2.1. As críticas de Roberts e Wolberg [1]

As afirmações feitas no livro intitulado "Handgun Stopping Power: The Definitive Study" [2] , de Marshall e Sanow, foram duramente criticadas por Gary K. Roberts, do "Naval Dental Center" de São Francisco, e Eugene J. Wolberg, do Departamento de Polícia de San Diego, na Califórnia (EUA), que apontam erros grosseiros dos autores, em revisão feita ao referido livro, onde referem que "... em lugar de ser o 'Estudo Definitivo' do poder de parada, como o título proclama, este livro confuso provê o leitor apenas de uma mistura esquizofrênica de material. A maior parte do livro está repleta de contradições, enganos, e especulação não comprovada". [3]

2.1.1. A teoria do "choque neurogênico"

Um dos pontos mais controversos do estudo de Marshall e Sanow é a teoria do choque neurogênico, que diz que o impacto do projétil, se suficientemente forte, pode "nocautear" o oponente de maneira semelhante ao que ocorre com os lutadores de boxe.

A Dra Mary Case, médica neuropatologista pós graduada e patologista forense do "St. Louis County Medical Examiner's Office" e da "St. Louis University School of Medicine", o Dr. Michael Graham, patologista forense do "St. Louis County Medical Examiner's Office" e da "St. Louis University School of Medicine" , o Coronel Charles Van Way, cirurgião geral do 325º Hospital Geral do Exército dos EUA, e o Dr. Thomas Helling, diretor de Cirurgia de Trauma no "St.Luke Hospital" na cidade de Kansas, em revisão ao capítulo 2 do livro de Marshall e Sanow, denominado "A Neurologist's View of 'Stopping Power'", foram unânimes na condenação do material publicado. Para estes cientistas, as afirmações feitas neste capítulo são absurdas, como também o são as observações relativas à habilidade de um projétil em remotamente causar "stress" e danos ao sistema nervoso central, afirmações estas, defendem, sem suporte por qualquer evidência científica. Esta "especulação pseudocientifica" é apresentada no referido livro como sendo verdade, como fato científico, ainda aludindo aos dados do Dr. Göransson como sendo a única fonte realmente científica que Marshall e Sanow citam para apoiar suas suposições. [4] Helling observa que este material "... relata da pura anedota à mera suposição", enquanto o Dr. Van Way observa que "... não só parecem não ter nenhuma evidência como suporte, mas contradizem o bom senso". 

Os especialistas afirmam que uma revisão completa da literatura científica relativa a ferimentos por projéteis não tem apresentado qualquer documento válido que demonstre que projéteis possam causar um "efeito remoto" no sistema nervoso central. 

2.1.2. As porcentagens de incapacitação

Roberts e Wolberg também informam que, ao longo de todo o livro, Marshall e Sanow apresentam resultados "de rua", que pretendem mostrar a ocorrência do "stopping power" e a porcentagem "one-shot stop" que determinados projéteis produziram em tiroteios atuais. Por exemplo, Marshall e Sanow escrevem que "... estes resultados de rua são o coração e alma deste livro no que se refere ao 'stopping power'". Para os críticos, dados precisos e bem documentados do desempenho de projéteis em tiroteios atuais são um suplemento crucial a resultados de teste de laboratório, mas infelizmente informação válida é muito difícil de ser obtida. Os dados de campo descritos parecem estar baseados em histórias incompletas ou não verificadas.

Marshall e Sanow fazem referência em seu trabalho à cinco tiroteios nos quais foram utilizados projéteis Glaser. Estes eventos teriam sido apresentados por Eugene Wolberg, que, entretanto, confirma apenas só o terceiro e quinto incidentes descritos como sendo ele apresentados, e que apenas estes dois eventos são completamente documentados e comprováveis. Wolberg nega o conhecimento dos primeiros dois relatórios de tiroteio que Marshall e Sanow lhe atribuem.

Nas páginas 43 e 44 de seu livro, Marshall e Sanow discutem sua metodologia na coleta de dados :

"4. Para que fossem incluídos neste estudo, eu insisti em ter, ou pelo menos revisar, alguns dos seguintes documentos: relatórios de polícia, relatórios de provas técnicas, declarações da vítima (se ela sobrevivesse), relatórios de homicídios, resultados de autópsias e fotografias. Sempre que possível, eu também conversei com os médicos da sala de emergência e assistentes. Projéteis  recuperados foram examinados ou fotografados pessoalmente por mim, ou a mim foram fornecidas fotografias dos projéteis". 

