| Apresentação |
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O
Livro "Poemar" que brevemente será editado na vida
"real", pela Hugin
Editores, só foi possível pelo incentivo que os amigos
cibernautas dos canais de poesia resolveram dar-me. De facto nunca pensei
vir a editar poemas, sempre pensei que ficariam na gaveta. O
lançamento está previsto para finais de Maio. O preço de capa
deve rondar os 2.000$00.
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| Prefácio |
| Uma
aproximação a "Poemar" de João Moutinho
Toda a poesia nasce de um exílio, de uma ruptura, de uma distância. O poema é, sempre, uma forma de ligar de novo aquilo que os acidentes do quotidiano vieram a separar. Se esta verdade se aplica a toda a poesia, ainda mais se reflete na chamada poesia do amor. Neste caso "Poemar", título deste livro, será ou poderá ser, "amar no poemar". O ponto de partida é um lugar: Espero / Aqui / Sentado em solidão / Num sol que não existe / Espero… Nesse lugar um calendário lembra o passado: A primavera da minha vida / Foi contigo… Mas outro calendário vislumbra e antecipa o futuro Quando sentirmos / Que dois já não são tudo / E o mundo é diminuto / Para comportar o nosso amor… / Quando / seja por que processo for / Conseguirmos ser apenas um / Passeando nas alamedas floridas / Da nossa felicidade… Para João Moutinho o poema é um lugar de reunião, um espaço sentimental: Entrelinho nos meus versos / Sentimentos / Que não suporto / Ver dispersos Mas também pode ser memória de um encontro real e vivido; não apenas sentimental e sonhado: Sei que trazias vestido… / Já nem sei de que tecido… / Pelo toque… era veludo / Da cor da noite e do dia / Talvez… da cor do amor / Ou da cor da poesia… Neste livro o amor pode ser simbolizado pela matemática (1 mais 1 igual a 1) mas também pela escultura: Esqueço-me de tudo / Na doçura / Dos teus dedos de veludo / Sobretudo a luta que travamos / Palmo a palmo / Em cada milímetro do corpo / O teu suspiro / É uma prece / Um eco, um salmo / Que enlouquece / E quase perco / O sentido do meu corpo / Que estremece… Depois do encontro que o poema celebra, surge o poema como lugar de invocação chamando por alguém que está longe: Vem amanhecer a minha noite / Aminah / Dança-me / Envolvente e bela / Com todas as cores / Da tua natureza… Da distância e da ruptura nascem lágrimas e o poema, lágrima de palavras, regista essa verdade: Não me perguntem pelas lágrimas / Não sei onde estão… / Já é passado… passou / O futuro / Sou eu que aqui estou / E tão presente / Não sei se alguém limpou… / Mas a lágrima secou… / Felizmente… A poesia de João Moutinho oscila entre um discurso de ansiedade pela distância e de euforia pelo encontro com a mulher amada. E todos os motivos são legítimos, todos os pretextos são felizes. Como por exemplo o nome comercial, a marca de um perfume: Fosse Eternity / Apenas um aroma / Que se sente / Uma brisa / Uma fragrância… / Eternidade / É todo o tempo / Que não houve / Desde o tempo sagrado / Da infância… / Eternidade / É tudo o que não se esquece Para terminar fiquemos com uma nota sintética e geral: se para quem tem uma visão cínica do Mundo e da Vida "o amor é eterno enquanto dura" para João Moutinho o amor permanece e dura muito tempo – pelo menos no poema. E essa realidade escrita num livro, numa página de impressora ou num écran da Internet é uma forma teimosa e precária, silenciosa e profunda, feliz e efémera, de dar ao nosso tempo tão veloz e desabrido um pouco do perfume do amor. O mesmo é dizer – da eternidade. José do Carmo Francisco
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| Introdução |
| UM
VERSO
Escrever apenas um verso Mesmo sem muito valo É deixar no Universo Um universo de amor
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| Dedicatória |
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Dedicado a todos os amigos que "forçaram" e tornaram possivel a edição desta colectânea de poemas, POEMAR, é uma viagem através de momentos de vida, impressões, palavras, sentimentos e simples desabafos, abafos que tantas vezes utilizo para afagar a minha persistente e acompanhada solidão!
