratar dos teus poemas
 podes até fechar os olhos
 imagina-nos apenas na retina
 sente os meus dedos
 nos teus lábios
 podes... podes dar um beijo
 um só... devagarinho
 que os dedos são sábios
 e podem querer abusar...
 
 Lá vão eles... devagar
 cavar o fosso
 entre o teu queixo e o pescoço
 coisa maluca...
 não é que foram à nuca
 e ficaram em alvoroço...
 Lenta e docemente
 quais bailarinas em pontas
 vão as pontas dos meus dedos
 desvendando as tuas costas
 eu sei que quase não sentes
 parecem quase carícias
 murmuradas entre dentes
 
 de repente... 
 mudam de rumo, viram-te de frente
 param... hesitam
 já não sabem que fazer
 a qual dos dois dar prazer?
 
 Salvação...
 senti a tua mão
 encaminhá-los
 com carinho
 ao meio caminho
 entre os seios
 acabou-se ali
 o devaneio dos meu dedos
 
 embaralhámos as mãos
 sem medos e sem receios
 e no meio dos carinhos
 foram tantos os caminhos
 que acabámos por fazer
 
 Abre os olhos meu Amor...
 Para quê adormecer?
 
 

 

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AINDA


Ainda sinto
O prazer do teu desejo
No meu corpo...
Vejo-me ainda nú
Sobre o teu ventre
Entre a vertente
Do teu peito
E do meu leito!
Não era já perfume
O teu sabor...
Era ainda mais perfumado
Pelo odor
Do nosso amor suado
Alimentado 
Em brando lume!

Ainda sinto 
O teu desejo nos meus olhos...

Ressabore-ei o beijo
Que deste no meu peito
Os caminhos que fizeste
No meu dorso...
Ainda sinto
A tua língua no meu rosto
Enfim!
Absorvo 
Tudo o que deste
Aos dois!
Depois?
Aposto...
Que vou dormir
E sorrir
A sono solto
No meu sonho...
E não desgosto!

 

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DE COR


Depois de fechares os olhos...

Passei os dedos
Na ponta dos teus cabelos
Beijei-te a testa
Com respeito
Tinhas os olhos cerrados
Mas mesmo assim,
A meu jeito...
Passei ao de leve os lábios
E deleitei-me feliz
Naquela festa...

A língua deslizou
Pelo nariz...
Vê lá tu que coisa louca...
Aterrei na tua boca
E fiquei lá tanto tempo
Que os desejos 
Foram beijos
E a garganta
Ficou rouca!

Meio saciado
Subi por um lado da montanha
E beijei o pico
Enquanto quis...
Não sei se fiz bem
Mas fiz...
Deslizei depois
Até ao vale do teu seio
E ali... mesmo ao meio...
Repousei!

Devo ter passado pelo sono
Tal era o abandono
Que sentia!
Recuperado
Subi o outro lado da vertente
E... alegremente
Brinquei, beijei, lambi
Quase me esquecia de ti...
Olhaste-me tão doce
Que sorri!
Levaste-me...
E mansamente
Desci... um toque aqui
Outro ali...
À candura do teu ventre
E por ali me perdi...

Ah! Meu amor
O resto já não sei
Confesso não resisti...
Certamente desmaiei...

Mas agora que acordei
Recordo-te, linda, aqui
Neste sonho que inventei...
Ainda bem que não morri!

 

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ESCULTOR


No espaço breve
Do abraço que te dou
No chão de neve,
Breve leito,
Em que te deito
E me deleito
Sinto-me bem
Em ser apenas o que sou...

Esqueço-me de tudo
Na doçura 
Dos teus dedos de veludo
Sobretudo
A "luta" que travamos
Palmo a palmo
Em cada milímetro do corpo

De quando em vez
Solta-se um gemido...
E tudo freme...
Ao meu ouvido
O teu sussuro,
O teu suspiro,
É uma prece
Um eco, um salmo
Que enlouquece 
E quase perco
O sentido
Do meu corpo
Que estremece...

Chamem-me louco,
Sim... chamem-me louco...
Se a loucura é isto
Eu não me importo
Nem resisto...

Deixem-me cavalgar
As ondas deste mar
Que me inundou...

Deixem-me sentir
A ventura deste ser
E saber que o meu prazer
Não acabou

Ainda agora
Comecei esta escultura!
Se esta aventura
Que moldei
Não for a obra prima...
Se a lágrima
Alegre que chorei
Não legitíma
O nosso amor...

Então não sei
Mas não serei 
Escultor!