Wolberg afirma nunca ter fornecido a Marshall ou Sanow quaisquer dos relatórios, resultados de testes, fotografias ou evidência a qual eles informam ter insistido em analisar para incluir um incidente em seu banco de dados. Como resultado, a veracidade do banco de dados inteiro é questionável.

A veracidade dos "resultados de rua" apresentados por Marshall e Sanow também é duvidosa, já que os autores violam princípios básicos de pesquisa científica, não publicando seus dados originais e pedindo "segredo" quando chamados a identificar as fontes de sua documentação, para que investigadores independentes, especialistas em lesões por projéteis, pudessem checar seus resultados.  

Adicionalmente, os "resultados de rua" de Marshall e Sanow, e suas estatísticas de "one-shot stop", falham em indicar quais estruturas anatômicas foram rompidas e danificadas pelo projétil. Eles também ignoram o fato crucial que muitos adversários são incapacitados devido a fatores psicológicos, em lugar de apenas a razões fisiológicas: eles decidem parar, mas não são forçados a parar.

Enquanto o grau e rapidez de qualquer incapacitação fisiológica produzida por um determinado projétil é previsível, com base nas estruturas anatômicas e na severidade dos danos aos tecidos, a incapacitação psicológica é uma resposta humana extremamente irregular, altamente variável e individual, completamente impossível de predizer, e que é independente de qualquer característica inerente ao projétil. Uma crítica eloqüente que analisa as falhas destes "resultados" de rua e "estatísticas de parada" de um só tiro são apresentadas por U. Patrick. [5]

Para Roberts e Wolberg, um exemplo típico das contradições deste livro é a citação que pode ser vista à página 161, que indica os autores estarem completamente atentos à natureza sem sentido dos dados de rua e aos irrelevantes e enganosos dados de "one-shot stop":

"Para tornar o assunto pior, todos os resultados de tiroteio são anomalias, casos únicos e sem igual".

O dados desafiam comparação direta entre um e outro. Cada caso está repleto de variáveis que vão além do número: algumas são reais, outras somente percebidas. 

As variáveis reais baseadas em fatos incluem (mas não estão limitadas a): o estado mental da vítima, a presença de álcool ou outras substâncias químicas modificadoras do comportamento (como o PCP) e o tamanho físico e a resistência da vítima. Outras variáveis incluem o tamanho do cano da arma e a velocidade de impacto do projétil, as condições da munição utilizada e a presença de obstáculos a serem vencidos pelo projétil para alcançar o alvo. 

As maiores variáveis em qualquer lesão por projétil são o caminho exato que este leva de entrada até saída do corpo, e quais tecidos exatamente atinge. Dois caminhos de projétil podem ser idênticos, da entrada à saída. Se um deles corta, por exemplo, uma artéria principal ou mesmo fragmenta um osso, os resultados podem ser muito diferentes, até mesmo se o restante do cenário for igual. 

2.1.3. Predizendo o "stopping power"

Roberts e Wolberg afirmam que as fórmulas "pseudocientificas" utilizadas para predizer o "stopping power", apresentadas no Capítulo 17 do livro de Marshall e Sanow, não possuem qualquer evidência científica. Estas fórmulas parecem completamente sem sentido, já que os dados estão baseados em resultados enganosos e os testes de munições em gelatina balística utilizados pelos autores parecem controversos e inexatos. 

2.1.4. Profundidade de penetração

A profundidade de penetração dos tiros de teste em gelatina balística listados por Marshall e Sanow é consideravelmente maior que a informada por laboratórios de pesquisas balísticas ao longo dos Estados Unidos: exemplos: a penetração do projétil Winchester 147gr JHP é, em média, de 15.9 polegadas, enquanto dados do "Southest Missouri Regional Crime Laboratory" indicam uma penetração de apenas 13 polegadas; para a munição Federal .357 Magnum 125gr JHP, os dados mostram uma profundidade de penetração de 13.3 polegadas, enquanto o FBI informa uma penetração de 10.6 polegadas para o mesmo projétil; é apresentada uma profundidade de penetração de 17.1 polegadas para projétil Remington .45 ACP 185gr JHP, enquanto o "Letterman Army Institute of Research" do Exército dos EUA mostra, para este projétil, 10.9 polegadas de penetração média. [6]