Aos meus Pais – devo-lhes a existência À minha esposa – devo-lhe a paciência À minha filha – devo-lhe a ausência Ao meu neto – devo-lhe o futuro Ao Francisco Figueiredo – devo-lhe o conhecimento Aos cibernautas – devo-lhes o empurrão Ao meu Editor – devo-lhe a confiança Ao público anónimo – devo-lhes a leitura
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VIRGEM Ai! Há um barro que se molda nos meus dedos quando moldo nos teus medos segredos que não agarro nem na nuvem do cigarro que não fumo... nem no copo de vinho que não bebo nem no verso final que nunca escrevo virgem |
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ANTOLOGIA Espero. Aqui Sentado em solidão Num sol que não existe Espero... Odeio aqueles pombos que beijam A inveja que me fazem, amando, Porque não te tenho, Por ter a noite Que dantes era tua, Por não te ter a ti, Réstia da minha lua, Que o sol cobriu. A primavera da minha vida Foi contigo... Agora... Aqui... Sentado em solidão De pobres sem abrigo Espero... |
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QUANDO... (DEPOIS DE TUDO) Quando (depois de tudo) Pudermos sentir O cheiro da liberdade Através das grilhetas Dum futuro incerto... Quando sentirmos que Dois já não são tudo E o mundo é diminuto Para comportar o nosso amor... Quando pudermos olhar Por cima da cidade Sem medo Que dedos indiscretos nos apontem... Quando Para além do que a vista alcança Ainda conseguirmos entender Uma réstia de ternura no olhar... Quando, Seja por que processo for, Conseguirmos ser apenas um Passeando nas alamedas floridas Da nossa felicidade... Quando já não houver receio De olhar o passado, Como tubarão devorador, E sentirmos que é sempre no futuro Que se contrói o verdadeiro amor... Quando formos capazes De nos encararmos longamente E apenas encontrarmos amor para olhar... Então sim! Encontraremos a suprema razão de viver! |
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MAIS DO QUE SILÊNCIO Mais do que silêncio Senti no teu olhar A ternura do luar Sobrevoando o Pico A tranquilidade do mar Banhando a íris do meu porto O despertar silencioso Do sentimento mais rico Mais do que silêncio Foi gato nos meus dedos Despertar de segredos Há tanto tempo escondidos Caminhos que vi perdidos Sonhos, sustos, gritos, medos Mais do que silêncio Foi trovão nos meus ouvidos Pão, carinho, amor e vinho Confusão de sentimentos Alimento precioso dos sentidos Mais do que "silêncio" Foi silêncio... E ficámos envolvidos |
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SEJA QUAL FOR O CAMINHO Seja qual for o caminho Que me leva para ti Seja lá que razão for Só pode ser por amor Só pode ser por carinho Mas se os caminhos da vida Tornarem a vida agreste E não me deixarem ir Valeu a pena sentir O carinho que me deste Fica sempre na memória, Mesmo quando ela não quer, Um sorriso de mulher Uma história por contar Uma mentira qualquer... Um abraço só, sonhado, Um soslaio no olhar E o corpo arrepiado Já não consegue negar Que o amor é para amar E mesmo que a união, O sonho que se sonhou, Nunca se dê por inteiro Será sempre verdadeiro O amor que sempre amou E as pedras do caminho Que nos viram caminhar, Mão na mão, devagarinho, Nunca poderão negar Que há caminho para andar |
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ENTRELINHAS Entrelinho nos meus versos Sentimentos Que não suporto Ver dispersos Digo só o que digo O resto fica aqui Neste meu porto de abrigo Que não esqueço Até que sinta ser O que pensas que mereço... Nem sempre sou directo... Desenho ângulos obtusos... Procuro por detrás Da paisagem... Muito mais do que a imagem Que me dás. Os rostos que pinto Com as palavras que tenho Não podem ser confusos... Podem mudar as longitudes Do que sinto Das latitudes... Não fujo! Não preciso fugir, Nem quero sentir-me sujo... Podem mudar o horário, Baralhar os fusos, Podem, até, ler-me ao contrário... Encontrarão no cenário, Que me apetecer construir, Os triângulos que não fiz! Troco, naturalmente, A recta Pela bissetriz Das minhas atitudes... Das virtudes Não sou eu que hei-de falar Se as tiver Não estão sozinhas Nas linhas que não escrever, Nos quadros que não pintar Na mulher que sei amar Nas entrelinhas |