 

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MAIS DO QUE LOUCURA


Mais do que loucura
É a certeza de encontrar
Entre os teus dedos
A ternura que revejo nos teus olhos
A alegria das rosas
Em sangue no teu rosto

Mais do que tristeza
É a certeza de nos sabermos
Livres - presos -
A vontade que temos de ser nós
O desejo que contemos... incontido
Nos gestos perturbados...

Mais do que verdade
É a certeza de fazermos
Das palavras... uma espada.

A guerra que travamos é nossa
Sem manchas de sangue
Nem balas odiadas.

 

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REINVENTAR...


Ah! Quem dera
Poder reinventar a Primavera
Da vida que não vivi...

O que é que eu sou sem ti?

Poder ainda esperar,
Sorrisos no teu olhar...
Beijos da tua boca...

Deixa estar...
A minha pobre cabeça
Já está louca...
Não é que não mereça 
Outra oportunidade...
Valha a verdade...
Tantas foram
As que perdeu!

A loucura
Foi apenas um ar que lhe deu
Um poema mais que não escreveu
O gesto são...
O gesto vão...
De quem apenas se provoca!

Já ninguém me constrói
Não vale a pena!
Sinto ser apenas o poema
Que não flui!
Já nada flui
Na minha vida!

Devo ter sido apenas
Um falhado projecto...
Nem dejecto fui...
Mas mesmo assim
Mesmo rindo de mim
Ainda me arquitecto...
Ainda sonho...
Ainda rio...
Ainda penso...
E, se o rio do pensamento,
Não morrer,
Se este momento de escrever
Se eternizar
Ah! Meu amor
Esteja essa quimera 
Onde estiver...

Seja este chão
Em que me deito
O mais perfeito leito,
A mais sofrida dor,
Sei que sem qualquer temor
Como um sonhador qualquer
Em qualquer era
Reinventarei
A Primavera...
Do amor!

 

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TUDO


Tudo...
É aquilo que eu quero ser...
Menos não aceito
Já passei tempo demais
A não querer...
Ser tudo aquilo
Que sinto ter direito!

Tudo...
É o que falta percorrer
Do teu caminho
Depois de tanto tempo
Sem correr...

Tudo...
É o que falta de viver
É o carinho...
O amor...
A ternura...
A acontecer
Em cada gesto...

Tudo...
É este crer em cada peito
É este jeito
De despir em cada olhar
É ficar nú
Vestido de veludo
E sentir tudo
O que cada um tem para dar...
Tudo...
Tudo!...

 

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AMINAH


Vem amanhecer a minha noite
Aminah
Dança-me,
Envolvente e bela.
Com todas as cores
Da tua natureza...

Deixa que a íris do meu sonho
Toque de leve
A brisa do teu ritmo
Ainda que seja breve
O favor do teu olhar
Aminah...

Anima-me... Aminah!
Liberta
Um só dos teus sorrisos
Musa...
E será louco 
O fluxo dos meus versos...

Permite...
Sejam preversos
Os traços que traço
Do teu perfil...
Ondula-me
Com mimos a ponta
Dos meus cabelos
E todos os meus
Desvelos
Serão teus...
Aminah!!!

Ilumina-me Aminah!
Ensina-me os teus passos...
A magia, contida,
Na força do teu corpo...
Ensina-me Aminah!
O sorriso terno...
O olhar doce...
O amor pleno...

Ensina-me aminah!
O teu carinho...
E nunca mais
A minha dança será vã
Nem vão o meu caminho...
Aminah!
Deusa, irmã...
Querida
Estrela da manhã...
Dá sentido à minha vida!

 

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BAILARINA


Vi a lua bailarina
Perder-se por entre a bruma...
Perder-se na branca escuna
Que se envolveu no meu mar
Virou nuvem... virou espuma...

Vi a lua peregrina
Saltitar pé ante pé
Pela ondas da maré
Mostrando as fases que tem
E que não são de ninguém

Vi a lua preguiçosa
Dolente,  deliciosa
A dançar noites de amor...
Desfolhou na minha rosa
Pétalas da sua dor

Pude ler na dor da lua
A dor que também foi tua
E que não soubeste dar...
Bastava apenas um gesto
Um sorriso... um olhar terno...
E arderia o inferno
Que ferve no meu luar

Passei a esquina da rua
Sem olhar o firmamento...
Quero lá saber se a lua
Lá está naquele momento
Ou noutro sítio qualquer
Nunca me foi alimento
Nunca foi minha mulher

A mulher da minha lua
Pisará o chão que piso
Sorrirá no meu sorriso
Dormirá no meu colchão
Saberá, se for preciso,
Afagar a minha mão
Quando perder o juízo

Vi em ti a minha lua
Fina, doce, branca, neve...
Que nunca a vida me leve
O brilho do teu luar!

