Parte II - Poder de Parada - origem, evolução e estudos atuais
1. Generalidades
Uma vez discutidos os efeitos dos projéteis em alvo humano, em especial os de arma curta, e os enganos que a interpretação errônea dos dados de confrontos armados podem causar, faremos um breve estudo da origem da preocupação relativamente recente do homem em obter um rápido efeito de incapacitação de um oponente no uso de armas de fogo, para depois analisarmos os diversos estudos que foram e estão sendo desenvolvidos sobre o tema.
2. O conceito de incapacitação imediata
2.1. Origem
O termo "poder de parada" ("stopping power"), utilizado por diversos autores, teve na verdade sua origem no início do século XIX, como valor utilizado para expressar o poder de um determinado projétil em incapacitar um agressor, pondo-o fora de combate sem, necessariamente, matá-lo. Nos últimos anos tem sido utilizado como unidade de medida da capacidade de determinada munição em produzir o já estudado fenômeno da incapacitação imediata. [1]
Até o final do século XIX, quando se desejava um aumento no poder de incapacitação do projétil era necessário aumentar seu peso e a quantidade da carga de pólvora. Como na época era empregada a pólvora negra, de baixo conteúdo energético (e com baixas pressões geradas em sua queima), a variável da incapacitação imediata não era levada em conta: os projetistas de armas e munições se preocupavam apenas em construir conjuntos arma/munição precisos e confiáveis, sem se preocuparem muito com a qualidade dos efeitos lesivos causados no alvo.
Com a descoberta da pólvora sem fumaça, foi possível aumentar o alcance e a precisão dos projéteis, com a redução de seu peso, permitindo a construção de armas menores e mais potentes. Isto trouxe a necessidade de um estudo mais aprofundado sobre as munições e seus componentes, de modo a permitir uma maior eficácia destes conjuntos em combate.
2.2. Estudos sobre a incapacitação de projéteis de arma de fogo
A questão da incapacitação imediata foi analisada seriamente pela primeira vez pelo exército norte americano a partir de 1889, por ocasião das batalhas que ocorreram nas Filipinas, onde se observou a inadequação do calibre regulamentar então utilizado, (o .38 Long Colt), que não era suficientemente potente para tirar de ação aqueles oponentes. Os nativos recebiam vários disparos antes de cessarem a agressão contra os soldados americanos.
Problema semelhante enfrentaram os ingleses em suas campanhas na Índia, também no século XIX. Os indianos eram adversários muito resistentes, que continuavam a atacar os soldados ingleses mesmo após serem atingidos por vários disparos. Visando solucionar o problema, os ingleses idealizaram uma munição para armas longas, no arsenal da província de "Dum-Dum", cujo objetivo era justamente ampliar o poder destrutivo em tecido humano. Alguns autores afirmam que os testes com o chamado conceito Dum-Dum deram origem aos modernos projéteis encamisados. Foram experimentados projéteis com corte em cruz, secionados e com diversos tipos de pontas, inclusive, primitivas "hollow point".
Alguns tipos de ponta de projéteis criados pelos militares ingleses no arsenal de Dum-Dum (Índia) que objetivavam o aumento no poder de parada das munições da época. Os resultados não foram satisfatórios, mas deram início às pesquisas que culminaram nos modernos projéteis tipo "hollow point" (ponta oca).
2.2.1. Os experimentos de Thompson e LaGarde
Em 1904 os EUA formaram uma comissão para estudar o problema da neutralização de oponentes com compleição física avantajada, e assim diminuir as baixas no exército daquele país. Dois Oficiais, um Capitão do Exército Norte Americano, de nome Thompson, e outro do Corpo Médico, de nome LaGarde, realizaram testes com armas de fogo em animais vivos, na tentativa de determinar a efetividade de projéteis de arma de fogo. Embora os testes tenham tido resultados, obviamente, bastante duvidosos, os autores chegaram à conclusão que projéteis de grande diâmetro, grande massa e impulsionados a velocidades moderadas possuíam melhores efeitos na incapacitação. Em última análise, as experiências de Thompson e LaGarde conduziram ao desenvolvimento e à adoção do calibre .45 como padrão, àquela época, para as armas de coldre do Exército dos EUA (mais especificamente o .45 ACP, FMJ, "round nose" de 230 "grains").