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TU Tu és a noite De todos os sonhos O sonho De todas as minhas noites Tu és a onda De todos os oceanos O oceano De todas as minhas ondas Tu és a margem De todos os rios O rio De todas as minhas margens Tu és a tinta De todos os quadros E o quadro De todas as minhas tintas Tu és o verso De todos os poemas E o poema De todos os meus versos Tu és a Lua De todas as fases E a fase De todas as minhas luas |
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LENTAMENTE Entraste com muito jeito No abrigo deste peito Que há muito tempo está mudo... Sei que trazias vestido... Já nem sei de que tecido... Pelo toque... era veludo Da cor da noite e do dia Talvez... da cor do amor Ou da cor da poesia... Desnudei a cada rima As estrelas que me deste Na noite que se ilumina E até aí estava nua... Então... vesti-te de lua Pouco a pouco Lentamente... Senti na ponta dos dedos Um pouco dos teus segredos E fui eu que me despi! Entraste com muito jeito... |
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LIVRO ABERTO Eu sou Um livro aberto De pétalas ao vento Ao sabor do sentimento Eu sou... Espelho dos teus olhos, Alimento dos sentidos Eu sou... Amor amigo! A mão estendida e o abrigo A semente do teu trigo Eu sou... talvez O sonho proibido O fruto desejado Eu sou amado! |
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QUERO FLORES NO TEU CABELO Hoje... Quero flores no teu cabelo Florestas de ternura Na ponta dos teus dedos... Hoje... Quero violar os teus segredos Beber com loucura As fontes perfumadas do teu corpo Hoje... Quero embriagar-me de amor Nas ondas da tua candura Percorrer o teu corpo Lentamente... Fazer do teu cabelo Um novelo de amor ardente Hoje... Desfolharei Pétala a pétala Milhares de flores Sobre o teu corpo... Depois... Podem os anjos tocar Até adormecer... Até amanhecer... Até enlouquecer... Porque hoje... Plantei flores No teu cabelo! |
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MÃOS I Descascaste o poema No silêncio das mãos Foi porcelana nos teus dedos O barro tosco que te dei E sei que nunca serei O corpo... Onde as mãos repousam Onde as mãos ousam Existir... |
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LÁBIOS Não sei por quantas mulheres Por quantas musas escrevi Nem sei sequer Se foi por elas Ou por mim... Revejo às vezes Num ou outro texto Um olhar... Um toque... Um gesto"! Já nem sei se isto é Vício... Vaidade... Ambição Ou precipício... Mania de impressionar Ou querer apenas Dar nas vistas Devo fazer parte da corte dos "narcisistas"... Às vezes meto-me nojo... Que descaramento... Que arrojo! Tudo bem Aquiesço Baralho as palavras Com algum interesse... Dizem! Mas mereço? Mas afinal isso é fácil É até fácil demais Estão todas lá no dicionário... As agudas, as esdrúxulas, As excêntricas, As minúsculas... Estão até aquelas Bacilentas, magricelas Essas que nunca lembramos Palavrões enegrecidos Pela poeira dos anos... Só não estão as que inventamos A cada esquina da vida. A cada borda de cais, Mais um monte de sinais Que não fui eu que inventei Só invento o que não sei! Onde é que param os meus? Saberá Deus... se os dei? Onde estão os meus sinais? Serão estes podres versos Onde quase sempre a frente Se enfrenta nos meus reversos? Não me apetece responder Mas será que isto é escrever? E será culpa das musas? Das mulheres? Das palavras? Das ideias? Às vezes ainda revejo Num ou outro texto Um olhar... um toque... um gesto... Às vezes um desejo... Um cheiro... Um beijo! Um poema por escrever O sabor dos homens sábios... O prazer nasce nos lábios... |