Numerosos artigos discutiram o fraco desempenho da munição "hollow point" leve, de alta-velocidade e penetração superficial, e dos projéteis pré-fragmentados, e como esta munição pode por em risco a vida de policiais. [7]   Estes artigos recomendam, em caráter de urgência, as agências de execução da lei escolher munições mais efetivas, a fim de prevenir a morte de policiais por desempenho inadequado do projétil. Além de aumentar a segurança do policial, a mudança para uma munição mais efetiva reduziria também o número de processos: se um policial for morto ou ferido enquanto utiliza munição considerada ineficaz pela literatura especializada em balística, a agência seria considerada negligente em qualquer litígio civil. Roberts e Wolberg lembram que Marshall e Sanow parecem concordar com estas recomendações quando declaram na página 23:

"... embora de 6 a 8 polegadas de penetração sejam aceitáveis, o projétil precisa penetrar de 12 a 15 polegadas. A mesma penetração profunda é necessária contra um oponente abaixado ou deitado, contra um criminoso sentado em um carro, contra um oponente buscando cobertura e expondo apenas partes não vitais, ou contra uma pessoa que atira com o corpo em um ângulo de 45 graus."  

Marshall e Sanow contradizem suas declarações prévias ao escrever, na página 188:

"12 polegadas é um mínimo realista, como reivindicam alguns peritos? Não de acordo com os resultados atuais. As três cargas que não obtiveram esta penetração de 12 polegadas em média são extremamente interessantes. A mais significante é a Winchester 9mm +P+ 115 grains JHP Q4147, utilizada pela polícia estadual de Illinois (ISP). O projétil com carga +P+, que penetra somente 7.9 polegadas em gelatina, ainda produz a incapacitação com um só tiro em 88.23 das vezes. Este é um resultado extremamente efetivo". 

Larry Fletcher, do "Dallas County Institute of Forensic Sciences", afirma que o Capítulo 5 falsifica os resultados de seu departamento. Ele discorda enfaticamente da recomendação de Marshall e Sanow de projéteis de peso leve e alta velocidade, como o 9mm 115gr e o 115gr +P+ JHP, o .357 Magnum 110gr e 125gr JHP, e o .45 ACP 185gr +P JHP. O "Dallas County Institute of Forensic Sciences" acredita que a superpenetração e a fragmentação excessiva exibidas por estes projéteis resultam em uma lesão pouco profunda. Fletcher enfatiza que todas estas cargas oferecem desempenho inadequado para uso policial, uma vez que exibem penetração insuficiente para alcançar órgãos e vasos importantes existentes no torso, especialmente nos ângulos transversais e oblíquos de incidência comumente encontrados em tiroteios policiais. O instituto recomenda cartuchos com projéteis que ofereçam penetração razoável e expansão confiável sem fragmentação, como o 9mm 147gr JHP, o .40 S&W 180gr JHP, e o .45 ACP 230gr JHP.

2.1.5. Mais enganos sobre a performance de projéteis

Na página 35, Marshall e Sanow afirmam:

"A munição Winchester com projétil 9mm 147gr OSM foi projetada para máxima precisão em carabinas militares. Não é satisfatória para a obtenção do 'stopping power' em armas curtas para uso defensivo/policial".

Na próxima página, eles complementam que o 9mm 147gr JHP:

"... não é um cartucho muito ruim para uso policial, de acordo resultados atuais de confrontos policiais".

Na página 188, estabelecem os autores:

"O desempenho real das pesadas 9mm 147gr indicam muita penetração e pouca expansão".

Marshall e Sanow escrevem na página 62:

"Resultados em gelatina balística permitem predizer claramente que o projétil de 115 grains ponta oca jaquetado como sendo o melhor em 9 mm".