Esta comissão ficou conhecida como "comissão Thompson - La Garde". Em seus testes, foram utilizadas munições de uso militar em bovinos vivos e em cadáveres humanos, registrando-se os efeitos observados. Nos cadáveres suspensos no ar era observada a capacidade de um projétil de fraturar ossos e de transferir energia, mostrada pela oscilação dos corpos pendentes. Nos animais, era pretendido observar o poder de incapacitação proporcionado pelos diferentes calibres.
Ainda não havia os modernos projéteis de ponta oca, e a comissão utilizou os disponíveis à época, de chumbo puro ou jaquetados. Os calibres e formas de projéteis foram os militares da época, ogivais.
Os resultados pareceram indicar que projéteis maiores e mais pesados tinham potencial para incapacitação superior ao dos mais leves e mais rápidos.
2.2.2. Julian S. Hatcher
No final dos anos 20, o General do exército norte americano Julian S. Hatcher realizou estudos baseados nos resultados da comissão Thompson - La Garde, concluindo, à ée;poca, que a ocorrência da incapacitação imediata estava relacionada ao momentum (instante em que o projétil choca-se contra o alvo), e afirmando que um projétil lento e pesado teria maiores chances de causar o fenômeno do que um mais leve e veloz. Hatcher publicou, à época, o famoso "Hatcher's Notebook", onde apresentava, entre outros dados de campo, uma fórmula para cálculo comparativo da eficiência de projéteis. [2]
Os resultados, até aqui, mostravam-se pouco conclusivos, baseados em experiências de campo que, se não seguiram o método científico, ao menos deram o primeiro impulso ao estudo do poder de incapacitar dos projéteis.
2.2.3. Chamberlin o os testes com cabras
Em 1930, Chalberlin, um coronel do exército dos EUA, conduziu uma experiência com cabras, escolhidas porque, alegava, os ossos das cabras têm a mesma constituição mineral dos ossos humanos. Foram usadas armas longas com elevada velocidade dos projéteis. Entretanto, como os animais estavam anestesiados, não houve a possibilidade de estudar a ocorrência da incapacitação. Mesmo assim, algumas conclusões importantes foram obtidas: a lesão interna aumenta quando o projétil não segue de modo retilíneo, mas tomba e rola nos tecidos ("modus operandi" dos modernos projéteis militares), aumentando a cavidade permanente; projéteis secundários, provocados por ossos fragmentados, por exemplo, podem causar destruição em locais distantes do trajeto do projétil. Chamberlin também concluiu que o movimento dos líquidos dos tecidos causaria danos em todas as direções, alem daquela da trajetória do projétil, dando importância à reação hidráulica dos líquidos dos tecidos e seu efeito sobre o sistema nervoso central. [3] Não temos informações sobre o número de animais utilizados, mas certamente os dados colhidos foram insuficientes para que pudessem ser válidos.
2.2.4. Martin L. Fackler
Mais recentemente, os estudos de Martin L. Fackler referentes ao poder de incapacitação de projéteis de armas de fogo trouxeram maiores dados e esclarecimentos à questão. Médico militar especialista em ferimentos por projéteis, Fackler estudou longamente as necropsias de pessoas atingidas por projéteis de armas de fogo. Como o trajeto de um projétil pelo corpo humano deixa a cavidade permanente causada pela lesão de sua passagem (a ação direta, já estudada), Fackler valorizou esta cavidade como causa da incapacitação do agressor, e conclui que os projéteis mais pesados tem uma penetração maior, causando maior lesão nos tecidos (vimos que a penetração, atualmente, é considerada um componente essencial da incapacitação).