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ASSIM Fica assim como estás não faças nada não mexas deixa que toque apenas as madeixas as sobrancelhas um sussurro só junto às orelhas - amo-te... quieta, proibidos os excessos Fica assim como estás Não faças nada relaxa apenas deixa-me ser eu a tratar dos teus poemas podes até fechar os olhos imagina-nos apenas na retina sente os meus dedos nos teus lábios podes... podes dar um beijo um só... devagarinho que os dedos são sábios e podem querer abusar... Lá vão eles... devagar cavar o fosso entre o teu queixo e o pescoço coisa maluca... não é que foram à nuca e ficaram em alvoroço... Lenta e docemente quais bailarinas em pontas vão as pontas dos meus dedos desvendando as tuas costas eu sei que quase não sentes parecem quase carícias murmuradas entre dentes de repente... mudam de rumo, viram-te de frente param... hesitam já não sabem que fazer a qual dos dois dar prazer? Salvação... senti a tua mão encaminhá-los com carinho ao meio caminho entre os seios acabou-se ali o devaneio dos meu dedos embaralhámos as mãos sem medos e sem receios e no meio dos carinhos foram tantos os caminhos que acabámos por fazer Abre os olhos meu Amor... Para quê adormecer? |
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AINDA Ainda sinto O prazer do teu desejo No meu corpo... Vejo-me ainda nú Sobre o teu ventre Entre a vertente Do teu peito E do meu leito! Não era já perfume O teu sabor... Era ainda mais perfumado Pelo odor Do nosso amor suado Alimentado Em brando lume! Ainda sinto O teu desejo nos meus olhos... Ressabore-ei o beijo Que deste no meu peito Os caminhos que fizeste No meu dorso... Ainda sinto A tua língua no meu rosto Enfim! Absorvo Tudo o que deste Aos dois! Depois? Aposto... Que vou dormir E sorrir A sono solto No meu sonho... E não desgosto! |
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DE COR Depois de fechares os olhos... Passei os dedos Na ponta dos teus cabelos Beijei-te a testa Com respeito Tinhas os olhos cerrados Mas mesmo assim, A meu jeito... Passei ao de leve os lábios E deleitei-me feliz Naquela festa... A língua deslizou Pelo nariz... Vê lá tu que coisa louca... Aterrei na tua boca E fiquei lá tanto tempo Que os desejos Foram beijos E a garganta Ficou rouca! Meio saciado Subi por um lado da montanha E beijei o pico Enquanto quis... Não sei se fiz bem Mas fiz... Deslizei depois Até ao vale do teu seio E ali... mesmo ao meio... Repousei! Devo ter passado pelo sono Tal era o abandono Que sentia! Recuperado Subi o outro lado da vertente E... alegremente Brinquei, beijei, lambi Quase me esquecia de ti... Olhaste-me tão doce Que sorri! Levaste-me... E mansamente Desci... um toque aqui Outro ali... À candura do teu ventre E por ali me perdi... Ah! Meu amor O resto já não sei Confesso não resisti... Certamente desmaiei... Mas agora que acordei Recordo-te, linda, aqui Neste sonho que inventei... Ainda bem que não morri! |
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ESCULTOR No espaço breve Do abraço que te dou No chão de neve, Breve leito, Em que te deito E me deleito Sinto-me bem Em ser apenas o que sou... Esqueço-me de tudo Na doçura Dos teus dedos de veludo Sobretudo A "luta" que travamos Palmo a palmo Em cada milímetro do corpo De quando em vez Solta-se um gemido... E tudo freme... Ao meu ouvido O teu sussuro, O teu suspiro, É uma prece Um eco, um salmo Que enlouquece E quase perco O sentido Do meu corpo Que estremece... Chamem-me louco, Sim... chamem-me louco... Se a loucura é isto Eu não me importo Nem resisto... Deixem-me cavalgar As ondas deste mar Que me inundou... Deixem-me sentir A ventura deste ser E saber que o meu prazer Não acabou Ainda agora Comecei esta escultura! Se esta aventura Que moldei Não for a obra prima... Se a lágrima Alegre que chorei Não legitíma O nosso amor... Então não sei Mas não serei Escultor! |