Para Roberts e Wolberg, os autores não oferecem nenhuma justificativa que apóie estas declarações. Dados publicados recentemente sobre o desempenho das atuais munições em 9mm JHP mostram que estas declarações são completamente falsas. Depois de extensivos testes, que determinarem a melhor munição para fins policiais/defensivos no calibre 9mm JHP para uso na pistola compacta XM-11 9mm, os engenheiros responsáveis selecionaram a munição 9mm 147 grains JHP, observando seu excelente desempenho quando comparada à munição 9mm 124 e 115 grains. [8] O relatório do teste faz menção especial de que os cartuchos 9mm 115gr +P+ e 124gr +P+ JHP ofereceram o pior desempenho dentre todas as munições testadas. A munição 9mm 147gr JHP também está atualmente em uso operacional por forças militares especiais norte-americanas e, apesar da opinião de Marshall e Sanow, provou ser bastante efetiva quando disparada de pistolas como a SIG P226 e a Beretta M9/10 (92F/92FS). 

Wolberg, em testes realizados em seu departamento de polícia, revisou a performance da munição padrão do departamento, a 9mm 147gr JHP, medindo a penetração do projétil sua expansão depois de cada incidente de confronto armado policial. [9] O projétil 9mm 147gr produziu uma penetração média de 13 polegadas em tecido humano, tendo expandido de modo confiável nos 27 eventos que atingiram o torso do oponente/vítima. Desde a publicação deste estudo, 17 novos tiroteios adicionais foram documentados, exibindo resultados quase idênticos. Os estudos de Wolberg sobre tiroteios no departamento de polícia de San Diego também compararam o desempenho de projéteis em tecido humano e em gelatina balística. A penetração do projétil tanto em tecido humano como na gelatina foi, em média, de 13 polegadas.  Estes resultados comprovam que a penetração média de projéteis no torso humano é quase igual à apresentada na gelatina balística. Esta análise refuta outra afirmação do livro de Marshall e Sanow, de que a penetração em gelatina balística é em média, de 15 a 20% menor se comparada à penetração em um ser humano vivo.

Pesquisas científicas documentadas provaram que a gelatina balística corretamente preparada não só duplica a deformação e a fragmentação observada em tecido vivo, mas que a penetração resultante está dentro de 3% dos valores medidos em tecido vivo. [10] Ao contrário das declarações incorretas de Marshall e Sanow, a profundidade média de projéteis em tecido vivo geralmente é menor do que as exibidas em gelatina balística, devido às características de resistência da pele,em especial no lado de saída da lesão. A pele, forte e flexível, pode ter a mesma resistência à passagem do projétil do que quatro polegadas de músculo, e freqüentemente causa a parada do projétil sob a pele no ponto em que iria sair, como demonstrado nos resultados de penetração mais profundos observados em gelatina balística. [11]

À página 189, Marshall e Sanow afirmam:

 "A distância de penetração média para as melhores cargas 'de rua' é de somente 13.0 polegadas".

Roberts e Wolberg afirmam que, uma vez que este resultado é exatamente o produzido pela munição 9mm 147gr JHP em tiroteios atuais e testes de laboratório, é surpreendente que Marshall e Sanow continuem recomendando projéteis 9mm 115gr e 115gr +P+, que não conseguem a penetração 12 a 15 polegadas recomendada por eles mesmos na página 23 de seu livro. 

Marshall e Sanow declaram à página 35:

"A munição 9mm Silvertip tem um registro de rua excelente. O único exemplo de infra-penetração, ocorrido no 'FBI/Miami Shootout' não é suficiente para sua retirada de serviço". 

Esta declaração está incorreta, afirmam Roberts e Wolberg: foram documentados numerosos fracassos devido a penetração insuficiente da Winchester Silvertip 9mm 115gr JHP. Um destes incidentes ocorreu nos EUA no domingo de Páscoa de 1989, quando policiais da "San Diego Sheriff's Department Tactical Unit" foram forçados a atirar em um criminoso 27 vezes, porque as 9mm Silvertips padrão não penetraram o suficiente para danificar órgãos vitais e causar incapacitação fisiológica, apesar de o criminoso ter sido atingido várias vezes no torso. Finalmente um projétil rompeu artéria carótida e a veia jugular, relativamente superficiais, resultando em hemorragia maciça, o que pôs fim ao confronto. O departamento de polícia de San Diego trocou a munição padrão (Winchester Silvertip 9mm 115gr JHP) para a Winchester 9mm 147gr JHP, após alguns fracassos de pouca penetração reportados com a munição antiga. 