 

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ESTRELAS

Intenso demais
O imenso brilho que revelas
No espelho do teu corpo
Nú ... sob as estrelas!

Contemplo apenas o reflexo
Da nudez
Na minha mente
Tão docemente fere
O teu amplexo
Tão ardentemente
Adere...

Se as estrelas soubessem
A textura do teu peito
Sonhassem elas
A leveza da pele
Onde me deito
E deixariam de brilhar
Na imensidão do firmamento...

Deixa-me apenas olhar...
Fixar este momento...
E viver de prazer
A recordar!

Soubessem as estrelas sonhar...

 

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SOSSEGO


Quando me prolongo
Nas noites de cetim...
E o dia, em mim,
Se torna ainda mais longo...

Quando o único
Pensamento que presta...
Tudo o que me resta
É o resto que ficou
Do teu sorriso!

Quando nas madrugadas
Da minha incerteza
É ainda a beleza
Dos leus lábios
Que respiro...
E suspiro
Ao sentir o teu arfar
No ouvido...

Quando a presença
Da tua saudade
É quase uma sentença
Que limita a liberdade
De pensar...

Quando amar
É uma alvorada de criança
E a esperança
Se pinta de qualquer cor
E o amor
Se solta de todos os poros
Do meu ser...

Quando ser
Se resume a isto...

Deixar que seja dia até amanhecer...
Reconhecer 
Todas as noites
Do teu ventre...
Todas as luas
Do teu peito...
Todas as marés
Das tuas rugas...
Todas as fugas
Do teu ego...
Num deixar acontecer
Que não desisto...
E não sossego..

Se não resisto escrever...
O que mais posso dizer
Quando a noite amanhecer?

 

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PINTO DE COR


Pinto de cor
Em papel aberto
Horizonte azul
Em verde mar...

Sem encontrar
O tom correcto
A mistura certa
A cor exacta
Fica tudo por pintar
Com tanta cor na paleta...

Fecho a retina
E lá está
Exemplar
A obra prima...
Que não consigo pintar

E fico assim
Lembro-te só dentro de mim
Sem horizontes 
Nem marés
Sem azuis... esverdeados
Nem verdes... azulados
Lembro-te 
Exactamente como és
Mulher completa
Da cabeça aos pés
Lembro-te
Com todas as cores
Do arco-iris
É curioso
Não te sonho nua
Apenas despida
Linda
Lua

Ganha fulgor
Na minha tela interior
O teu carinho...

Percorro calmamante
O teu caminho...

Sinto nos teus lábios
Húmido langor...
Estremece o corpo todo
Num suspiro...

De amor
Falam-me os dedos
Que deslizam no teu peito,
Aveludam o teu ventre,
E continuam a viver
Ardentemente
Interiores
Só sonhados...
Turgidos...
Perfumados...
Doce leito
Em que me deito
E te descubro
E...
Satisfeito
Vou ao rubro!

 

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GOSTAVA...


Gostava de me ver
Em corpo inteiro
Perdido para sempre no teu corpo.

Gostava de ser Natal
Acordando no teu leito.

Gostava de ser pai
Do Natal que prevejo
No teu ventre.

Gostava de ver presente
O futuro que desejo

Gostava que uma rosa caísse...
Pétala a pétala
No meu peito
Desfolhada em tuas mãos...

Gostava que fossemos apenas um
Passeando nas manhãs de primavera...

Gostava...
De perpetuar este momento

Gostava...
 
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FERIDA


Não me perguntes porquê?
Mas sinto que estou aí
Donde não mandas sinais...

Não! Nunca digas que é demais!
Demais é não se poder 
Dizer tudo o que sente...

Demais foi todo tempo
Que não houve
Entre o passado e o presente...

Esse momento fugaz
Essa carícia dos dedos
Em que um só olhar de paz
Nos desfaz tantos segredos...

Não! Nunca digas que é demais
Demais é querer sentir-te
E não poder...

Demais é esta ferida
Por sarar...
Esta fúria de escrever...

E nunca será demais
Usar a palavra Querida
Que me apetece viver...

Estes momentos de amor...
Euforia de sentidos
Que sinto não serem dor
Mas, sim, momentos queridos!

 

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ARCO IRIS


Às vezes 
Escrevo a verde
Sobre mágoa
E a água 
Que me lava
Não tem cor

Às vezes
Dentro de mim
Vermelho é lava
De  vulcão
A querer explodir 
Mas não é sangue

Às vezes
O sangue é azul
Mas a mágoa que me abrasa
É mais sublime
Arde em brando lume
E não me arrasa
Nem nunca chegará a ser ciúme

Às vezes
A alma do poeta
É violeta
Cor da bruma 
Que se espraia
Na ponta da caneta
E vai morrer na praia
Em branca espuma

Às vezes
São infantis
Os versos, desta raiz,
Que alimentam o meu espanto
Se o mundo é feito de cor
Queria dar-te meu amor...
O encanto
Em arco-iris

 

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FELIZMENTE



Não me perguntem pelas lágrimas
Não sei onde estão...
Eram lágrimas as gotas
Que rolavam pela cara?
Caíam pelo chão?