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MAIS DO QUE LOUCURA Mais do que loucura É a certeza de encontrar Entre os teus dedos A ternura que revejo nos teus olhos A alegria das rosas Em sangue no teu rosto Mais do que tristeza É a certeza de nos sabermos Livres - presos - A vontade que temos de ser nós O desejo que contemos... incontido Nos gestos perturbados... Mais do que verdade É a certeza de fazermos Das palavras... uma espada. A guerra que travamos é nossa Sem manchas de sangue Nem balas odiadas. |
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REINVENTAR... Ah! Quem dera Poder reinventar a Primavera Da vida que não vivi... O que é que eu sou sem ti? Poder ainda esperar, Sorrisos no teu olhar... Beijos da tua boca... Deixa estar... A minha pobre cabeça Já está louca... Não é que não mereça Outra oportunidade... Valha a verdade... Tantas foram As que perdeu! A loucura Foi apenas um ar que lhe deu Um poema mais que não escreveu O gesto são... O gesto vão... De quem apenas se provoca! Já ninguém me constrói Não vale a pena! Sinto ser apenas o poema Que não flui! Já nada flui Na minha vida! Devo ter sido apenas Um falhado projecto... Nem dejecto fui... Mas mesmo assim Mesmo rindo de mim Ainda me arquitecto... Ainda sonho... Ainda rio... Ainda penso... E, se o rio do pensamento, Não morrer, Se este momento de escrever Se eternizar Ah! Meu amor Esteja essa quimera Onde estiver... Seja este chão Em que me deito O mais perfeito leito, A mais sofrida dor, Sei que sem qualquer temor Como um sonhador qualquer Em qualquer era Reinventarei A Primavera... Do amor! |
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TUDO Tudo... É aquilo que eu quero ser... Menos não aceito Já passei tempo demais A não querer... Ser tudo aquilo Que sinto ter direito! Tudo... É o que falta percorrer Do teu caminho Depois de tanto tempo Sem correr... Tudo... É o que falta de viver É o carinho... O amor... A ternura... A acontecer Em cada gesto... Tudo... É este crer em cada peito É este jeito De despir em cada olhar É ficar nú Vestido de veludo E sentir tudo O que cada um tem para dar... Tudo... Tudo!... |
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AMINAH Vem amanhecer a minha noite Aminah Dança-me, Envolvente e bela. Com todas as cores Da tua natureza... Deixa que a íris do meu sonho Toque de leve A brisa do teu ritmo Ainda que seja breve O favor do teu olhar Aminah... Anima-me... Aminah! Liberta Um só dos teus sorrisos Musa... E será louco O fluxo dos meus versos... Permite... Sejam preversos Os traços que traço Do teu perfil... Ondula-me Com mimos a ponta Dos meus cabelos E todos os meus Desvelos Serão teus... Aminah!!! Ilumina-me Aminah! Ensina-me os teus passos... A magia, contida, Na força do teu corpo... Ensina-me Aminah! O sorriso terno... O olhar doce... O amor pleno... Ensina-me aminah! O teu carinho... E nunca mais A minha dança será vã Nem vão o meu caminho... Aminah! Deusa, irmã... Querida Estrela da manhã... Dá sentido à minha vida! |
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BAILARINA Vi a lua bailarina Perder-se por entre a bruma... Perder-se na branca escuna Que se envolveu no meu mar Virou nuvem... virou espuma... Vi a lua peregrina Saltitar pé ante pé Pela ondas da maré Mostrando as fases que tem E que não são de ninguém Vi a lua preguiçosa Dolente, deliciosa A dançar noites de amor... Desfolhou na minha rosa Pétalas da sua dor Pude ler na dor da lua A dor que também foi tua E que não soubeste dar... Bastava apenas um gesto Um sorriso... um olhar terno... E arderia o inferno Que ferve no meu luar Passei a esquina da rua Sem olhar o firmamento... Quero lá saber se a lua Lá está naquele momento Ou noutro sítio qualquer Nunca me foi alimento Nunca foi minha mulher A mulher da minha lua Pisará o chão que piso Sorrirá no meu sorriso Dormirá no meu colchão Saberá, se for preciso, Afagar a minha mão Quando perder o juízo Vi em ti a minha lua Fina, doce, branca, neve... Que nunca a vida me leve O brilho do teu luar! |