2.1.6. Conclusões de Roberts e Wolberg

Vimos que Wolberg é citado nos trabalhos de Marshall e Sanow de maneira que tornam sem crédito algum todos os dados expostos no referido livro:

"É lamentável que os autores não tenham despendido o tempo necessário para pesquisar adequadamente e documentar o material exposto no livro, e que os editores não tenham exigido a correção dos enganos visíveis ao longo do livro. Como resultado, o texto tem muitos erros, inconsistências, e um descuido muito grande com a verdade científica para que possa ser recomendado como referência no estudo de lesões por arma de fogo. O leitor é convidado a acreditar, apenas por sua própria convicção, em um banco de dados 'de campo' derivado de fontes 'secretas' não publicadas. Nenhuma pessoa de pensamento claro deveria se prender a uma tolice como esta, mas alguns indivíduos sem base na ciência ou aqueles muito indolente ou ocupados para tirarem suas próprias conclusões poderão ser enganados. Este livro é uma piada ruim, uma piada que pode matar policiais desavisados." [12]


[1] Gary Roberts é Oficial do "US Navy Dental Corps" da Marinha norte-americana, envolvido em pesquisas de ferimentos balísticos e no tratamento de combatentes. Wolberg é Criminologista Sênior em Armas de fogo do Laboratório Criminal do Departamento de Polícia de San Diego. A revisão feita pelos autores ao livro de Marshall e Sanow pode ser vista em http://www.firearmstactical.com.

[2] MARSHALL, Evan e SANOW, Edwin. "Handgun Stopping Power: The Definitive Study". Paladin Press (EUA), 1992.

[3] Wolberg, inclusive, é citado no livro de Marshall e Sanow de forma desautorizada.

[4] Göransson AM, Ingvar DH, e Kutyna F: "Remote Cerebral Effects on EEG in High-energy Missile Trauma." Publicado no "Journal of Trauma" 28(1), suplemento, p. S204-S205; 1988.

[5] Patrick UW: "Handgun Wounding Factors and Effectiveness", FBI Academy Firearms Training Unit, Quantico, VA. 7/1989.

[6] Wagoner A: "10% Ordnance Gelatin Test Results". Southeast Missouri Regional Crime Laboratory. 3/1991; FBI Academy Firearms Training Unit. 1990 Ammunition Tests. Quantico, VA. U.S. Department of Justice, Federal Bureau of Investigation. 1/1991; Letterman Army Institute of Research, Division of Military Trauma Research. Laboratory Logs Wound Ballistic Testing. 11/1986 to 5/1991.

[7] Fackler ML: "The Ideal Police Bullet." Internal Security and Co-In Supplement to International Defense Review, 11(2) Supplement: 45-46; 1990; Fackler ML: "Handgun Bullet Performance." International Defense Review, 9(5): 555-557; 1988; Fackler ML: "Letter to the Editor: Bullet Performance Misconceptions." International Defense Review, 8(3): 369-370; 1987; FBI Academy Firearms Training Unit. 1990 Ammunition Tests. Quantico, VA. U.S. Department of Justice, Federal Bureau of Investigation. 1/1991; FBI Academy Firearms Training Unit. 1989 Ammunition Tests. Quantico, VA. U.S. Department of Justice, Federal Bureau of Investigation. 1/1990; FBI Academy Firearms Training Unit: "9mm vs. .45 Auto." FBI Wound Ballistics Workshop. Quantico, VA: 15-17; 1987.

[8] Karcher SK: "TR/2024/C91/586 - Test and Evaluation Report of 9mm Jacketed Hollow-Point (JHP) Cartridges for Naval Investigative Service (NIS) Use in the XM11 9mm Compact Pistol." Naval Surface Warfare Center, Crane, IN: 10/1991.

[9] Wolberg EJ: "Performance of the Winchester 9mm 147 Grain Subsonic Jacketed Hollow Point Bullet in Human Tissue and Tissue Simulant." Wound Ballistics Review, 1(1); 1991.

[10] Fackler ML , Malinowski JA: "The Wound Profile: A Visual Method for Quantifying Gunshot Wound Components." Journal of Trauma, 25(6): 522-529; 1985.

[11] Fackler ML: "Letter to the Editor: Bullet Performance Misconceptions." International Defense Review, 8(3): 369-370; 1987.

[12] Roberts e Wolberg, op. cit.


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