O autor é um dos principais críticos do trabalho de Marshall e Sanow [4] . Em recente artigo, informa [5] :
"... o propósito primário de projéteis (...) é romper o tecido humano. Os efeitos de projéteis em tecido humano - os padrões de rompimento de tecido característicos produzidos por vários tipos de projéteis - permanecem obscuros até mesmo a muitos projetistas e fabricantes de munições. Cirurgiões que são chamados para tratar as lesões causadas por projéteis, com algumas exceções, não tem o conhecimento prático de seus efeitos. Tentativas para obter esta informação através de fórmulas, gráficos, experiências controversas, suposições nulas, e teorias baseado em meias verdades (ou mesmo nenhuma) apenas aumentam a confusão".
O Dr. Fackler diz que o óbvio - a medição, o registro e a descrição do rompimento produzido por projéteis - foi por muito tempo ignorado, em grandde parte em favor de uma metodologia mais dramática e complexa, como a de Marshall e Sanow:
"Para ilustrar o problema: se um vizinho lhe falasse que um meteorito tinha caído em seu quintal, você não lhe perguntaria quão fundo e grande foi o buraco feito? Se ele respondesse, ainda que com autoridade, com uma estimativa da velocidade e quantidade de energia cinética depositada pelo meteorito, apresentando gráficos e tabelas complexas, você poderia até ficar impressionado pela sofisticação desta informação, mas ainda não saberia o tamanho e a profundidade do buraco no quintal do vizinho". [6]
Roger Frost, em "Bulet holes in theories" (1988) sugere que os diferentes grupos de pessoas que se interessaram por lesões de projeteis deveriam começar a falar mais uns com os outros. "Adicionemos que esta conversa precisa estar em termos que possam ser entendidos por todos, para informar ao invés de impressionar". [7]
Numa tentativa de ilustrar a interação tecido/projétil em lesões deste tipo, Fackler e outros pesquisadores desenvolveram [8] , no "Letterman Army Institute of Research" do Exército dos EUA, o método conhecido como "perfil de lesão" ("wound profile"), utilizado para medir a quantidade, tipo e localização da ruptura de tecidos causada por determinado tipo de projétil, apresentando os dados em uma ilustração padronizada e da fácil entendimento.
Todo o trajeto do projétil é capturado em um bloco de gelatina balística a 4ºC. A profundidade de penetração, deformação do projétil e padrões de fragmentação, mudanças em seu eixo de trajetória (guinadas), e a cavidade temporária, segundo os autores, é a mesma observada em tecido vivo. Após mapeamento e medição do bloco de gelatina, o mesmo é submetido à análise através de raios-X, e a forma do projétil é comparada com sua forma inicial para cálculo das deformações sofridas (percentual de fragmentação), assim como é verificada qual foi a velocidade de impacto. Este método procura oferecer uma abordagem útil dos dados colhidos, para clarificar os efeitos de projétil de uma forma que possam ser entendidos de imediato. Os perfis descrevem o rompimento máximo que pode ser esperado que um determinado projétil produza no tecido macio e elástico do corpo vivo. A "cavidade permanente" indicada nos perfis de ferida é o canal de lesão provocado pelo projétil em seu trajeto, quando golpeia e esmaga os tecidos. A "cavidade temporária" mostra a extensão aproximada na qual foram estiradas as paredes deste canal, por alguns milésimos de segundo depois de passagem de projétil (de forma análoga a um impacto na água).
"Qualquer um que alguma vez tenha visto uma lesão de projétil de arma de fogo, reconhece o que poderia ser denominado `orifício potencial´, que nem sempre estará aberto. Porém, é possível passar uma sonda facilmente por ele, como é feito por patologistas forenses para estabelecer a direção ou ângulo do tiro. As informações cruciais para o entendimento dos mecanismos das lesões produzidas por projéteis são a profundidade de penetração e o comportamento do projétil (se guinou ou simplesmente prosseguiu em linha reta), e a forma como penetrou (deformado, fragmentado)." [9]
Os perfis de lesão podem ser utilizados para descrever as lesões causadas por rifles militares modernos, juntamente com a descrição das lesões características. Os perfis possibilitam identificar o tipo de projétil empregado e as lesões decorrentes.