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ESTRELAS Intenso demais O imenso brilho que revelas No espelho do teu corpo Nú ... sob as estrelas! Contemplo apenas o reflexo Da nudez Na minha mente Tão docemente fere O teu amplexo Tão ardentemente Adere... Se as estrelas soubessem A textura do teu peito Sonhassem elas A leveza da pele Onde me deito E deixariam de brilhar Na imensidão do firmamento... Deixa-me apenas olhar... Fixar este momento... E viver de prazer A recordar! Soubessem as estrelas sonhar... |
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SOSSEGO Quando me prolongo Nas noites de cetim... E o dia, em mim, Se torna ainda mais longo... Quando o único Pensamento que presta... Tudo o que me resta É o resto que ficou Do teu sorriso! Quando nas madrugadas Da minha incerteza É ainda a beleza Dos leus lábios Que respiro... E suspiro Ao sentir o teu arfar No ouvido... Quando a presença Da tua saudade É quase uma sentença Que limita a liberdade De pensar... Quando amar É uma alvorada de criança E a esperança Se pinta de qualquer cor E o amor Se solta de todos os poros Do meu ser... Quando ser Se resume a isto... Deixar que seja dia até amanhecer... Reconhecer Todas as noites Do teu ventre... Todas as luas Do teu peito... Todas as marés Das tuas rugas... Todas as fugas Do teu ego... Num deixar acontecer Que não desisto... E não sossego.. Se não resisto escrever... O que mais posso dizer Quando a noite amanhecer? |
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PINTO DE COR Pinto de cor Em papel aberto Horizonte azul Em verde mar... Sem encontrar O tom correcto A mistura certa A cor exacta Fica tudo por pintar Com tanta cor na paleta... Fecho a retina E lá está Exemplar A obra prima... Que não consigo pintar E fico assim Lembro-te só dentro de mim Sem horizontes Nem marés Sem azuis... esverdeados Nem verdes... azulados Lembro-te Exactamente como és Mulher completa Da cabeça aos pés Lembro-te Com todas as cores Do arco-iris É curioso Não te sonho nua Apenas despida Linda Lua Ganha fulgor Na minha tela interior O teu carinho... Percorro calmamante O teu caminho... Sinto nos teus lábios Húmido langor... Estremece o corpo todo Num suspiro... De amor Falam-me os dedos Que deslizam no teu peito, Aveludam o teu ventre, E continuam a viver Ardentemente Interiores Só sonhados... Turgidos... Perfumados... Doce leito Em que me deito E te descubro E... Satisfeito Vou ao rubro! |
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GOSTAVA... Gostava de me ver Em corpo inteiro Perdido para sempre no teu corpo. Gostava de ser Natal Acordando no teu leito. Gostava de ser pai Do Natal que prevejo No teu ventre. Gostava de ver presente O futuro que desejo Gostava que uma rosa caísse... Pétala a pétala No meu peito Desfolhada em tuas mãos... Gostava que fossemos apenas um Passeando nas manhãs de primavera... Gostava... De perpetuar este momento Gostava... |
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FERIDA Não me perguntes porquê? Mas sinto que estou aí Donde não mandas sinais... Não! Nunca digas que é demais! Demais é não se poder Dizer tudo o que sente... Demais foi todo tempo Que não houve Entre o passado e o presente... Esse momento fugaz Essa carícia dos dedos Em que um só olhar de paz Nos desfaz tantos segredos... Não! Nunca digas que é demais Demais é querer sentir-te E não poder... Demais é esta ferida Por sarar... Esta fúria de escrever... E nunca será demais Usar a palavra Querida Que me apetece viver... Estes momentos de amor... Euforia de sentidos Que sinto não serem dor Mas, sim, momentos queridos! |
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ARCO IRIS Às vezes Escrevo a verde Sobre mágoa E a água Que me lava Não tem cor Às vezes Dentro de mim Vermelho é lava De vulcão A querer explodir Mas não é sangue Às vezes O sangue é azul Mas a mágoa que me abrasa É mais sublime Arde em brando lume E não me arrasa Nem nunca chegará a ser ciúme Às vezes A alma do poeta É violeta Cor da bruma Que se espraia Na ponta da caneta E vai morrer na praia Em branca espuma Às vezes São infantis Os versos, desta raiz, Que alimentam o meu espanto Se o mundo é feito de cor Queria dar-te meu amor... O encanto Em arco-iris |