Que importância tem a água
Que rola pelas rugas
Desta face?
E sabem a sal na boca
E nunca me serviram de disfarce

Choro sim...
E porque não?

Perguntem-me antes pela mágoa
Que se solta
Por dentro daquela água
Perguntem-me pela revolta?
Pela esperança
Perdida desde criança?

Perguntem antes por mim
Ou pela espécie de poeta
Que julgam que sou
Assim como assim...

Já é passado... passou
O futuro 
Sou eu que aqui estou
E tão presente...
Não sei se alguém limpou...
Mas a lágrima secou...
Felizmente...

 

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QUISERA SER QUIMERA

Pudera ser quimera
A vida inteira
E nunca mais o Deus
Seria Deus
Faria do inverno
Primavera
Faria dos cristãos
Meros ateus...
Faria de ti 
A fera que pensas,
Mas não és,
E lenta...
Muito lentamente
Deixaria arder
As pétalas de incenso...
E intenso,
Como lume,
Brotaria dos meus lábios
O perfume
Que meiga, doce
E loucamente
Te inundaria os pés...
Pudera ser quimera
A vida inteira
E nunca mais a Terra
Que nos ama
Seria palco
Doutra guerra
Insana...
Subiria
Leve, como talco,
As montanhas
Paralelas do teu corpo
E soletrando-te 
Entre dentes
Sorveria
As vertentes 
Do teu mar
E, quase morto...
Continuaria ainda
A navegar...
Pudera ser quimera
A vida inteira
Pudera ser quimera
O tempo todo
E nunca mais
Na nossa esfera
A linda era
Haveria de tornar-se
Em podre lodo...
Faria dos meus dedos...
Peregrinos
Viajantes suaves
E profundos
Gastaria 
Todos os meus meios...
E em carícias,
Sem receios,
Caíria sem sentidos,
Nos dois mundos
Dos teus seios
Sibilinos
Gastaria
A energia
Que me resta
Numa réstea só
Do teu olhar...
E ao acordar
A festa
Não deixasse 
De ser festa
E a hera... hera...
Era não era?
Quisera ser quimera!

 

 

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FOSSE


Se eu fosse
Apenas uma nuvem
Que não chove...
A mão que se move
No teu corpo
Não seria minha

Se eu fosse
Apenas a mão que chove...
O teu corpo
Não seria a minha nuvem
Que não move

Se o teu corpo
Não se move
Se  a minha nuvem
Não chove
O que faço à mão?

A minha mão não chove...
Nuvem...
O que faço ao corpo
Que não se move?

O que faço ao corpo
Mão?

O que faço à mão
Nuvem?

O que faço à nuvem
Corpo?

Acorda homem...

Estende a mão
Do corpo até à nuvem
Que não move...

Chove no corpo
Com o que resta 
De nuvem
Faz a festa
Com o resto da mão
Que não presta
E mata de vez a solidão!

 

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ETERNITY


Fosse Eternity
Apenas um aroma
Que se sente
Uma brisa...
Uma fragrância...

Eternidade
É todo o tempo
Que não houve
Desde o tempo sagrado
Da infância...

Fosse Eternity
Apenas um perfume
Que se usa
Um odor
Um cheiro...

Eternidade
É a saudade
Que sinto...
Se sinto
Que aqui não estás
De corpo inteiro...

Fosse Eternity
Apenas um sonho
Simbólico...
O corpo
Que se beija...

Eternidade
É tudo o que não se esquece
"Com os olhos de coração"
E a cabeça merece...
Na tranquila paixão
Que se deseja...

 

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NUNCA MAIS!!!


Nunca mais o sol matinal
Por entre grades...
Nunca mais o frio.

Nunca mais mãos de criança
Que em súplica se estendem...
Nunca mais o cio!

Nunca mais o rio
De pensamentos que não posso...
Nunca mais
O vão vazio,
Supremo e nosso!

Nunca mais a dor
Que não suporto...
Nunca mais o turpor
Enlouquecido
Do teu corpo...

Nunca mais!...

 

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FECHO

 

Se alguém perder um segundo

A pensar no que passou

Perde o combóio do mundo

No segundo que voou

 

 

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Ultima actualização 2000/04/16

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