A ilustração mostra o "perfil de lesão" que pôde ser obtido de um projétil Winchester .38 SPL 110 grains HP (velocidade de 276 m/s). Através desta ilustração é possível compreender os elementos da lesão e o resultado das medições em gelatina, que fornecem um modelo para comparação (Fackler, 1988).
"Wound profile" do impacto de um balote calibre 12 (velocidade de 461 m/s): 36 polegadas de penetração com uma cavidade permanente de 2,8 cm (Fackler, 1988). É possível observar o aumento da cavidade permanente após a deformação do projétil. Este é o comportamento esperado de um projétil expansivo, que provoca um aumento no canal de ferida permanente e uma maior perda de sangue.
2.2.5. Outros estudos sobre efeitos de projéteis
Além do trabalho de Marshall e Sanow, o qual será discutido mais adiante, diferentes autores buscaram criar um "banco de dados" referente aos casos em que o fenômeno da incapacitação imediata pôde ser observado na prática. Entretanto, estes trabalhos tem sido duramente criticados, no sentido de utilizar uma amostragem muito pequena para que resultados que refletissem a realidade pudessem ser produzidos. Além disso, críticas quanto à transparência desses bancos de dados também são feitas, no sentido de que podem ser interpretados de forma a valorizarem este ou aquele tipo de munição com base em critérios subjetivos.
Por exemplo, nos anos 80, Fairburn, um policial norte americano, estudou os resultados reais de registros policiais onde houve lesões por projéteis de arma de fogo e incapacitação imediata do agressor. O numero de casos estudados foi pequeno, o que não permitiu ao pesquisador selecionar diferentes munições dentro de um mesmo calibre, nem obter resultados cientificamente válidos. Fairburn, por exemplo, conclui que o calibre de maior poder de parada (à época) era o do revólver .357 Magnum, que o melhor projétil em calibre .38 era o de 158 "grains" ponta oca, semi canto-vivo + P, e que o calibre .38 SPL não era efetivo, pois parou o oponente apenas uma vez em cada quatro casos observados. Entretanto, é possível observar que seus resultados aproximam-se daqueles depois colhidos e tabulados por Marshall e Sanow.
Em meados de 1993, os resultados de um estudo sem autoria determinada sobre testes que acabavam de ser feitos em mais de 600 cabras em Strasbourg, França, circularam anonimamente pela comunidade de armas de fogo norte americana. Uma cópia dos chamados "Testes de Strasbourg" foi enviada à Unidade de Treinamento em Armas de Fogo do FBI (EUA), antes de uma reunião do "Wound Ballistics Comitee". Os membros deste comitê, todos respeitáveis patologistas ou cirurgiões de trauma, foram unânimes em afirmar que, em sua opinião, tais testes eram, de fato, uma brincadeira, feitos por alguém sem nenhum conhecimento médico. Uma análise detalhada destes testes foi publicada na revista "Wound Ballistics Review". [10]
Diversos autores, em revistas especializadas dos EUA e da Europa, citam a experiência como tentativa de repetição das experiências de Thompson/LaGarde, desta vez com projéteis modernos.
Martin Fackler, em artigo sobre o tema, descreve diversas incongruências, inconsistências e absurdos referentes aos testes de Strassobourg, informando que os resultados de tais testes sequer possuem uma publicação oficial. [11] Fackler e muitos outros especialistas consideram os testes de Strassbourg uma fraude, disseminada principalmente pela imprensa.