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FELIZMENTE Não me perguntem pelas lágrimas Não sei onde estão... Eram lágrimas as gotas Que rolavam pela cara? Caíam pelo chão? Que importância tem a água Que rola pelas rugas Desta face? E sabem a sal na boca E nunca me serviram de disfarce Choro sim... E porque não? Perguntem-me antes pela mágoa Que se solta Por dentro daquela água Perguntem-me pela revolta? Pela esperança Perdida desde criança? Perguntem antes por mim Ou pela espécie de poeta Que julgam que sou Assim como assim... Já é passado... passou O futuro Sou eu que aqui estou E tão presente... Não sei se alguém limpou... Mas a lágrima secou... Felizmente... |
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QUISERA SER QUIMERA Pudera ser quimera A vida inteira E nunca mais o Deus Seria Deus Faria do inverno Primavera Faria dos cristãos Meros ateus... Faria de ti A fera que pensas, Mas não és, E lenta... Muito lentamente Deixaria arder As pétalas de incenso... E intenso, Como lume, Brotaria dos meus lábios O perfume Que meiga, doce E loucamente Te inundaria os pés... Pudera ser quimera A vida inteira E nunca mais a Terra Que nos ama Seria palco Doutra guerra Insana... Subiria Leve, como talco, As montanhas Paralelas do teu corpo E soletrando-te Entre dentes Sorveria As vertentes Do teu mar E, quase morto... Continuaria ainda A navegar... Pudera ser quimera A vida inteira Pudera ser quimera O tempo todo E nunca mais Na nossa esfera A linda era Haveria de tornar-se Em podre lodo... Faria dos meus dedos... Peregrinos Viajantes suaves E profundos Gastaria Todos os meus meios... E em carícias, Sem receios, Caíria sem sentidos, Nos dois mundos Dos teus seios Sibilinos Gastaria A energia Que me resta Numa réstea só Do teu olhar... E ao acordar A festa Não deixasse De ser festa E a hera... hera... Era não era? Quisera ser quimera!
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FOSSE Se eu fosse Apenas uma nuvem Que não chove... A mão que se move No teu corpo Não seria minha Se eu fosse Apenas a mão que chove... O teu corpo Não seria a minha nuvem Que não move Se o teu corpo Não se move Se a minha nuvem Não chove O que faço à mão? A minha mão não chove... Nuvem... O que faço ao corpo Que não se move? O que faço ao corpo Mão? O que faço à mão Nuvem? O que faço à nuvem Corpo? Acorda homem... Estende a mão Do corpo até à nuvem Que não move... Chove no corpo Com o que resta De nuvem Faz a festa Com o resto da mão Que não presta E mata de vez a solidão! |
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ETERNITY Fosse Eternity Apenas um aroma Que se sente Uma brisa... Uma fragrância... Eternidade É todo o tempo Que não houve Desde o tempo sagrado Da infância... Fosse Eternity Apenas um perfume Que se usa Um odor Um cheiro... Eternidade É a saudade Que sinto... Se sinto Que aqui não estás De corpo inteiro... Fosse Eternity Apenas um sonho Simbólico... O corpo Que se beija... Eternidade É tudo o que não se esquece "Com os olhos de coração" E a cabeça merece... Na tranquila paixão Que se deseja... |
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NUNCA MAIS!!! Nunca mais o sol matinal Por entre grades... Nunca mais o frio. Nunca mais mãos de criança Que em súplica se estendem... Nunca mais o cio! Nunca mais o rio De pensamentos que não posso... Nunca mais O vão vazio, Supremo e nosso! Nunca mais a dor Que não suporto... Nunca mais o turpor Enlouquecido Do teu corpo... Nunca mais!... |
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| FECHO
Se alguém perder um segundo A pensar no que passou Perde o combóio do mundo No segundo que voou
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Ultima actualização 2000/04/16