Em revisão do livro "Street Stoppers - The Latest Handgun Stopping Power Street Results", de Evan Marshall e Edwin Sanow, Fackler informa que os autores dedicaram um capítulo inteiro para os anônimos testes de Strasbourg. Analisando os resultados destes testes, encontraram uma "correlação" muito grande com seus próprios resultados. De maneira interessante, se compararmos os disparos dos testes de Strasbourg com aqueles ocorridos em seres humanos, encontraremos: [12]
- Um projétil que atravesse uma cabra de lado a lado, sobre o coração e por detrás do ombro, atravessará ou passará muito perto dos principais vasos pulmonares, a uma profundidade de penetração de três a cinco polegadas, passando através do mediastino, novamente através, ou muito próximo, a vasos importantes;
- Um disparo que atinja o tórax de um homem adulto, penetrando-o da frente para trás, geralmente não passará perto da aorta ou da veia cava até que sejam atingidas mais de seis polegadas de profundidade de penetração, isso em uma pessoa pequena, necessitando maior profundidade de penetração em uma pessoa maior, mesmo penetrando de um ângulo significante;
- Devido à anatomia humana, a maior parte dos tiros frontais não atinge os principais vasos sanguíneos, somente perfurando os pulmões ou se aproximando de sua periferia, ou atingindo apenas porções do intestino;
Segundo Fackler, a correlação perfeita entre as paradas aleatórias de um tiro só no torso humano e os mesmo resultados em cabras são forte evidência de que, ou os testes de Strasbourg foram realmente fabricados ou manipulados, ou os resultados de "stopping power" de Marshall e Sanow o foram, ou ambos.
"Alguns poderiam defender que os resultados dos testes de Strasbourg teriam sido obtidos através de experiência real, mas mesmo assim teria sido uma experiência realizada com total incompetência". [13] Para Fackler, algumas coisas não soam verdadeiras nestes testes: por exemplo, é mencionada uma grande dificuldade em encontrar cabras em número suficiente para o estudo. Mesmo assim, estranhamente, cada uma das mais de 600 cabras encontradas estavam com o peso aproximado de 160 libras, pouco mais de 72 quilos. "Qualquer pessoa familiarizada com grandes experimentações (...) percebe aqui que Marshall e Sanow caíram em mais uma armadilha, pois novamente os dados se apresentam bons demais para serem verdadeiros". [14]
[1] Acreditamos que o termo "incapacitação imediata" seja preferível ao "stopping power", uma vez que o primeiro não traz, em si, nenhuma idéia de valor ou unidade de medida preditiva.
[2] Nosso acesso a este livro é feito apenas através de citações de outros autores. Infelizmente, o "Hatcher`s Notebook" enquadra-se na definição de "livro clássico" dada por Mark Twain: um livro ao qual todos referem, mas que ninguém leu realmente ...
[3] Talvez os resultados de Chamberlin tenham dado início à idéia da importância da cavidade temporária nas lesões por projétil de arma de fogo.
[4] Evan Marshall e Edwin Sanow, dois policiais norte americanos que tabularam centenas de resultados de confronto armado em que se manifestou o fenômeno do poder de parada. Os autores são criticados por seus métodos não científicos para a obtenção de índices controversos de incapacitação. Mais adiante examinaremos em detalhe estes resultados.
[5] Fackler, Martin L.: "Wounding Patterns of Military Rifle Bullets". Publicado na "International Defense Review", 59-64, 1989.
[6] Fackler, op. cit.
[7] Fackler, op. cit.
[8] Como referência: "The Wound Profile: A Visual Method for Quantifying Gunshot Wound Components." por Martin L. Fackler e John A. Malinowski, publicado no "Journal of Trauma", 25(6) p. 522-529, 1985; e "The Wound Profile: Illustration of the Missile-tissue Interaction", por Martin L. Fackler, Ronald F. Bellamy e John A. Malinowski, "Journal of Trauma", 28(1), Suplemento, p. S21-S29, 1988.
[9] Fackler, op. cit.
[10] Fackler ML: "The 'Strasbourg Tests:' Another Gunwriter/Bullet Salesman Fraud?" Wound Ballistics Rev 1994; 1(4): 10-11.
[11] Fackler, op. cit.
[12] Fackler, Martin L: "Book review: Marshall E.P., Sanow E.J.: Street Stoppers --The Latest Handgun Stopping Power Street Results". Wound Ballistics Review; 3(1), 1997: 26-31.
[13] Fackler ML: "The 'Strasbourg Tests:' Another Gunwriter/Bullet Salesman Fraud?" Wound Ballistics Rev 1994; 1(4): 10-11.
[14] Fackler, ML: op. cit.